“Carro para indiano”, “não é um Toyota”, “painel de balança Filizola”, “mal acabado” e por aí vai. Foram reações como essas que o Etios despertou quando chegou ao Brasil no final de 2012. O compacto da Toyota surgiu primeiro na Ásia como um veículo para países em desenvolvimento e gerou muita desconfiança, afinal não trazia um estilo à altura do que a marca, famosa pela qualidade e confiabilidade mas também por ter veículos atraentes, possuía na época.

Ainda assim, mesmo com um certo atraso do projeto da fábrica de Sorocaba, o Etios foi lançado no Brasil, mas numa época não propriamente correta. Junto com ele também estreou o HB20, da Hyundai, e com uma estratégia completamente diferente da Toyota. Em vez de ‘global’, o compacto sul-coreano foi desenhado para o Brasil e sobrava em visual atraente e acabamento esmerado.

O resultado não poderia ser diferente: enquanto o HB20 logo foi para o topo do ranking o Etios sofreu para emplacar 2 mil carros por mês.

Mea culpa

A recepção da crítica, incluído este jornalista na época, foi ruim. Mesmo com algumas melhorias no modelo nacional, o Etios deixou a desejar no acabamento, nos itens de série e nas soluções ultrapassadas como o painel de instrumentos central e com mostradores difíceis de serem lidos.

Mas a base mecânica foi elogiada. Os dois motores, 1.3 litro e 1.5 litro, eram econômicos, a direção, elétrica e a suspensão, bem acertada. Ou seja, existia potencial no Etios.

Logo, a Toyota percebeu que só o nome da marca não seria suficiente para que o Etios, e sua versão sedã de design menos agradável ainda, vendessem o mínimo necessário. Mudanças foram incorporadas a cada linha lançada e na versão 2017 um longo ‘mea culpa’ do presidente da empresa na América do Sul, Steve D´Angelo, que reconheceu os erros e deficiências do carro.

Pois não é que, quase quatro anos após chegar às lojas, o Etios bateu seu recorde de vendas? Foram 4.336 unidades emplacadas em julho, que ajudaram a Toyota a chegar a um feito inédito, ser a 4ª marca mais vendida do Brasil.

 
 
Toyota Etios 2015
 
Toyota Etios 2015
Toyota Etios 2015
Toyota Etios 2016
 
Toyota Etios 2016
Toyota Etios 2016
Toyota Etios Sedan 2017
 
Toyota Etios Sedan 2017
Toyota Etios Sedan 2017
Toyota Etios 2017
 
Toyota Etios 2017
Toyota Etios 2017
O Etios e sua versão sedã no lançamento em 2012: recepção fria no Brasil
 
O Etios e sua versão sedã no lançamento em 2012: recepção fria no Brasil
O Etios e sua versão sedã no lançamento em 2012: recepção fria no Brasil
 
 

Versão automática

A posição era de certa forma esperada afinal estamos falando da marca mais vendida no mundo por vários anos, mas vale lembrar que hoje o portfólio dela é enxuto. Além do Etios, temos como destaques a picape Hilux e o SUV SW4, que lideram seus segmentos, e o “intocável” Corolla, sedã que não sentiu os efeitos da crise e continua emplacando muito.

O Etios é a prova que, sim, o consumidor sabe valorizar um produto que evolui. É verdade que ele continua com a mesma cara sem graça de quando chegou (nem a nova versão Platinum melhorou isso), mas tem falado mais alto a boa experiência de seus proprietários para que o modelo siga um caminho inverso ao comum, que é vender menos no final da vida útil.

Ajudam também a recém incorporada versão com câmbio automático e também o atual estágio do mercado brasileiro que, enfraquecido, tem dado preferência a produtos confiáveis.

Sim, o Etios ainda vende bem menos que o rival HB20, mas deve se colocar na conta o fator design, levado muito em conta pelo brasileiro. Não há dúvida que a próxima geração do compacto corrigirá essa deficiência e pode, sim, tornar esse 4º lugar da Toyota não um fato isolado, mas uma ocorrência comum e com todos os méritos.

Vendas do Etios hatch desde o lançamento

Fonte: Fenabrave
Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/