De realidade acessível no exterior a objetos raros nos Brasil, os carros híbridos ainda não são unanimidade no conceito dos ecologistas por causa de suas baterias, mas cada vez mais vem sendo apresentados como uma solução para se reduzir as emissões de gases poluentes. E de fato funciona. À convite da Honda, o AUTOO acelerou dois expoentes desse segmento: o Insight, principal rival do famoso Toyota Prius, e o CR-Z, primeiro modelo de caráter e com capacidades esportivas do ramo que se vale da propulsão por meio de um motor a combustão interna assistido por outro elétrico.

Teoricamente, esses carros têm funcionamento complexo. Mas na prática não se nota muita diferença no estilo de condução. Tanto o Insight como o CR-Z possuem um motor elétrico de corrente alternada instalado entre o propulsor a gasolina e o câmbio. Os dois carros também contam com uma grande bateria de níquel-metal-hidreto (e não a de íon-lítio, mais capaz e usada nos projetos mais novos) posicionada na parte inferior traseira do carro. Sua recarga é realizada pela força do motor a explosão e o reaproveitamento da energia cinética das frenagens e desacelerações das rodas. Não é tão difícil assim. E o melhor: todo processo de recarregamento é realizado automaticamente pelo próprio carro sem a necessidade de conexão com rede elétrica convencional. Quer mais? Os veículos também têm sistema stop/start, que desliga o motor quando o carro se encontra parado e o religa em seguida, quando o acelerador volta a ser acionado.

“Insight e CR-Z são híbridos com sistema paralelo. Neles, o motor a combustão é o principal. O auxiliar elétrico entra em ação em momentos de aceleração e retomada. Ele também pode atuar de forma independente em velocidades constantes abaixo de 30 km/h”, explica Alberto Guedes, engenheiro da Honda. As outras formas são o híbrido plug-in e o combinado. A característica do primeiro é a capacidade de poder ser ligado a rede elétrica doméstica para recarregar as baterias, enquanto o segundo é impulsionado apenas por fonte elétrica. Nesse caso, o motor a combustão serve apenas para a recarga de energia. Um desses carros é o Chevrolet Volt.

Impressões do CR-Z

Uma das premissas do projeto do CR-Z era que ele fosse um híbrido "divertido" de dirigir, além de levantar a bandeira da ecologia. E a Honda equilibrou bem as duas doses. O resultado é um cupê esportivo com design interessante e espaço para dois ocupantes. Sua combinação mecânica é composta pelo bloco 1.5 de 112 cv associado ao motor elétrico com mais 14 cv. “O comportamento dele é como o de um hatch com motor 1.8”, compara Guedes. Surpresa ainda para o câmbio manual de 6 marchas, com engates precisos ao estilo do Civic Si nacional.

Fora o conjunto mecânico formidável, o cupê é leve (1.198 kg) e tem desenho altamente aerodinâmico. O volante, com assistência elétrica, é leve, mas não deixa de ser direto. Andando mais rápido, o CR-Z também apresenta uma estabilidade muito confiável, que permite encarar curvas em alta velocidade com mais segurança e controle pleno. E esse híbrido da Honda também se torna comportado quando requisitado. A função "Econ" do sistema Drive System, altera completamente o funcionamento do carro para gastar menos. Reduz-se os giros do motor e o propulsor elétrico passa a atuar em qualquer toque do pé do motorista no acelerador. Com esse sistema operante, segundo a Honda, é possível registrar um consumo médio de 23 km/l.

O CR-Z anda bem e gasta pouco, só faltava ser bonito. E nessa parte a Honda também acertou a mão. O carro é repleto de linhas fortes e elementos marcantes, como a traseira inclinada e os faróis com um filete de leds. Suas pequenas dimensões também são outro atrativo. De acordo com a marca, o carro mede 4,08 metros de comprimento e 1,74 m de largura. É praticamente do mesmo tamanho de um Mini Cooper. Por dentro, o cupê híbrido mostra um acabamento impecável e o painel com desenho moderno, muito diferente dos que estamos acostumados a ver nos veículos nacionais.

Impressões do Insight

A idéia do Insight é ser um híbrido tão comum quanto um carro familiar convencional. Está tudo lá: bom espaço interno e porta-malas com 408 litros de volume. Porém, como todo automóvel "normal", o monovolume deixa a desejar no desempenho. Seu motor a combustão tem 1.3 litro de deslocamento e gera 88 cv. O "ajudante elétrico" é igual ao do CR-Z e também gera mais 14 cv. Ao todo, obtém-se 102 cv, controlados pelo câmbio CVT com 7 marchas pré-definidas. É pouco para qualquer automóvel com 1.200 kg. Mas a contrapartida faz os olhos brilharem. Conforme divulga a Honda, o modelo tem consumo médio entre 26 km/l e 30 km/l!

O Insight é um carro feito para andar na cidade. Para isso ele conta com uma suspensão que absorve com precisão as menores imperfeições do piso. Mas na hora de uma curva mais ousada ou uma frenagem mais brusca, o carro tende a inclinar demais, diferente do CR-Z, que se mantém colado no chão. Mas esse não é o propósito do principal híbrido da Honda, que já está em sua segunda geração.

A porção interna do carro, assim como a do cupê, foge do comum. Não chega a ser arrojada como a do CR-Z. O volante e bancos do motorista e passageiro são exatamente iguais aos do nosso Civic. Já a alavanca da transmissão é como a de um carro automático convencional. Porém, definitivamente o Insight não empolga. Mas essa também não sua função.

Quando chegam?

Carros híbridos brotam nas ruas do Japão graças ao incentivo que o país dá ao consumidor que adquire um veículo de baixa emissão. A mesma política é adota na Europa e também começa a surgir nos Estados Unidos. No Brasil já é outra hístória. Por aqui os primeiros modelos do segmento iniciaram seu desembarque com propósito comercial somente neste ano. O Mercedes-Benz S400 Hydrid é o pioneiro. No Salão do Automóvel de São Paulo, Ford e Porsche, lançaram suas versões alternativas do Fusion e Cayenne, respectivamente. Mas, por enquanto, os preços desses carros são impraticáveis.

A própria Honda admite que as possibilidade de vender o CR-Z e o Insight no Brasil são remotas. Mas com o surgimento do segmento no País, a marca também planeja sua investida na área. A data para tais carros chegarem ao país pode ser 2012. Os que têm mais chance são as versões alternativas do Civic e do Fit, mas a marca ainda não confirma. Enquanto isso, os híbridos vão se espelhando pelo mundo dando outro caráter aos carros e desenvolvendo uma nova consciência para os motoristas.

 

Thiago Vinholes

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