Conhecido por saber de cor as vendas de quase todos os modelos de carros do país, o executivo Sérgio Habib apresentou hoje os planos para a introdução de mais uma marca chinesa no Brasil, a JAC, sigla de Jianghuai Automobile Co., uma das quatro montadoras cujo capital é 100% local.

Ex-presidente da Citroën no Brasil e atualmente o maior revendedor da marca francesa e da Ford em nosso mercado, Habib explicou porque optou pela JAC: “a Geely tem carros ruins, a BYD faz uma cópia do Corolla antigo e a Chery já tem representante no Brasil. A JAC é a marca em que vimos maior preocupação com qualidade e a mais avançada em modelos com projeto próprio”, disse.

Para tentar convencer os jornalistas de que não se trata de mais uma montadora de produtos pobres e inseguros, a JAC insistiu em mostrar certificados e atestados da qualidade de seus veículos, sobretudo os caminhões, segmento onde está mais desenvolvida.

Mas a linha de veículos também mereceu destaque por parte deles: “temos um centro de design na Itália que conta com consultoria da Pininfarina (estúdio famoso por ter criado vários modelos famosos como algumas Ferraris) e outro no Japão que desenvolve o interior de nossos carros”, contou David Zhang, vice-presidente da JAC.

Chineses premium

Por essa razão, Habib optou por importar a partir de outubro três modelos, dois deles médios e um compacto que terá versões hatch e sedã. Este último é chamado de Tojoy na China, mas aqui ganhou a sigla J3. O executivo apressou-se em explicar que o design do compacto não foi feito na Itália, já esperando críticas quanto ao visual sem inspiração do carrinho, equipado com motor 1.3 de 94 cv.

O sedã médio foi batizado de J5 (Classe B na China) e a minivan, de J6 (B Cross) e ambos são equipados com um motor 1.8 de 143 cv, transmissão manual e suspensão independente. O visual é, realmente, original, mas a influência de outras marcas é clara, sobretudo dos alemães.

Para Habib, não vale a pena importar carros baratos da China devido ao frete caro: “São cerca de R$ 6 mil apenas para trazer o carro de lá e esse valor num veículo pequeno inviabiliza sua venda”, explicou. Por isso, a JAC no Brasil se concentrará em veículos maiores e mais equipados, uma espécie de premium chinês. Ele reconheceu que o padrão de construção ainda está aquém dos japoneses, por exemplo, mas garantiu que a JAC é a melhor chinesa nesse aspecto.

Por isso os preços também não serão o maior atrativo: “nossos caros serão mais vantajosos, mas não como os atuais chineses”, disse. Apesar disso, a meta é ousada, como já se acostumou a ver o mercado quando o executivo está por trás do negócio. Ele quer ter 50 concessionárias no lançamento localizadas nas 31 maiores cidades brasileiras. E quer vender 3 mil unidades por mês, número que nem a Kia atinge hoje, apesar dos bons produtos e do tempo no Brasil.

A JAC estará presente no Salão do Automóvel de 2010, em São Paulo, garantiu Habib. Os primeiros exemplares chegarão em março para testes de homologação e a intenção é promover test-drives com a imprensa como preparação para a chegada da marca. Por fim, o presidente da SHC e da JAC Motors profetizou: “não julguem os chineses pelos carros atuais e sim pelos que chegarão nos próximos anos, muito mais modernos e atraentes”.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/