Cledorvino Belini substitui Jackson Schneider na presidência da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e do Sinfavea (Sindicato das montadoras) com otimismo para os próximos anos. O também presidente da Fiat estima que o setor automotivo nacional receberá nos próximos dois anos US$ 11,2 bilhões em investimentos, quantia significativamente maior que os US$ 8,1 bilhões injetados pelas montadoras entre 2007 e 2009 em novos modelos e avanços tecnológicos. Parte desse montante virá do que Belini chama de “choque de competitividade”, que se trata de um “programa nacional que unirá o governo e a iniciativa privada. A intenção será atrair investimento para acelerar o desenvolvimento tecnológico, a inovação e a capacitação dos trabalhadores e fazer do país um centro de engenharia, capaz de exportar inteligência automobilística e atrair novos projetos globais”, afirma o executivo.

A Anfavea espera que em 2010 as vendas de veículos cresçam 8,2%, o que levaria o mercado interno a comercializar 3,4 milhões de unidades. “Fechamos 2009 como o quinto maior mercado de automóveis. Se ficarmos em quarto ou em quinto, de novo, está de bom tamanho. A preocupação é com a colocação no ranking de produção, onde somos o sexto”, explica Belini. E é nesse momento que “choque de competitividade” se torna importante, já que somente depois de uma renovação dos sistemas de produção o protecionismo não será mais necessário. “Essa alíquota (de 35%) protetora sobre os carros importados se faz necessária até que tenhamos a competitividade acertada”, segundo Belini.

Quanto à carga tributária sobre nacionais, Belini admite que a redução de IPI foi importante para o setor no momento da crise, mas defende uma reforma total no sistema tributário. Para o presidente, tal reformulação deve ocorrer já em 2011 – e aí sim o consumidor saberá o quanto paga pelo carro e o quanto desperdiça em impostos.

Rodrigo Mora

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