Nem carros de fibra, nem esportivos e muito menos jipes. A aposta de Fharys Rossin e Natalino Bertin Júnior em criar uma marca nacional de automóveis se debruça sobre um superesportivo de 4,72 m de comprimento, 2,78 m de entreeixos, 1,27 m de altura e 1,95 m de largura; que terá motor BMW, chassi de alumínio e preço estimado em R$ 700.000 – o conversível custará o dobro. Distante da realidade do brasileiro? Nem tanto.

Revelado há poucos meses, o esportivo já tem 19 encomendas, algumas internacionais. Rossin, "pai" do Vorax, nos conta que um cliente inglês veio ao Brasil durante o Salão do Automóvel justamente para comprar o modelo. Sua justificativa é que, ao contrário de nós, seu acesso a superesportivos como Lamborghini, Porsche e Ferrari é relativamente fácil. Além do mais, segundo o inglês, rodar por Mônaco com o Vorax lhe traria muito mais exclusividade e glamour, já que Lamborghini, Porsche e Ferrari, lá, todo mundo tem. Esse interesse reflete como será o mix quando o Vorax entrar na linha de produção: a cada dez exemplares, oito serão exportados e dois ficam para consumo nacional. As primeiras entregas ocorrem no primeiro trimestre de 2012.

Ame ou odeie

Rossin também nos revela que sua idéia, que superou adversidades e contrariações, era criar um desenho único. De fato, o Vorax é para visões aguçadas, com sua grade protuberante, seu capô enorme e, inversamente proporcionais, seus faróis afilados. Até de perfil o Vorax mostra personalidade, com vincos nas portas e nos para-lamas. Na traseira, a receita dos faróis se repete nas lanternas, tornando ainda maior o volume do para-choque e do defletor. "Não quero ninguém indiferente. Prefiro que critiquem o visual do que simplesmente não sintam nada", explica o designer.

A obsessão pelo design se aplica também à qualidade do Vorax. Atualmente com quatro estrelas no EuroNCAP (entidade européia que avalia o índice de segurança dos carros), o Vorax passará por testes no próximo ano para alcançar a quinta estrela. Por testes, entenda destruir um carro de R$ 700.000 na parede. Outro compromisso com padrões superiores é o powertrain escolhido para o Vorax. Nada de motor AP 1.8 (VW) como já usaram alguns protótipos nacionais: sob o capô, um 5.0 V10 da BMW, com 570 cavalos de potência. Pouco? Ok, haverá também uma versão sobrealimentada, de 750 cv. Seja qual for o motor, a transmissão é automática (com trocas manuais) de sete marchas, com tração traseira. A velocidade máxima estimada pela marca é de 330 km/h para a configuração mais "fraca" e 372 km/h para o mais potente. "Optamos por esse conjunto que é um dos melhores. O brasileiro está cansado do que é oferecido aqui e quer qualidade", acredita o projetista.

Rossin, o soldado

Fharys Rossin é um obstinado. Em boa posição na General Motors, onde foi um dos designers responsáveis pelo novo Camaro, Rossin se retirou da empresa em busca do seu sonho: construir um esportivo nacional. Muitos anos e dificuldades depois, o designer finalmente conseguiu apresentar seu carro no Salão do Automóvel. "Sou um soldado a serviço do País. Minha maneira de mostrar isso foi construir um carro nacional. O brasileiro precisa ser visto de frente e dizer: nós temos um superesportivo nacional", explica ele.

Depois de apresentar seu carro a muitos investidores, Rossin chegou até Natalino Bertin Júnior, dono da Platinuss, uma das principais importadoras independentes do País. No seu showroom estão nada menos do que as últimas unidades fabricadas do Dodge Viper, e por lá já passou também o Pagani Zonda, que encontrou quem dispusesse de R$ 4 milhões para dar num carro que raramente sairá às ruas. Ou seja, vender o Vorax não será tão difícil.

Vender, no entanto, não é a principal missão da Rossin-Bertin: "não queremos vender um carro, mas construir um sonho", define o soldado Fharys.

Rodrigo Mora

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