É provável que a maioria dos filmes de ficção científica tenha sido dirigida por executivos da indústria automobilística. Isso porque, desde que essa vertente do cinema resolveu imaginar como seriam os carros do futuro, dificilmente eles são diferentes dos elétricos e híbridos da vida real que, cedo ou tarde, invadirão nossas ruas. Ao me deparar com o Audi e-tron, logo vem à mente o filme O Demolidor, em que Sylvester Stallone desperta em 2026 para combater o crime. John Spartan, o policial que o ator interpreta, se frustra ao conhecer os elétricos e silenciosos modelos que agora servem o mundo. Quando desce ao submundo da trama, encontra um muscle car dos anos 70 e retoma sua alegria por carros.

Mas é certo que o policial da ficção não se frustraria com o e-tron, conceito da Audi que ainda se tornará um protótipo antes de chegar à versão de produção, prometida para 2012 – no Brasil, em 2013. Afinal, seus quatro motores elétricos (um para cada roda) geram 313 cv e impensáveis 455 kgfm de torque. Essa exorbitante força é alcançada porque motores elétricos entregam torque de maneira constante. Ainda assim, sua autonomia é interessante: 248 km. O presidente da Audi no Brasil, Paulo Sérgio Kakinoff, avisa que a fabricante alemã não perderá sua essência esportiva em detrimento de qualquer fonte energética. Com números assim, fica difícil duvidar.

Chega nossa vez de andar no e-tron, uma das grandes estrelas do já citado Michelin Challenge Bibendum. Entro no carro, com todo o cuidado, com medo de quebrar alguma peça do único exemplar do modelo construído até agora. Digo ao engenheiro alemão que nos acompanha na volta com o e-tron: “o futuro chegou”. E ele devolve: “você está sentado nele”. A posição de guiar lembra a do R8, com os ocupantes bem próximos do chão. Ao apertar o botão de ignição (você não pensou que era na chave, pensou?), uma série de acontecimentos nos dá vontade de desligar e ligar o carro inúmeras vezes, só pra ver de novo, uma coisa de cada vez. Velocímetro e conta-giros, incrustados em peças de aço escovado, acendem uma luz branca em seus números. No meio deles, uma tela surge sabe-se lá de onde, mostrando, num primeiro momento, se está tudo ok com o carro. Entre suas funções está abrigar o GPS, exibir a autonomia e o funcionamento das baterias, além de permitir ao motorista controlar o sistema de entretenimento. Por fim, aparece a alavanca de câmbio, até então escondida. Do tamanho de um isqueiro Zippo, tem apenas as posições Drive, Rear e Parking. 

Nossa volta demorou algo em torno de dois minutos, e sem o menor espaço para uma simples e única acelerada. Não pudemos sentir como é ter 455 kgfm de torque sob o pedal e não escutar nada vindo do motor – apenas o ruído externo do vento e o dos pneus tocando o solo. Mas ainda assim foi fascinante ver de perto como vamos dirigir em breve. E que, de fato, os elétricos são uma realidade muito próxima.

Rodrigo Mora

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