Não é preciso dizer como foi duro para a General Motors se desfazer de partes da empresa quando o governo do presidente Barack Obama decidiu ajudá-la a sair da iminente falência.

No entanto, perder Saturn e Pontiac não incomodava tanto a direção da GM quanto abrir mão da Opel. A operação europeia sempre foi decisiva não só pela importância do mercado em que atua, mas também pela contribuição tecnológica desenvolvida no velho continente. Basta lembrar que até pouco tempo atrás a maior parte dos modelos vendidos no Brasil derivava de produtos da Opel.

Quando a venda montadora alemã – e seu braço inglês, a Vauxhall – parecia inevitável o pior dos mundos surgiu: uma possível compra pela Fiat. Se isso ocorresse seria uma perda dupla porque reforçaria sua rival no mundo e significaria uma perda de influência sem tamanho.

Por isso o grupo canadense Magna e seu parceiro russo, o banco Sberbank, apareceram como um paliativo até que a situação se arrumasse. Eles levariam a Opel, mas a GM manteria uma certa participação, além de compartilhar tecnologias.

O tempo passou, a situação hoje é menos assustadora – mas ainda grave –, a GM encheu o peito e decidiu ficar com a Opel alegando que ela “é decisiva para a estratégia global da empresa”. Os tempos de humildade já se foram e a GM não quer virar figurante nessa história.

O presidente da montadora, Fritz Henderson, prometeu apresentar um plano de reestruturação para o governo alemão o mais rápido possível e conta com ajuda dos credores, concessionários e funcionários para reerguer a marca. Só não se sabe se a receptividade deles será a mesma vista nos Estados Unidos.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

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