O crash-test não poderia vir em hora mais oportuna. A crise financeira e do petróleo tem motivado muita gente a exaltar as vantagens dos veículos urbanos de pequenas dimensões ante os grandes carros e picapes que se proliferaram nos Estados Unidos.

Mas o instituto norte-americano IIHS, voltado para a segurança viária, deixou em dúvida a capacidade de evitar ferimentos em passageiros que estão a bordo desses compactos e sub-compactos. Dois deles, aliás, que são novidade no Brasil.

Para isso, o IIHS promoveu um crash-test diferente. Em vez de se chocar contra um muro, os três modelos escolhidos – Fit, Smart e Yaris, da Toyota – foram jogados contra sedãs grandes, que pesam mais que o dobro que eles.

A fim de evitar polêmica, o instituto montou duplas da mesma marca: o Fit enfrentou o Accord; o Smart, um Mercedes-Benz Classe C; e o Yaris, um Camry. E o resultado foi diferente do que se vê nos testes contra peças de concreto.

Graças à energia cinética e à superfície diferenciada dos sedãs, os pequenos veículos acabaram sofrendo muito mais que na situação de análise padrão. No Yaris, por exemplo, as portas foram jogadas para fora, os bancos moveram-se para frente e a coluna de direção se moveu excessivamente. O resultado significou “ferimentos” na cabeça do dummy, o boneco usado no experimento.

O Fit, da nova geração, também não correspondeu. As pernas do boneco foram feridas na canela e na coxa enquanto a tíbia direita foi seriamente afetada. A cabeça do dummy atingiu o volante mesmo com o airbag acionado. O resultado foi ruim no geral, contrariando o bom teste contra a barreira fixa.

Já o pequeno Smart, de apenas dois lugares, foi o mais afetado pelo choque e não havia como ser diferente devido às suas pequenas dimensões. Após a batida, o ForTwo voou literalmente, girando no ar 450º. Com esse deslocamento, o corpo do dummy foi seriamente atingido em toda a sua extensão. Houve invasão de várias partes do carro no interior do cockpit, com o painel de instrumentos sendo deslocado para cima.

Há, obviamente, um outro ponto de vista sobre o resultado: se não existissem veículos tão grandes e gastões, os riscos de colisão de carros menores com eles seria menor. Mas o fato é que a profusão de sub-compactos, como o indiano Tata Nano, pode significar um aumento no número de acidentes graves em várias partes do mundo.

Veja o vídeo do IIHS e repare na diferença entre o choque contra a barreira e contra os sedãs grandes. O resultado é impressionante:

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

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