Finalmente o Fiat Bravo chega ao País. Desde 2008, o hatch médio ensaia sua estreia por aqui, após ser lançado na Europa dois anos antes. Seu preço é interessante, mas sua expectativa de vendas é modesta: 1.500 unidades/mês, que é quase o triplo do que vende atualmente o Stilo, seu antecessor, mas a metade do que comercializa o Hyundai i30, o líder da categoria. Conheça quem são os concorrentes do hatch fabricado em Betim (MG), pela ordem de vendas.

Hyundai i30: é o atual fenômeno de vendas do mercado brasileiro. Sem motor bicombustível e com um pós-venda sem a abrangência e a eficiência dos concorrentes, é sucesso de público desde que chegou, em junho do ano passado. Seus trunfos são o generoso pacote de equipamentos, o design inspirado no BMW 120i (principalmente na traseira) e o acabamento refinado. O motor 2.0 16V de 145 cv é um dos melhores do segmento. Partindo de R$ 58.000, vendeu de janeiro até hoje 31.113 unidades.

Chevrolet Astra: é o típico exemplo de rei que perdeu o reinado. Num passado não muito distante, o Astra era símbolo de status. Dividia (e liderava) a preferência do público com Focus e Golf. Sua versão sedã, outrora mais completa, era um pequeno passo antes do Vectra, que também tinha mais prestígio. Hoje, Astra Sedan é para taxistas e frotistas. Atrasado em duas gerações em relação ao modelo europeu, o Astra hatch vende bem por conta do irresistível preço de R$ 47.457, mas que na prática cai para R$ 44.900, com direito a ar-condicionado e rodas aro 16 de série, entre outros itens. Neste ano, foram 25.802 emplacamentos.

Ford Focus: num mundo com mais justiça, veríamos o Focus na liderança do segmento. Mas, para quem já foi, na antiga geração, esquecido pela própria marca, está bom o terceiro lugar. Lançado em 2008 por aqui, pecava feio por não ter motor bicombustível, benefício que só chegou no final do ano passado, juntamente com o ótimo motor 1.6 Sigma. Além do desenho ainda atual, seu principal destaque é a dirigibilidade, acima da média graças, principalmente, ao refinado ajuste de suspensão. Com a terceira geração ainda quente na Europa, o Focus deve mudar por aqui em 2013. De janeiro até a segunda quinzena de novembro, foram 21.239 vendas. Seu preço parte de R$ 53.430 na configuração GL 1.6.

Volkswagen Golf: é unânime que o Golf é um carro especial. Assim como é unânime também que o atual modelo já visualmente esgotado. Enquanto na Europa o hatch já está na sexta geração, estamos na "4 e meia". Para ganhar fôlego, a VW tem recorrido a séries especiais. Por outro lado, matou a versão GTi que rivalizava com o Honda Civic Si. Preço: a partir de R$ 50.990. Vendas: 15.639 unidades.

Citroën C4: mesmo carregando o motor mais potente da categoria (2.0 16V, de 151 cv) e uma invejável lista de equipamentos, o hatch de descendência francesa não fez tanto sucesso. Talvez pelo polêmico volante de cubo fixo, que na verdade deveria jogar a favor. Seus outros destaques são o design, a estabilidade, o desempenho e o conforto. Seu câmbio, principalmente se for o automático de quatro marchas, é um dos desagrados. Em relação à Europa, está um passo atrás, já que por lá a nova geração ainda é novidade. Suas vendas não foram exemplares, com 11.467 unidades neste ano. Já o preço, empolga: R$ 53.400, já completo, na versão 1.6 16V com 113 cv.

Chevrolet Vectra GT: o representante da General Motors paga o preço pela idade avançada e pela confusão que faz na cabeça do consumidor.  Com motor gastão e interior pobre perto dos rivais, o nosso Vectra é, na verdade, o Astra europeu – que por sinal já avançou uma geração. Há muito mais beleza exterior do que interior. Em 2012, deve ser substituído pelo Cruze hatch. O Vectra hatch parte de R$ 57.291 sob a sigla GT e vendeu apenas 9.615 carros neste ano.

Peugeot 307: outra injustiça do mercado. Confortável, espaçoso, potente e ainda belo, o irmão siamês do C4 há tempos deixou de ser cobiçado. Com os dias contados (o 308 deve chegar no final do ano que vem), se agarra no custo/benefício. A versão limitada Millesim 200, que entrega GPS, bancos de couro, computador de bordo, ABS, airbag duplo e CD player bom Bluetooth por R$ 54.400, é realmente tentadora. Mas o público não entendeu assim: de janeiro até hoje, foram 8.833 emplacamentos.

Nissan Tiida: em vendas, o Tiida conseguiu ir pior que o Stilo, agora sepultado pela Fiat – foram 6.232 do italiano contra 4.641 do japonês. Em parte, o desempenho pífio nas vendas é conseqüência da falta de ambição da própria Nissan, que poderia vender muito mais. O Tiida compensa o visual não muito atraente com bom motor, ótimo câmbio manual de seis marchas, amplo espaço interno e bons equipamentos.  

 

Rodrigo Mora

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