O governo brasileiro assinou nesta segunda-feira, 09, a renovação do acordo de cotas de importação de veículos entre o Brasil e o México. O documento anterior venceria no dia 19 e automaticamente eliminaria o limite de importação hoje vigente para qualquer volume de produtos. Apesar da insistência dos mexicanos, que queriam retomar o livre comércio, o Brasil manteve o bloqueio, que evita um desequilíbrio na balança comercial.

Como são mais baratos de produzir, os automóveis e utilitários mexicanos poderiam chegar ao Brasil com preços bem mais competitivos como ocorreu até a instituição do acordo, em 2012. O novo documento prevê cotas progressivas até 2019, mas no primeiro ano de vigência o valor, de US$ 1,56 bilhão, é inferior ao que vigorava nos últimos 12 meses. O novo acordo, no entanto, prevê uma mudança nos critérios de divisão da cota. Agora, o país exportador decidirá qual a participação de cada marca exportadora e 30% cabe ao país importador. Hoje cada nação decide quem pode e quanto pode exportar. Com a regra anterior,  o México privilegiava a Nissan, que é a marca com maior volume possível de ser importado sem pagar impostos. Mas até mesmo a montadora japonesa reduzirá sua importação já que o sedã Versa começou a ser fabricado no Brasil.

Na prática, essa medida manterá caros e distantes do Brasil modelos que hoje não têm grandes chances de terem sua produção iniciada aqui. Estão nessa situação sedãs como o Fusion, Sentra e SUVs como o Tracker e o CR-V. Com a nova regra, a Nissan pode perder um pouco de força, mas nada que possa permitir que a demanda do público fale mais alto. 

Acordo chegou a ser favorável ao Brasil

Quando foi instituído, em 2002, o acordo de livre comércio foi benéfico para ambos os países já que o real estava desvalorizado e os modelos compactos eram exportados com facilidade para o México – inclusive o Gol, que teve um sucesso esporádico. Em contrapartida, os mexicanos enviavam para cá veículos mais sofisticados produzidos com foco principal nos Estados Unidos, graças ao NAFTA, o mercado comum norte-americano.

A situação mudou em 2011 quando a balança se desequilibrou e os carros mexicanos passaram a chegar muito mais baratos que os nacionais – o hatch March foi um dos exemplos mais claros dessa situação.

Diante do cenário atual, algumas marcas decidiram produzir no Brasil, apesar dos custos altos e da demanda reduzida. É o caso da Volkswagen, que começará a montar o sedã Jetta no Paraná no segundo semestre, aproveitando o início de produção do Golf VII.

 
 
Fiat Freemont é um dos carros que vem do México Fiat Freemont é um dos carros que vem do México
Fiat 500 custa R$ 48.990 Fiat 500 custa R$ 48.990
Modelo não paga impostos de importação, mas tem volume limitado Modelo não paga impostos de importação, mas tem volume limitado
VW Fusca 2015 VW Fusca 2015
Chevrolet Tracker 2015 Chevrolet Tracker 2015
Honda CR-V reestilizado Honda CR-V reestilizado
Ford Fusion 2015 Ford Fusion 2015
 
 
Ricardo Meier

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

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