O foco em soluções de mobilidade, indo muito além do negócio de projetar e vender carros, será a estratégia principal das maiores fabricantes do mundo nos próximos anos.

A BMW anunciou na semana passada que vai iniciar os testes de 40 carros autônomos nos arredores de Munique, na Alemanha, com o objetivo de acelerar o desenolvimento de seu sistema de transporte “pay-per-use”.

Os automóveis, pelo menos no início dos testes, contarão com motoristas habilitados dentro dos veículos por segurança, declarou o vice-presidente de direção autônoma da BMW, Klaus Buettner.

A BMW aponta que seu diferencial em relação a outros serviços, como o Uber, será o fato de possuir sua própria frota de veículos. “Empresas como Uber e Lyft não possuem carros próprios e isso as impossibilita de oferecer alguns serviços específicos. Nós poderemos, por exemplo, oferecer serviços de compartilhamento de veículos para uma comunidade específica”, acrescentou Harald Krueger, CEO da BMW.

Quem segue na mesma linha da BMW é a conterrânea Volkswagen, que ainda se recupera dos danos causados pelo escândalo do diesel. O grupo alemão anunciou recentemente a criação da Moia, a 13ª marca do conglomerado, que tem a ambição de se tornar uma das três principais empresas do mundo no setor de mobilidade.

“Nós estamos nos movimentando nas cidades do mesmo modo que há 20 ou 30 anos. Nós precisamos oferecer novas formas de transporte e de fato melhorar a atual situação do trânsito das grandes cidades”, explica Ole Harms, CEO da Moia.

Segundo Harms, a ideia da Moia é oferecer um serviço posicionado como um meio-termo entre um ônibus e um carro do Uber. Esses “transfers” como explica a empresa, abrigarão mais de um passageiro por vez e o serviço pode ser contratado direto por um aplicativo no smartphone. De acordo com o executivo, a ideia é que o valor cobrado seja próximo ao praticado pelas tarifas de ônibus convencionais.

A Moia começará a operar utilizando modelos já existentes da gama Volkswagen, como a van Transporter (a sucessora da Kombi na Europa), mas ao longo dos anos esses carros serão substituídos por modelos elétricos com capacidade para 6 a 8 passageiros e com direção autônoma. O desevolvimento desse modelo está a cargo da divisão de veículos comerciais da Volkswagen.

“Por volta de 2021 nós difinitivamente veremos algumas cidades pelo mundo operando frotas de carros autônomos”, prevê o CEO da Moia. O executivo projeta que a empresa lucre algo já na casa de bilhões dentro de dois a quatro anos, sendo que os maiores mercados deverão ser EUA, China e Europa.

César Tizo

César Tizo |