Dafra CityClass 200i
Dafra

A Dafra Cityclass 200i custa R$ 9.390

O scooter tem se tornado, cada vez mais, uma solução para quem não aguenta gastar horas no trânsito para ir de casa ao trabalho e, claro, para quem está disposto a se aventurar na dor e na delícia que é fazer parte da rotina do mundo das duas rodas. Digo isso, pois não é raro você ser surpreendido por uma chuva, por exemplo, ou passar apuros com motoristas distraídos. Todavia, nada paga a sensação de liberdade de rasgar o trânsito da cidade e conseguir chegar mais cedo em casa, ou aonde quer que vá.

Por aliar facilidade de pilotagem, agilidade e comodidade, o segmento de scooters está em ascensão no Brasil enquanto o mercado de motos em geral está em queda. E foi neste nicho que a Dafra conseguiu estabelecer vínculos mais sólidos no País, primeiro com o sucesso da Citycom 300i.

Em dezembro de 2014, a marca lançou no mercado nacional o Cityclass 200i, nosso avaliado da vez, que ocupa a posição de entrada na linha de scooters da montadora - uma vez que o Smart 125 deixou de ser vendido. Ele chegou para ser o principal concorrente do Honda PCX 150, líder de vendas no segmento, que parte dos R$ 9.015. O, preço da novidade da Dafra é bem próximo, R$ 9.390, e a marca oferece um produto com um pouco mais de potência e torque, além de apostar em itens de conforto e conveniência que seu rival não possui.

De onde vem?

O Cityclass é um projeto antigo da marca italiana Garelli, datado de 2009. O que a Dafra fez foi pegar este projeto e modificá-lo para o mercado brasileiro em um processo durou 22 meses, nos quais foram realizadas 150 alterações que o diferenciam do produto italiano. O Cityclass é produzido em Manaus (AM), mas utiliza componentes que vem da China, da Itália e também do Brasil.

Como anda?

O scooter é equipado com um motor de 199,1 cm³ com injeção eletrônica, que gera potência máxima de 13,8 cv a 7.500 rpm e torque máximo de 1,42 kgfm a 6.000 rpm, enquanto o câmbio é o automático CVT. Embora os números sejam superiores ao de seu rival PCX, que ostenta 13,6 cv a 8.500 giros e 1,41 kgfm a 5.250 rpm, o desempenho na prática é muito semelhante. A seu favor, o scooter da Honda traz o sistema “start-stop” presente em muitos carros de luxo e até no novo Uno, que desliga automaticamente o motor nas paradas e religa ao arrancar. A tecnologia favorece a economia de combustível, que faz com que o PCX rode de 37 a 40 km com um litro de combustível. Com a Cityclass, cujo tanque leva 6 litros, identificamos um consumo na casa dos 25 km/l, mas segundo a Dafra, ela tem autonomia de 180 quilômetros, com consumo de 30 km/l.

Para deslocamento urbano, a Cityclass não deixa a desejar. Ágil e com boas arrancadas, vai muito bem em vias expressas, onde a velocidade máxima fica em torno dos 90 km/h. Se for preciso, ela consegue encarar uma estrada, embora seu habitat seja de fato a cidade. A marca divulga velocidade máxima de 107 km/h, mas em um curto trecho de estrada ela alcançou os 120 km/h – velocidade mostrada no painel.

Um ponto que chamou a atenção foi o barulho do motor, às vezes excessivo, e a vibração no guidão, transferida para os braços. Depois de um tempo rodando, ambos causam desconforto ao piloto. No mais, as suspensões tem ajuste firme, que é bom para garantir mais estabilidade e o garupa não sofre tanto os impactos do solo como no PCX, cujo amortecimento da suspensão traseira é quase nulo.

Assim como sua rival, o sistema de freios é combinado, que distribui a frenagem automaticamente entre as rodas dianteira e traseira quando o freio traseiro é acionado. Com o sistema, o Cityclass já atende as novas exigências do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que obrigará todas as motos novas vendidas no Brasil a contarem com freios ABS ou CBS até 2019. Além de promover mais segurança, este sistema acaba por corrigir certos erros de condução do piloto. O disco de 240 mm na dianteira e 220 mm na traseira, mostraram eficiência na hora de parar o scooter, mesmo em freadas bruscas.

Agora, dentre as características que o destacam mesmo estão as rodas grandes aro 16”, herdadas da irmã de 300 cc, que são muito favoráveis para o uso urbano. Rodas maiores aumentam a segurança na buraqueira do asfalto e garantem mais conforto e estabilidade. Os pneus são os Pirelli Tubeless Diablo Scooter.

Como é?

O Cityclass tem design agradável e as dimensões são mais imponentes que as de seu rival PCX. Semelhante aos scooters europeus, o assoalho é plano, o que se traduz em mais espaço para as pernas e, como a própria Dafra indica, é até uma oportunidade do público feminino usar saia, por exemplo. Fiz o teste com uma saia longa e me senti a própria Audrey Hepburn no filme “Roman Holiday”, só faltou o Gregory Peck na garupa...

Falando em mulheres, a Cityclass oferece itens de conveniência que deve conquistar o público feminino. Para quem não anda de mãos vazias há um gancho para sacolas ou bolsas na coluna abaixo do guidão que suporta até 2kg, além de um porta objetos que pode ser trancado, do compartimento sob o banco (a marca garante que acomoda um capacete de qualquer tamanho, mesmo os grandes) e ainda o bagageiro traseiro, para uma possível instalação de baú.

A montadora diz que não é preciso desligar o scooter para abrir o compartimento sob o assento, mas encontramos problemas para abri-lo na unidade algumas vezes. É muito importante que o sistema de abertura funcione corretamente pois ali está localizado o bocal do tanque, este, por sua vez, bem fácil de abrir e dispensa também o uso da chave.

O assento é em dois níveis e agora conta com tecido antiderrapante - um pedido dos consumidores que escorregavam no assento liso dos modelos anteriores. Outra sacada da Dafra com o CityClass fica dentro do porta objetos, uma entrada USB para carregar o celular, o GPS ou outro dispositivo. É possível plugar o cabo e, enquanto está realizando o trajeto, seu celular está sendo carregado.

O painel é bem completinho, combina elementos digitais e analógicos e traz itens como conta-giros, indicador de nível de combustível, relógio, hodômetros total e parcial, alerta de manutenção, entre outros. Além de bonito, a iluminação do painel é muito boa.

Acessórios

O Cityclass praticamente não conta com bolha protetora, por isso a Dafra projetou um para-brisa vendido como acessório pela própria rede de concessionários. Ele utiliza os parafusos que já existem na dianteira, o que significa que você não deverá comprar um novo suporte para instalá-lo e consequentemente gastar mais dinheiro. O preço sugerido é de R$ 269.

Não é barato, mas e daí?

Há no mercado scooters mais em conta. O Suzuki Burgman, por exemplo, custa R$ 6.990. No entanto, os modelos mais vendidos estão na casa dos R$ 9 mil, sinal que o brasileiro está mais exigente e prioriza um produto moderno, mais eficiente e que ofereça tecnologia e segurança. A Dafra espera vender 3.300 unidades neste ano e a produção está "a todo vapor" para atender a demanda do mercado nacional. Segundo a assessoria da marca, o primeiro lote do produto, que chegou em dezembro, já esgotou.

 

 
 
O Cityclass quer ganhar o mercado oferecendo pacote focado no visual, conforto e segurança O Cityclass quer ganhar o mercado oferecendo pacote focado no visual, conforto e segurança
Modelo de 200 cc traz rodas grandes, freios a disco combinados e entrada USB Modelo de 200 cc traz rodas grandes, freios a disco combinados e entrada USB
Destaque para as rodas grandes aro 16”, antes exclusividade do modelo de 300 cm³ da marca Destaque para as rodas grandes aro 16”, antes exclusividade do modelo de 300 cm³ da marca
Dafra lança no mercado brasileiro o scooter Cityclass 200i Dafra lança no mercado brasileiro o scooter Cityclass 200i
Outro destaque que eleva o patamar de segurança são os freios combinados Outro destaque que eleva o patamar de segurança são os freios combinados
A cityclass 200i custa R$ 9.390 A cityclass 200i custa R$ 9.390
Como nos scooters europeus, o assoalho é plano Como nos scooters europeus, o assoalho é plano
A marca espera vender 3.300 unidades do Cityclass em 2015 A marca espera vender 3.300 unidades do Cityclass em 2015
O painel combina elementos digitais e analógicos O painel combina elementos digitais e analógicos
Há porta objetos Há porta objetos
Gancho para sacolas que suporta até 2kg Gancho para sacolas que suporta até 2kg
Fácil abertura do tanque de combustível Fácil abertura do tanque de combustível
A marca garante que cabe qualquer capacete, até dos maiores A marca garante que cabe qualquer capacete, até dos maiores
Detalhes no visual que fazem a diferença Detalhes no visual que fazem a diferença
Apoio de pés do garupa embutidos Apoio de pés do garupa embutidos
Freios a disco na dianteira e traseira Freios a disco na dianteira e traseira
Há relampejador e manoplas semelhantes à de motos maiores Há relampejador e manoplas semelhantes à de motos maiores
 
 
Karina Simões

Karina Simões |