A Ford tem, a GM também. A Fiat não tinha, mas agora oferece por meio da Jeep. Só faltava a Volkswagen ter um SUV na faixa dos R$ 80 mil a R$ 100 mil. Pois continuará faltando: a marca alemã decidiu apostar numa outra direção com o lançamento da Golf Variant, versão perua do famoso carro.

Produzida no México com base no novo Golf de 7ª geração, a perua Golf chega às lojas nesta semana com preços a partir de R$ 88 mil e uma aposta na direção mais esportiva e nos espaço interno generoso, sobretudo no porta-malas, com 605 litros.

Mas, afinal, vale a pena investir num segmento esvaziado? As peruas viraram raridade depois que minivans e, mais tarde, SUVs assumiram a função de carro da família. Apenas na Europa elas existem em bom número, mas lá até elas mudaram um pouco a receita – são chamadas de ‘sportwagon’, ou peruas esportivas.

É nesse perfil que a Golf Variant se assume. Sucessora da apagada e cara Jetta Variant, a nova perua tem um desenho elegante e refinado. Nada de apêndices off-road ou suspensão elevada. É um carro que dá prazer ao dirigir, como o AUTOO comprovou numa pista no interior de São Paulo. 

Mesmo com o motor 1.4 TSi, turbo de 140 cv, ela gruda no chão nas curvas e acelera com boa desenvoltura – parte disso é ‘culpa’ do sempre eficiente câmbio de dupla embreagem e 7 marchas. O resultado é uma velocidade máxima de 205 km/h e uma aceleração de 0 a 100 km/h feita em apenas 9,5 segundos. 

Espaço para a família

Apesar dos 30 cm a mais de comprimento, a Golf Variant tem o mesmo espaço interno do Golf hatch – apenas a traseira foi alongada para acomodar mais bagagens. Isso significa contar com um entreeixos de 2,63 m, razoável, mas que acomoda bem uma família.

Portanto, a Golf Variant é sim uma aposta bacana para quem não liga para os desajeitados SUVs. A exceção, no entanto, não é técnica e sim comercial. Ao contrário da maior parte das marcas, a Volkswagen insiste em oferecer seus carros em pacotes e opcionais confusos e que elevam muito o preço final.

A Golf Variant, por exemplo, que vem do México, onde não se cobram impostos de importação, custa R$ 87.490 na versão Comfortline. Com esse preço, você leva sete airbags, ar digital, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, sistema Start-Stop e uma central multimídia básica, além de rodas aro 16 que não combinam o visual bacana do veículo.

A conta começa a ficar salgada se você quiser paddle-shifts, piloto automático e rodas 17 polegadas (mais R$ 4.500) ou uma central com navegador e comando de voz (mais R$ 4.390). Se optar por pintura metálica são R$ 1.200 ou perolizada, R$ 1.700. O belo teto solar panorâmico acrescenta R$ 5.300. Resultado: uma perua que sai por R$ 103.380 na versão intermediária.

A discrepância fica ainda mais evidente na versão ‘top’ Highline. Ela parte de R$ 94.990 e acrescenta de série os bancos de couro, ar-condicionado de duas zonas, piloto automático, paddle-shifts e sensores de chuva e luminosidade.

Mas, novamente, se quiser uma roda de 17 polegadas, o seletor de perfil de condução, a central com navegador e keylesse, que permite abrir a porta sem uso da chave, o cliente terá de fazer um cheque extra de R$ 5.820.

Faróis bixenônio e os sistema de segurança ativa FLA (que abaixa os faróis automaticamente) e o ACC (que freia o veículo conforme a velocidade do carro à frente) custam quase R$ 10 mil a mais. Colocar bancos com ajuste elétrico, detector de fadiga (que percebe a sonolência do condutor), central com comando de voz e recursos mais avançados), entre outros, eleva o preço total em mais R$ 11 mil. E ainda temos a conta do teto solar, da pintura especial...

Com a todas as maravilhas tecnológicas que a Volkswagen sempre enumera em suas apresentações, a perua Golf sai da loja por quase R$ 130 mil ou cerca de 50% mais cara.

A questão é que o mercado não ‘enxerga’ esses acréscimos na hora da revenda. Um Golf Variant Comfortline na tabela será baseado nos R$ 88 mil e não nos R$ 103 mil com os opcionais. O ideal seria que a Volks vendesse o modelo (e outros carros) com pacote fechado, mas a montadora não parece concordar com isso.

A estratégia também atrapalha a vida do consumidor. Questionados sobre a logística para trazer uma versão com tantos opcionais, os executivos da Volks disseram que isso torna a entrega do carro demorada já que será preciso fazer o pedido no México e aguardar sua entrada em linha de produção e posterior envio por navio.

Expectativa comedida

Apesar de não ter concorrentes diretos, a Golf Variant terá que lutar contra uma tendência de mercado, mas pode se dar bem com pessoas que não gostam de SUVs e querem um carro versátil e de direção prazerosa. Mesmo assim, a Volkswagen não estima um grande número de emplacamentos. A marca se limita a dizer que o primeiro lote terá 2.500 carros e deve ser o único até o final do ano. Parece pouco, mas é muito para um segmento que está às moscas há algum tempo.

 
 
Volkswagen Golf Variant Volkswagen Golf Variant
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Golf Variant chega para aproveitar segmento vazio Golf Variant chega para aproveitar segmento vazio
Visual esportivo e porta-malas generoso são os diferenciais Visual esportivo e porta-malas generoso são os diferenciais
Volkswagen Golf Variant 2016 Volkswagen Golf Variant 2016
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Volkswagen Golf Variant 2016 Volkswagen Golf Variant 2016
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Ricardo Meier

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