Falta apenas uma semana para que o Agile seja lançado oficialmente, mas quase mais nada é segredo no novo hatch compacto da Chevrolet. A exceção são os preços das duas versões – LT e LTZ – já confirmadas pela montadora. A aposta é que eles fiquem entre R$ 35 000 e R$ 39 000, ou seja, praticamente o mesmo que o Fox, o inimigo número do 1 do Agile e sua fonte de inspiração.

Mas conhecendo seus dados técnicos nota-se que o Agile está mais próximo de outro carro, cuja proposta é muito semelhante a sua: o Sandero, da Renault. O carro da Chevrolet tem o mesmo comprimento e entre eixos, mas perde em largura e altura para o hatch francês.

Suspensão, rodas, pneus são idênticos, enquanto a motorização se equivale apesar de o Agile ser 1.4 e o Sandero, 1.6. O primeiro é mais potente (102 cv contra 95 cv), mas o segundo tem um pouco mais de torque – 14,1 kgfm contra 13,5 kgfm. O peso é onde eles mais se aproximam: 1 032 kg para o GM e 1 055 kg para o Renault, mas o porta-malas do Agile leva 7 litros a mais que o Sandero.

Pacote inédito

Mas a Chevrolet não quer usar apenas o argumento do espaço para ganhar mercado. O principal chamariz do Agile é o nível de equipamento e, por que não dizer, até mesmo o acabamento, tão criticado em outros modelos como o Celta.

O interior do carro é simples, mas há cuidados com certos detalhes como qualidade dos plásticos e a forração dos bancos. Segundo quem já andou no hatch, a ergonomia é privilegiada e o painel, bastante moderno e com personalidade.

A montadora batizou esse interior de “duplo cockpit”, ou seja, tanto o motorista quanto o passageiro têm seu espaço claramente delimitado. O Agile esbanja mostradores digitais ou diferenciados, como os mostradores do velocímetro e do conta-giros. Há computador de bordo de série em ambas as versões e o inesperado piloto automático, um recurso comum em carros mais caros.

O ar-condicionado é inusitado: a versão digital existe, mas não tem ajuste automático de temperatura. Uma sacada de custo baixo e funcionalidade parece ser o porta-objetos no topo do console, que possui encaixe para um GPS comum. Com isso, basta abaixar a tampa para guardar o gadget em vez de deixá-lo exposto no para-brisas.

A GM só não incluiu de série o ar-condicionado, ABS com EBD, faróis de neblina, vidros traseiros elétricos e os airbags duplos, mas estes terão de vir de série em breve, em conformidade com a lei que obriga esse tipo de equipamento de segurança.

Sem substituir ninguém

Ao contrário de outras épocas, em que retirou modelos assim que seus sucessores chegaram, desta vez a GM manterá o Corsa hatch em linha. Ele é o principal “prejudicado” pela entrada do Agile, mas continuará à venda até que não haja mais interessados.

A expectativa de vendas da marca, no entanto, é otimista. Segundo apuramos, a Chevrolet imagina vender cerca de 5 mil carros por mês das duas versões, total que deve subir assim que o Agile 1.0 for lançado em 2010. Sim, o Agile também terá versão popular, mas correndo os mesmos riscos que os grandes compactos têm ao oferecer pouco torque para muita carga.

Se alguém achou o jeitão do Agile um tanto grotesco, com sua enorme frente e suas linhas retangulares, não estranhe. A GM aposta muito nessa característica para vender versões esportivas e com visual off-road do modelo, uma virtude que nem Celta e Corsa puderam explorar até aqui.

Para o bem ou para o mal, essa é a nova cara da General Motors.

Ricardo Meier

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