São Paulo. Avenida Faria Lima. Um Porsche Boxster S prata com interior na cor vinho alinha ao meu lado no semáforo. O dono não tira os olhos do vermelho vivo da carenagem da “minha” Ducati Hypermotard e, impressionado com o conjunto (ainda) incomum (mulher+motão), tenta uma aproximação. A conversinha dura até o semáforo abrir e ambos sumirem na selva de pedra. De playboys abonados à carroceiros, a bordo da esguia e poderosa supermoto italiana, me diverti com todo tipo de abordagem que recebi, mas sobretudo, com a estupidez e versatilidade deste brinquedo de gente grande. Ela tinha mesmo que ter “Hyper” no nome.

De toda a linha da marca italiana, a Hypermotard era o modelo que eu sempre tive vontade de acelerar. Sua primeira geração foi oferecida nas versões 796, 1100 e 1100 SP. Com uma resposta de acelerador excessivamente agressiva, entre eixos mais curto, posição de pilotagem de supermotard e escape duplo sob a rabeta, a moto era um "canhão". Sua reputação de cunho “extraterrestre” acabou restringindo o uso a pilotos muito experientes e fazendo com que os números de vendas não decolassem.

 
 
Esguia e poderosa a Ducati Hypermotard é mais que uma supermoto Esguia e poderosa a Ducati Hypermotard é mais que uma supermoto
A italiana que agora é montada no Brasil custa R$ 44.990 A italiana que agora é montada no Brasil custa R$ 44.990
Na Ducati Hypermotard o tanque é estreito, o banco é alto e o guidão é bem largo Na Ducati Hypermotard o tanque é estreito, o banco é alto e o guidão é bem largo
Na dianteira, os freios utilizam dois discos flutuantes de 320 mm e pinças Brembo com quatro pistões. Freia muito! Na dianteira, os freios utilizam dois discos flutuantes de 320 mm e pinças Brembo com quatro pistões. Freia muito!
O coração desta diaba é o Testastretta 11, de 821 cilindradas, que entrega 110 cv de potência, disponíveis a 9.250 rpm O coração desta diaba é o Testastretta 11, de 821 cilindradas, que entrega 110 cv de potência, disponíveis a 9.250 rpm
Detalhe: ela pesa apenas 175 kg Detalhe: ela pesa apenas 175 kg
Na Hypermotard, as setas dianteiras estão embutidas nos protetores de mão Na Hypermotard, as setas dianteiras estão embutidas nos protetores de mão
O tradicional chassi em treliça de aço pintado de vermelho contrasta com o motor pintado de preto O tradicional chassi em treliça de aço pintado de vermelho contrasta com o motor pintado de preto
O chassi e quadro de aço tubular proporcionam muita rigidez ao conjunto O chassi e quadro de aço tubular proporcionam muita rigidez ao conjunto
De série, a moto conta com o pacote de segurança, formado pelo DCT – sigla para Controle de Tração Ducati – e o sistema ABS produzido pela Bosch De série, a moto conta com o pacote de segurança, formado pelo DCT – sigla para Controle de Tração Ducati – e o sistema ABS produzido pela Bosch
Na traseira, a suspensão conta com uma bela balança monobraço e um amortecedor de longo curso que fica exposto, pintado de amarelo Na traseira, a suspensão conta com uma bela balança monobraço e um amortecedor de longo curso que fica exposto, pintado de amarelo
O tanque tem capacidade para 16 litros O tanque tem capacidade para 16 litros
Para deixar o modelo mais acessível a pilotos de todos os níveis, foi instalado um sistema para alterar o mapeamento do motor com três ajustes – Sport, Touring e Urban Para deixar o modelo mais acessível a pilotos de todos os níveis, foi instalado um sistema para alterar o mapeamento do motor com três ajustes – Sport, Touring e Urban
O acabamento italiano está em cada detalhe da moto O acabamento italiano está em cada detalhe da moto
O cuidado com o design desta supermoto vai até a rabeta com belas e esguias lanternas em LED O cuidado com o design desta supermoto vai até a rabeta com belas e esguias lanternas em LED
Monoamortecedor progressivo e ajustável com 175 mm de curso Monoamortecedor progressivo e ajustável com 175 mm de curso
O nome da marca está também nas borrachinhas das pedaleiras, que podem ser retiradas para mais grip ao piloto O nome da marca está também nas borrachinhas das pedaleiras, que podem ser retiradas para mais grip ao piloto
Botão de partida na manopla direita Botão de partida na manopla direita
Os modos de pilotagem podem ser alterados facilmente com a moto em movimento pela manopla esquerda Os modos de pilotagem podem ser alterados facilmente com a moto em movimento pela manopla esquerda
Nariz de design agressivo com farol embutido Nariz de design agressivo com farol embutido
Painel completo e totalmente digital , só faltou um marcador de combustível Painel completo e totalmente digital , só faltou um marcador de combustível
Das Ducatis, a Hypermotard é uma das mais versáteis e divertidas Das Ducatis, a Hypermotard é uma das mais versáteis e divertidas
A Hypermotard ainda é um brinquedo pouco dócil, mas é muito, muito divertida A Hypermotard ainda é um brinquedo pouco dócil, mas é muito, muito divertida
 
 

Super o quê?

Obviamente isso não era interessante para a montadora, então, em sua nova geração ela continua rápida e divertida, mas está bem mais fácil de se conviver. Antes de detalhar seu comportamento, vale um parênteses para explicar o que é a categoria Supermotard, ou supermoto. Imagine uma moto que encare trechos de terra e asfalto, seja ágil nas curvas e saltos. Pois bem, a supermotard reune tudo isso e é basicamente uma moto de enduro, cross ou trail otimizada para o uso no asfalto. Com rodas menores e pneus de uso misto, peso baixo, geometria de chassi que prioriza a agilidade e suspensões saradas para aguentar o tranco.

Mais mansa, mas nem tanto

O motor escolhido pela Ducati para equipar a Hypermotard é o Testastretta 11, de 821 cc com refrigeração líquida. Ele entrega 110 cv de potência, disponíveis a 9.250 rpm, e uma patada de 9,08 kgfm de torque aos 7.750 giros. Lembrando que a moto tem apenas 175 kg de peso seco – são 198 kg em ordem de marcha. O câmbio é de seis marchas.

Para deixa-la mais “sociável” há três modos de mapeamento do motor – Sport, Touring e Urban. No primeiro, os 110 cv de potência estão liberados e o pacote de segurança, que conta com ABS e controle de tração DTC, não é intrusivo. No segundo modo, os controles de segurança aparecem mais, enquanto no modo Urban são disponibilizados apenas 75 cv.

Os modos podem ser alterados facilmente com a moto em movimento, desde que o acelerador esteja fechado. A resposta do acelerador é excelente nos modos Urban e Touring, com entrega de potência suave e progressiva. Já no modo Sport o giro sobe muito rápido, assim como os números do velocímetro - ambos podem ser conferidos no discreto painel digital. A resposta passa a ser tão agressiva que a roda dianteira custa ficar no chão.

Mesmo com o guidão largo, não tive dificuldade em conviver entre os carros na cidade. E o posicionamento desta moto é, de longe, meu preferido. Ao contrário do modelo anterior, o piloto fica sentado mais atrás e as pedaleiras foram trazidas um pouco para frente. Esta posição menos agressiva é mais natural e confortável em longas viagens. O tanque é estreito e o banco é alto, mas nada que atrapalhe quem mede cerca de 1,70 m, como eu.

A boa posição de pilotagem aumenta a sensação de segurança nas curvas e mudanças bruscas de trajetória, mas o que chamou mesmo minha atenção foi a estabilidade da moto. No mais, as suspensões são robustas e fazem bem seu trabalho. Na dianteira há um garfo invertido de 43 mm com regulagem na pré-carga da mola e a traseira conta com uma linda balança monobraço em alumíno e monoamortecedor ajustável pintado de amarelo, super exposto. Para parar a Hypermotard sobra freio, ela utiliza disco duplo semiflutuante na dianteira com pinças Brembo e ABS ajustável.

Para fechar o conjunto com chave de ouro, os pneus Pirelli Diablo Rosso II– que querem agarrar o chão a todo custo – dão uma tranquilidade extra para quem gosta de abusar do acelerador.

Me empolguei tanto com o desempenho da moto, que deixei o visual em segundo plano. Também, pudera... Mas neste quesito ela não decepciona. O perfil elegante sugere leveza ao modelo, o que se confirma na prática. Piscas embutidos nos protetores de mão, lanternas traseiras refinadas e acabamento minucioso italiano nos detalhes, como observado nas manoplas, pedaleiras e tanque. Para arrematar, o tradicional chassi em treliça de aço pintado na cor vermelha contrastando com o motor em preto não deixa dúvidas sobre sua personalidade arisca.

Não sou super, sou hyper

Até quem não é familiarizado com o estilo motard corre o risco de se apaixonar por ela. Mesmo preservando suas características brutas e sendo uma moto "hyperdivertida", os controles eletrônicos - leia controle de tração, ABS e mapas do motor -  estão aí para tranquilizar os que se sentem mais à vontade com uma condução mais conservadora.

A boa notícia é que a Hypermotard, assim como sua irmã touring Hyperstrada, começou a ser montada em Manaus (AM) e o preço dela baixou cerca de R$ 7 mil. Por R$ 44.900 pode-se ter essa diabinha vermelha todos os dias para injetar mais emoção na sua vida. Uma dica: para os que não procuram muita adrenalina, talvez este não seja mesmo o modelo indicado, mas para quem gosta, é apenas questão de tempo até começar as fazer curvas de lado com o pé para fora no trajeto até o trabalho.

 

Ducati Hypermotard

Dados técnicos
Preço Chassi
R$ 44.900 Chassi de treliça de aço tubular
Motor Suspensão dianteira
Testastreta 11, 2 cilindros em L, 4 válvulas por cilindro, refrigerado a água, desmodrômico Garfo invertido de 43 mm
Cilindrada Pneu e roda dianteira
821.1 cc Pirelli Diablo Rosso II,120/70 ZR17, roda de liga leve 10 raios
Potência Máxima Pneu traseiro
110 cv a 9.250 rpm Pirelli Diablo Rosso II,180/55 ZR17M/C, roda de liga leve 10 raios
Torque Máximo Suspensão traseira
9,08 kgfm a 7.750 rpm Articulação progressiva com monoamortecedor ajustável. Balança monobraço.
Sistema de injeção Altura do banco
Injeção eletrônica Magnet Marelli 870 mm - 850 mm
Câmbio Capacidade do tanque
6 marchas 16L
Embreagem Freio dianteiro
Deslizante com discos múltiplos em banho de óleo 2 discos semiflutuantes de 320 mm com pincas Brembo, 4 pistões, ABS ajustável Bosch
Peso seco Freio traseiro
175 kg Disco de 245 mm, pinca de 2 pistões, ABS regulável

 

Karina Simões

Karina Simões |