Lembro da primeira vez que dirigi um Jaguar. Não foi uma boa experiência. Havia algo de familiar nos botões e controles do carro e um estilo um tanto tradicional, ao contrário do que faziam na época marcas como BMW e Audi. Parece uma constatação ruim, mas é, na verdade, um alívio. O carro em questão nem mereceria pertencer à estirpe da marca britânica, famosa por modelos como E-Type, certamente um dos 10 carros mais icônicos da história.

Para quem já notou, estou falando do X-Type, um sedã que competiu na porta de entrada dos carros de luxo na década passada.

No papel, a ideia parecia boa. Por que não pegar a plataforma de um Mondeo e dar um banho de loja a ponto de batizá-lo de Jaguar? Foi mais ou menos essa a ideia da Ford, então dona da marca.

Teve gente que gostou, mas muito mais gente não. Tanto que o carro não vendeu o que a Ford imaginava, embora tenha naturalmente se transformado no Jaguar mais vendido da época.

Ao contrário da Ford, os indianos da Tata, quando assumiram Jaguar (e também Land Rover) souberam entender que os ingleses precisavam sim de apoio mas financeiro, para dar vida a uma linhagem de modelos autêntica e não tentar enfiar goela abaixo um produto estrangeiro.

Daí saíram modelos bem sucedidos como o Land Rover Evoque e o Jaguar XF, para citar dois exemplos. O passo seguinte para a Jaguar foi voltar a pensar num modelo de entrada, capaz de disputar mercado com veículos consagrados como o Classe C, da Mercedes, Série 3, da BMW, e A4, da Audi.

Briga no andar de cima

Esse carro é o XE, um sedã de linhas agressivas, entreeixos longos e imensas rodas aro 18. Com ele, a Jaguar quer ampliar como nunca seu público mundo afora e um dos mercados na mira da montadora é o Brasil, onde ele desembarcou há poucas semanas.

AUTOO pode dirigir o XE com os dois motores disponíveis, o 2.0 turbo, com 240 cv, e o3.0 V6 Supercharged, com 100 cv a mais, mas nesse caso numa pista certificada pela FIA, a federação internacional de automobilismo.

A primeira constatação ao ver o XE de perto é que ele não tem nada a ver com o velho X-Type. O estilo, muito semelhante ao do F-Type, traz os faróis com inspiração felina e a grade retangular em preto. É na traseira, com as lanternas de desenho exclusivo, que você tem certeza que se trata do XE, caso contrário não é fácil adivinhar se o carro é maior do que parece.

Por dentro, o espaço é justo, evidenciando a preocupação com esportividade. Você dirige encaixado no banco, sensação amplificada pelo volante volumoso.

Com rivais que oferecem versões mais mansas e até nacionalizadas (Mercedes e BMW), a Jaguar preferiu colocar o XE num patamar superior – ao menos enquanto nega que ele será produzido aqui. O sedã inglês já chega forte e bem equipado, incluindo aí itens como o HUD (Head-up Display ou visor ao nível dos olhos), faróis de Xenon e transmissão automática de oito velocidades da ZF, entre outros.

O interior do XE, todo em tons pretos, tem soluções bacanas de design no encontro da porta com o painel, por exemplo, mas este é até convencional demais para o que o exterior nos faz imaginar. Talvez esteja aí o pecado do modelo: usar e abusar de itens que vemos nos SUVs da Land Rover.

A central multimídia e o sistema de refrigeração têm a mesma aparência dos veículos da marca ‘irmã’. É perfeitamente compreensível que uma fabricante busque algum tipo de economia de escala, mas em carros de luxo detalhes como esses pesam.

Domável

Pudemos andar numa estrada próxima ao circuito Veloccittá, no interior de São Paulo, com a versão 2.0 turbo. É um carro de aceleração vigorosa, que chega fácil ao limite de velocidade e sobra. A transmissão ZF deixa você brincar com a rotação do motor, bastando para isso usar os enormes paddle-shifts atrás do volante.

A tração traseira é uma das lições aprendidas com o X-Type, que usava um sistema integral, mas também ganhou uma versão com tração dianteira. No XE, ela é sinônimo de diversão sem comprometer a segurança graças ao sistema de vetorização de torque, que evita que o carro perca energia em rodas que estão sem tração.

Ponto positivo para o HUD que, segundo a Jaguar é inédito por usar laser. Com informações úteis e de fácil assimilação, é possível acompanhar a estrada com vários dados a seu alcance, inclusive do controle de cruzeiro.

Furacão na pista

Depois de passar duas horas a bordo do XE turbo, assumimos o comando do V6 na versão S, a mais esportiva. Os 100 cavalos extras falam alto quando são instados a reagir. O XE parece ter nascido para acelerar, essa sim uma herança que um Jaguar deve sempre ter.

Foram apenas três voltas no circuito com uma leve chuva caindo, mas suficiente para entender que o XE está há anos-luz do seu antecessor, um carro que nunca teve sangue azul. Agora, enfim, a Jaguar tem um puro sangue autêntico nessa categoria.

 
 
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Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |

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