Desde 2006, ano do seu lançamento, o Civic vive uma lua de mel com os consumidores brasileiros. Talvez o carro mais desejado do país nesse período, o sedã, com seu estilo arrojado e interior com jeito de avião, arrebatou corações de clientes que nem gostavam de modelos com três volumes.

Mas o período de bonança parece estar no fim. E a causa, por incrível que pareça, pode ter vindo de dentro da própria Honda. Bastou que ela lançasse o City, um sedã compacto com virtudes e preços de médio, para que as vendas do Civic caíssem.

O chamado “fogo amigo” fez os emplacamentos do Civic caírem em média mil unidades no 2º semestre. Confira na nossa galeria o gráfico que mostra as vendas dos três modelos – assim que o City entrou no mercado, o Civic caiu. O mês de setembro, por exemplo, terminará com o aumento de emplacamentos para os dois, mas o City já beira o mesmo volume do seu irmão maior.

Corolla reage

Mais convencional e dócil, o City deveria ter roubado clientes justamente do arqui-rival do Civic, o Corolla. Mas o que se vê é justamente o contrário – o sedã da Toyota, desde a chegada do City, vende mais que o Civic e deve terminar o ano, se não à frente, colado no Honda.

Mesmo demorando a reagir, a Toyota lançou nas últimas semanas o Corolla GLi, uma versão intermediária com bom conteúdo e preço semelhante ao do Civic. A estratégia parece ter funcionado a ponto de o Toyota terminar setembro com mais de mil carros acima do sedã rival.

 O que se comenta é que a Honda só pensa agora em viabilizar o City no mercado e por isso pode sacrificar as vendas do Civic. É fato que depois de ver tanto este último quanto o monovolume Fit provocarem ágio ao serem lançados, foi uma decepção ter de oferecer desconto para o City logo nas primeiras semanas nas concessionárias. Alguém está sobrando na montadora de Sumaré.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

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