A situação não é das mais agradáveis e pode ficar pior. Se você mora em grandes centros urbanos, sabe o quão trágicas podem ser as enchentes. Quando as vítimas não são moradores que residem próximos a rios ou córregos, os maiores afetados são os motoristas – ou, mais especificamente, seus carros. Muitas vezes conseguimos fugir de um alagamento, evitando áreas que sabemos que são críticas. Mas o que fazer quando você é surpreendido por um rio bem no meio da via? Ou se deixou seu carro estacionando e quando voltou ele simplesmente boiava? Reunimos aqui algumas táticas para atravessar uma enchente, e também algumas dicas de como recuperar seu carro, no caso do pior ter acontecido. 

Dá pé

A enchente ainda está no começo, e há como se livrar dela. Situações de acuamento exigem calma, só assim você conseguirá pensar numa saída próxima:

- Procure lugares mais altos, como postos de gasolina ou até mesmo ladeiras e calçadas. Com um pouco de paciência, o nível de água baixa e você segue seu caminho.

- Nenhum lugar realmente seguro? Cace espaços em que as lâminas d’água estejam mais baixas e mantenha uma distância de aproximadamente cinco metros dos carros da frente e dos lados, evitando assim que as ondas provocadas pelos outros veículos atinjam o seu.

- Tenha certeza de que o nível da água não ultrapassou a metade da roda do seu carro e, se tiver que fazer curvas, esterce o volante o menos possível.

- Mantenha uma velocidade baixa e constante e o motor em primeira marcha, em cerca de 2.500 rpm. A velocidade baixa vai ajudar a não formar mais ondas, enquanto a rotação mais alta vai soprar ar do escape, impedindo que a água entre por ali.

- Frear o carro no meio de uma enchente pode não ser uma boa idéia: o próprio movimento da água fará com que ela volte contra o veículo e entre pelo escapamento.

Tsunami

O problema é que você pensou que era só uma enchente, e na verdade se trata de um novo dilúvio. Sem ter para onde correr, você está cercado de água e seu carro morreu:

- Jamais tente dar a partida. Muitos motoristas cometem esse erro e depois descobrem o que vem a ser calço hidráulico: a água, ou qualquer outro líquido, invade os cilindros, que perdem o poder de compressão. Sem condições de realizar seu curso total, os pistões vão fazer mais força, jogando biela e virabrequim contra o bloco, que sofrerá uma rachadura. Chame o guincho e vá direto para a retífica – isto é, se o estrago for pequeno e você não tiver que trocar de motor.

- Dentro do carro, com ele desligado, esperando a poeira (no caso, água) baixar, você percebe que a situação vai piorando, a água vai subindo. Aí, não tem muito conselho. Você deverá analisar o que é melhor: tentar se agarrar em algo fixo ou ser levado com o carro. Teoricamente, as chances de você se sair melhor dentro do veículo são maiores. A correnteza terá muito mais dificuldade de arrastar um carro do que uma pessoa. Sem contar que você pode cair num bueiro ou até mesmo ser atingido por algum objeto submerso.

- Um mito que deve ser derrubado nessa hora é que portas fechadas impedem a saída de alguém do carro. As vedações da carroceria não são 100% resistentes, e mais cedo ou mais tarde a água vai invadir o habitáculo. Enquanto o nível de água lá fora for maior do que o de dentro, a porta não se abrirá. Por enquanto, tudo bem, já que a possibilidade de afogamento ainda está distante. No momento em que a água vazar para dentro do automóvel (aí sim o desespero começa a bater), os níveis de água interior e exterior se igualam e a porta pode ser aberta.

Submarino

Depois de passado o pânico, é hora de contabilizar o prejuízo. Se o estrago foi pequeno, uma boa opção pode ser a higienização. O processo é simples: retira-se os bancos e o carpete do carro para chegar ao feltro e à lataria, que são os pontos críticos – eles nunca secarão, a menos que sejam realmente expostos (o feltro deve ser substituído por outro). Com o carro na “lata”, são aplicados detergentes específicos para limpar e tirar o odor. Depois de um ou dois dias, o interior é novamente montado. O preço, em média, é de R$ 300.

Mas, claro, quanto maior o nível de submersão do carro, maior o valor do conserto. Se a água atingir os assentos dos bancos, esse valor citado acima pode ser multiplicado por dez. E dá pra ficar pior: quando o veículo tem seu painel atingido, não há limites para o gasto, já que tudo depende se o carro é importado ou quantos airbags tem, por exemplo.

 

Rodrigo Mora

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