Os governos de Brasil e Argentina chegaram a um acordo nessa quinta-feira (2) para agilizar o processo para emissão de licenças não automáticas para importação de mercadorias, em especial carros argentinos, para ambas os lados. A partir de agora equipes técnicas bilaterais se reunirão a cada 30 dias para discutir a liberação dos produtos retidos na fronteira. O objetivo é respeitar o prazo para entrada das mercadorias sem ultrapassar os 60 dias estipulados pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Desde 12 de maio deste ano o Brasil exige licenças de importação para carros todos os importados. A medida, porém, afetou de forma mais abrupta os veículos oriundos da indústria argentina, justamente o principal alvo do governo Dilma com a recente ação, apesar dessa postura não ser de fato assumida. O resultado foi o acumulo de automóveis argentinos à espera da licença prévia para entrar no mercado brasileiro, o que vem sendo dificultado. O impasse também resulta em mais custos para os argentinos e a falta de produtos no mercado brasileiro.

A ação do governo brasileiro foi tomada como uma espécie de retaliação a Argentina, que desde março deste ano também exige autorizações para entrada de uma série de produtos brasileiros, como geladeiras e alimentos, em território portenho. A movimentação é uma forma de incentivar o mercado interno, entretanto, cria atritos comerciais entre os países.

Atualmente, o setor automotivo do país vizinho é responsável por mais de 25% de todas as exportações da indústria local para o Brasil. Por isso a paralização na alfandega prejudica tanto a Argentina, que envia para o mercado nacional veículos de Citroën, Fiat, Ford, Renault, Peugeot, Toyota, Volkswagen e General Motors.

Thiago Vinholes

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