A indústria automotiva brasileira deu um passo importantíssimo em relação à segurança dos veículos que dirigimos. Finalmente, cria-se o Latin NCAP, variante do Euro NCAP (New Car Assessment Program), existente há quinze anos e em avançado estado de exigências. Depois do polêmico teste que evidenciou o nível inferior de segurança dos carros novos nacionais, o Latin NCAP quer o próximo crash-teste em 2011 – e daí em diante buscar a mesma freqüência das simulações da entidade européia, que divulga seus resultados quatro vezes ao ano.

O parceiro do Latin NCAP no Brasil é a Proteste, uma associação de defesa do consumidor que avalia e testa produtos vendidos no País. Segundo Jean-Marie Mortier, diretor da entidade, não há data determinada para o próximo teste, já que o Latin NCAP ainda medirá a reação do mercado à sua chegada o que, em caso positivo, se refletirá em investimentos e independência financeira – atualmente, o órgão usa um laboratório na Alemanha para realizar seus testes.

Por essa razão, apenas uma simulação fora registrada: 40% offset, onde o carro colide numa parece a 64 km/h. Já o Euro NCAP é muito mais específico, com um número muito maior de testes. Ainda de acordo com Mortier, a exigência do Latin NCAP é a mesma do Euro NCAP, mas os resultados podem ser diferentes para o mesmo carro, já que os testes lá e cá são compostos de maneira distinta.

Para Mortier, o Brasil está distante dos padrões europeus por ter carros de versões mais antigas, sem muitos equipamentos de segurança e por comercializar mais, justamente, os menos seguros. “No Brasil, a comodidade vem em primeiro lugar. Mas o Latin NCAP quer conscientizar sobre a importância dos itens de segurança. E quando os brasileiros exigirem por ABS e airbag nos carros, as fabricantes serão obrigadas a oferecê-los por um preço mais acessível. Trata-se de uma cadeia: quanto maior a demanda, mais baratos eles ficarão”, explica Mortier.

Esse e os futuros testes ficarão publicados no site da Proteste e do Latin NCAP, com o objetivo de servirem de consulta antes que o comprador realmente decida sobre o carro que pretende estacionar na garagem.

Rodrigo Mora

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