"A marca Audi está mais forte do que nunca". A frase é de Rupert Stadler, CEO da montadora, e reflete exatamente os números alcançados pela Audi em 2010, divulgados durante seu pronunciamento fiscal realizado nesta terça-feira, dia 9, em Ingolstadt, Alemanha. Stadler se refere ao recorde de 1.092.411 veículos vendidos no ano passado, que entregaram à Audi um faturamento de € 35,4 bilhões e lucro recorde de € 3,34 bilhões – uma alta de 108,2% frente a 2009.

Segundo a empresa, os maiores responsáveis por tal desempenho foram os novos modelos introduzidos na gama, entre eles o A8, o A7 Sportback e, principalmente, o compacto A1.

Mercados

Embora não seja líder mundial no segmento Premium, a Audi domina alguns territórios. Na Europa, a companhia cresceu 4% e se manteve na ponta, assim como na China, onde viu suas vendas aumentarem 43,4% no último ano. A marca alemã também evoluiu nos EUA, com alta de 22,9%, mas continua atrás de BMW e Mercedes-Benz. Uma de suas metas é chegar a 150.000 unidades anuais no mercado norte-americano, até 2015; mas, para isso, a Audi não contará com o A1, já que o compacto (montado sobre a plataforma do Volkswagen Polo) não passaria nos testes de colisão dos EUA, que usam critérios diferentes daqueles aplicados nas provas européias. A segunda geração do A1, talvez, conheça o mercado norte-americano.

Isso porque a Audi pensa, ainda que remotamente, em montar uma planta no México (utilizando parte da estrutura da fábrica da VW em Puebla) para produzir o A1, caso tenha certeza de que seu volume de vendas seja alto. 

Stadler mencionou durante a coletiva que Brasil e Índia são mercados com “particular potencial”. No entanto, embora estime que as vendas no Brasil dobrarão em 2011 – ficando entre 6.000 e 7.000 carros –, Peter Schwarzenbauer, diretor de Marketing e Vendas, descarta uma eventual planta brasileira. “Não temos planos de construir uma fábrica no Brasil a médio prazo”. O executivo explica que somente a partir das 100.000 unidades anuais é que uma instalação fabril seria justificável.

Híbridos ou elétricos?

Este ano marca o lançamento de oito produtos da Audi: R8 GT, A6, A8 W12 L, RS 3 e mais quatro ainda não revelados. Provavelmente entrarão nessa conta Q5 Hybrid, apresentado em Genebra, A6 Hybrid e o inédito Q3, que começará a ser produzido no final do ano.

O time de híbridos da Audi também aumentará: além de Q5 e A6, ganharão a tecnologia que combina motores a combustão e elétrico A8 e Q7 Plug-in, este último em 2014. Portanto, a Audi terá quatro híbridos e quatro elétricos (família e-tron). O diretor de Desenvolvimento Técnico da Audi, Michael Dick, avisa que a marca já decidiu qual rumo tomar em relação à fonte energética do futuro, e que duas opções se destacam à sua frente. O executivo também afirmou que a tecnologia do downsizing continuará ativamente empregada nos seus motores, a exemplo do novo A6 com motor V6 turbo, entre outros. Juntando as duas informações, podemos concluir que a Audi terá muito mais híbridos do que elétricos em sua gama.

*Viagem feita a convite da Audi do Brasil

Rodrigo Mora

|