O Audi S6, que a marca alemã lança agora no Brasil, custa R$ 399.000, é entregue apenas 90 dias depois da assinatura do polpudo cheque, castiga o motorista com sua suspensão dura e tem apenas um opcional: a pintura metálica, por R$ 1.901. Mas tudo isso será compensado quando o felizardo comprador tirar o carro da concessionária e der a primeira acelerada. Confortável, espaçoso e muito potente, o S6 é diversão pura.

O modelo que chega ao Brasil importado da Alemanha é oferecido em configuração única. Disponível em sete cores (sem se limitar à monótona dupla prata e preto, é trazido também em opções mais chamativas como azul, vermelho e branco), o sedã intermediário da Audi também sabe agradar quando o motorista esquece um pouco o acelerador e começa a curtir a vida a bordo. Logo de cara, dá boas vindas com bancos em couro esportivos, que envolvem o condutor – e também facilmente ajustáveis, graças aos controles elétricos e memorizáveis. Contribui para a ergonomia o ajuste, também elétrico, do volante, que sobe, desce, vai para frente e para trás.

Os equipamentos que mais chamam a atenção são o som Bose, os faróis adaptativos e bi-xenônio, o sistema de limpador dos faróis e a câmera traseira para auxílio a manobras. No mais, itens que não podem faltar num sedã da categoria, como teto solar, volante com comandos do rádio, computador de bordo, ar condicionado de duas zonas, sensores crepuscular e de chuva, entre outros.

Útil, prático, mas dispensável

Antes de acelerar, experimentamos o controle de cruzeiro adaptativo. Trata-se de um dispositivo que mantém a velocidade programada pelo motorista mesmo se o carro da frente diminuir de ritmo. Podemos, ainda, definir qual o intervalo que o S6 manterá do carro à frente. Nas primeiras vezes, fica a dúvida se o carro vai mesmo reduzir. A boa notícia é que ele não só reduz, como para o carro se o veículo da frente parar. Se estivermos, por exemplo, a 120 km/h e entrarmos atrás de um carro que esteja a 90 km/h, o sistema vai frear imediatamente e manter o Audi na distância programa – voltamos para nossa faixa, sem ninguém à frente, e a velocidade anteriormente estabelecida é retomada. O câmbio Tiptronic, de seis marchas, também segue os comandos do controle de cruzeiro.

Muito prático, útil e até cômodo, mas dispensável num S6. Ao volante desse esportivo, motorista algum será paciente o bastante para deixar o carro controlar a velocidade sozinho e, pior ainda, se condicionar ao ritmo do carro da frente. Com um desses na mão, queremos sempre ter domínio sobre o carro, mesmo que seja a 10 km/h.

Quando a violência é bem-vinda

O S6 não é um carro dócil, e foge totalmente do estereótipo de sedã. E não é para iniciantes. É preciso cautela com o acelerador, que ao menor toque do motorista reage com violência. Desafie o V10 de 5.2 litros e 435 cv e logo você sentirá inveja dos alemães – primeiro porque podem ter um S6 por bem menos dinheiro; segundo por contarem com as autobahns, que lhes permite comprovar como funciona o limitador de velocidade, a 280 km/h.

Ele tem a rara qualidade de reunir as qualidades de um pacato sedã de luxo, como espaço e conforto, às de um esportivo, como suspensão firme, direção direta e forte desempenho . Mas deve ser o segundo (ou terceiro, ou quarto..) carro, aquele para curtir um final de semana numa cidade longe, só para pegar uma boa estrada. No dia-a-dia, o motorista pode se irritar com a suspensão muito firme ou com as rodas de 19 polegadas, calçadas em pneus de perfil baixíssimo. E o S6, se pudesse, reclamaria da falta de liberdade para fazer o que mais sabe: ser violentamente rápido.
 

Rodrigo Mora

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