Há pouco mais de um ano, o “dieselgate”, como ficou conhecida a má prática admitida pelo grupo Volkswagen de manipular os testes de emissões utilizando um software no sistema de gerenciamento de motores a diesel, abalou não só o mundo automotivo como também gerou uma série de discussões políticas e, o que pode ter sido mais doloroso, ainda manchou a reputação alemã de ética nos negócios e competência técnica no desenvolvimento de produtos.

Apesar de separar um bom dinheiro em caixa para lidar com toda a repercussão negativa dessa história, que gerou um recall bilionário ao redor do mundo envolvendo até a recompra de modelos afetados nos EUA, as coisas não ficaram muito simples para o conglomerado alemão.

Segundo o Automotive News Europe, citando o jornal alemão Handelsblatt, a alta cúpula da Volkswagen prepara uma reunião extraordinária no próximo dia 18 para discutir, dentre outros assuntos, um profundo corte de custos nas marcas do grupo para poupar dinheiro e lidar com a crise. A marca Volkswagen planeja, sozinha, uma economia de 3,7 bilhões de euros e a economia forçada também vai atingir as primas ricas Porsche e Audi.

Em especial a Audi, com parte de sua equipe técnica envolvida em criar uma solução rápida para os problemas de emissões envolvendo os motores a diesel, o futuro Q4, um rival para o BMW X4 e o Mercedes-Benz GLC Coupé, acabou atrasando e não chegará ao mercado antes de 2021. A nova geração do A3, um modelo muito importante para a marca, era cotada para estrear em 2019, mas também deverá sofrer ajustes no cronograma. O foco agora do grupo Volkswagen é acelerar a produção de veículos com propulsão alternativa, em especial elétricos, como o elétrico Q6 e-tron em 2018. Dessa forma, com veículos de emissão zero, a companhia pretende melhorar sua imagem no mercado. O Volkswagen I.D., previsto para o início da próxima década, também segue a mesma estratégia. 

Mesmo com a imagem abalada, a Volkswagen segue com uma boa participação em vendas ao redor do mundo, sendo a segunda maior empresa do segmento logo atrás da Toyota. De janeiro a outubro deste ano a Volkswagen comercializou 4.848.683 unidades, volume 0,9% maior em relação ao mesmo período de 2015 segundo dados da Focus2move. A Toyota lidera o ranking, com folga, ao registrar 6.238.429 unidades neste ano, número estável em relação à 2015.

E o Brasil, como fica?

Se as medidas de corte estão afetando a matriz, que inclusive é pressionada a diminuir os altos custos de produção na Alemanha, seguramente as medidas também afetarão os planos para o Brasil.

Como já antecipamos, uma das grandes cartadas da Volkswagen para nosso mercado é entrar, em 2018, no segmento dos SUVs compactos com um derivado do T-Cross. O segmento é o mais importante do momentos seja no Brasil como no resto do mundo e ficar fora dele por aqui é deixar de gerar bons lucros e cada vez mais vendas. Como a Volkswagen sabe disso, é bem possível esse produto não sofra atrasos.

Outra novidade importante que também adiantamos para você é o produto que vem sendo tratado internamente como “Polo G”, que vai marcar a volta da Volkswagen na categoria dos hatches compactos mais modernos e bem equipados, segmento que ela abandonou após tirar o Polo de linha em 2014. Esse sim é um projeto que pode sofrer algum atraso, sendo que dificilmente correria o risco de ser abandonado. Com a Fiat, por exemplo, preparada para renovar o Punto e o Palio e os modelos migrando para esse tipo de concepção, é necessário ter um representante de peso na categoria. 

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

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