Um confuso comunicado da Ford de sentido dúbio revela como o mercado norte-americano anda em turbulência. Tentando atrair holofotes para o sedã Fusion, a montadora divulgou nota em que celebra o fato de o modelo “ser o carro doméstico número 1” do país.

A marca, no entanto, ignora – ou esquece propositadamente – que o Fusion é feito no México, de onde é exportado para lá e para o Brasil também. A ironia é que os carros “importados” na visão dela são, na verdade, fabricados nos Estados Unidos: Camry e Accord, para citar apenas os rivais diretos, são produzidos com mão de obra local, ao contrário do Fusion.

O apelo nacionalista, claro, enfoca no aspecto intelectual, que considera o Fusion uma criação norte-americana mas, para um país hoje sensível com o desemprego, fica difícil explicar porque as marcas japonesas produzem nos EUA e a Ford prefere criar empregos no país vizinho, cujo custo é inferior ao seu. E o pior: embora o Fusion tenha, realmente, subido em vendas – foram 15,3% no mês passado -, ele ainda está muito atrás do Camry e do Accord. No acumulado de 2009, por exemplo, o Toyota vendeu 294,5 mil, o Honda, 244,5 mil e o Ford, apenas 148 mil.E os japoneses tiveram quedas expressivas em relação a 2008.

A verdade é que o Fusion, um bom carro, sem dúvida, e é o 10º modelo mais vendido nos EUA, mas ainda tem de gastar muito pneu para alcançar os seis automóveis japoneses que estão muito à sua frente.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

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