A compra do primeiro carro é, sem dúvida, um momento importante na vida de qualquer um. Trata-se, para a maioria dos brasileiros, de modelos compactos. Mas nada como se livrar do ônibus e das caronas; ganhar a liberdade de ir e vir com seu próprio automóvel; sem contar a relação afetiva que invariavelmente se constrói. No entanto, as limitações de um compacto logo vêm à tona, impulsionando seu dono a querer um carro maior, mais potente e, principalmente, mais equipado.

O movimento natural, portanto, é partir para um médio. É a categoria onde Toyota Corolla e Honda Civic se alternam na liderança há anos. Onde o Hyundai i30 se consagrou um fenômeno de vendas, mesmo sem ter motor flex e vendido apenas nas cores prata e preto, e onde o veterano Chevrolet Astra ainda consegue beliscar as primeiras posições do ranking. E embora o salto de um compacto para um médio, financeiramente falando, seja grande, é possível comprar um exemplar do segmento gastando bem menos do que se imagina. AUTOO aponta seis modelos (hatches, sedãs, peruas e até mesmo minivans) possíveis de se estacionar na garagem por até R$ 50.000.

Fotos: Divulgação *Consumo médio com gasolina

Chery Cielo

Ao lado da JAC, a Chery é a melhor (ou menos ruim) marca chinesa à venda no Brasil. Tanto que a chegada do modelo, em maio do ano passado, efervesceu a discussão surgida há algum tempo: os carros chineses, enfim, valem a pena ou não? No caso do Cielo, vendido por R$ 43.990 (tanto na carroceria hatch quanto na versão sedã com motor 1.6, de 119 cv), depende de suas prioridades. Trata-se, sem dúvida, de um automóvel bonito, além de bem equipado: direção hidráulica, ar condicionado, CD player com MP3 e entrada USB, rodas aro 16, sensor de estacionamento, ABS e airbag duplo são itens de série. Já o acabamento interno...Na unidade avaliada por AUTOO, os vidros pareciam soltos e muitas peças pareciam mal encaixadas, causando ruído interno. Sem falar no próprio aspecto da cabine, simplório demais para um médio. Quem compra carro levando em consideração apenas beleza e equipamentos, pode ficar satisfeito com o Cielo. Caso contrário, terá que a todo instante lembrar do seu preço (R$ 43.990, R$ 43.990, R$ 43.990) para justificar a escolha.

Fotos: Divulgação *Consumo urbano com etanol

Chevrolet Astra

Talvez o carro mais coerente da Chevrolet atualmente. Enquanto o Vectra é uma senhora de 60 anos que acha que tem 30, o Astra assume com mais dignidade sua idade avançada. Embora desatualizado em relação à maioria dos concorrentes, o hatch ainda carrega trunfos como bom desempenho, espaço interno, acabamento de primeira (os bancos são referência em conforto) e boa lista de equipamentos. Afinal, qual carro da categoria vem com ar-condicionado digital e motor 2.0 por R$ 48.022?

Fotos: Divulgação

Citroën Xsara Picasso

Ela parou de ser produzida na Europa, foi engolida pelas interessantes C4 Picasso e Grand C4 Picasso e ainda viu as concorrentes Chevrolet Zafira e Nissan Grand Livina venderem mais no ano passado, quanto comercializou apenas 7.058 unidades. Por outro lado, é minivan mais barata da categoria, oferecendo por R$ 49.990 até mesmo airbags laterais. É um preço bem interessante para um modelo que outrora conquistou muitas famílias pela modularidade interna, a posição alta de dirigir e a grande área envidraçada. A versão GLX traz sob o capô o honesto motor 1.6 (110/113 cv).

Fotos: Divulgação *Consumo urbano com etanol

Fiat Stilo

O Stilo resistiu bravamente por alguns anos, mas ultimamente perdeu fôlego diante dos concorrentes. É um tanto difícil encontrar a versão Attractive, que sai por R$ 48.490, mas quem conseguir vai ter um carro com motor 1.8, direção elétrica e bastante conforto. Mas que fique claro: o Bravo aposentou o Stilo, que inclusive não é mais fabricado. Portanto, se for o seu caso fique ciente que trata-se de um modelo fora de linha.

Fotos: Divulgação

Nissan Tiida Sedan

Se já era uma opção interessante na versão hatch, na carroceria sedã o Tiida fica mais tentador ainda. Ok, seu visual não é lá dos mais atraentes, mas são R$ 44.500 num sedã médio. E não é qualquer sedã médio, mas um carro equipado com motor 1.8 (126 cv), câmbio manual de seis marchas, direção elétrica, ar-condicionado, CD player com MP3 e entrada para iPod, computador de bordo e chave keyless – e ainda por cima bom de guiar. Depois de conhecê-lo e saber seu preço, você até passa a achá-lo bonito.

Fotos: Divulgação *Consumo urbano com etanol

Renault Mégane Grand Tour

De longe, o carro mais legal da lista. Mas que, prejudicado pela estratégia equivocada da Renault com o Mégane, acabou ficando apagado. O preço de R$ 48.490 é inversamente proporcional à lista de equipamentos, que traz direção elétrica, ar-condicionado digital, sensores de chuva e crepuscular, rodas aro 16, sistema de som, ABS com EBD e airbag duplo frontal com sistema auto-adaptativo. É o típico caso que nos perguntamos: “como pode este carro vender tão mal?”. No ano passado, foram pífias 2.864 unidades. Assim como a chegada do Fluence deu fim ao Mégane, no fim do ano quem se aposenta é a perua. Pena.

Rodrigo Mora

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