A Jeep fez um anúncio importante durante o Salão de Detroit, que abre as portas ao público nesta semana. A empresa, que ocupa o posto de marca com o maior caráter global dentro do grupo FCA, deu a largada para a segunda fase de seu plano de industrialização com um grandioso investimento de US$ 1 bilhão em suas fábricas de Michigan e Ohio, ambas nos EUA.

A pesada injeção de capital é estratégica. A Jeep quer atender a demanda cada vez maior por SUVs e picapes não só nos EUA e Brasil como em vários outros mercados importantes do mundo. Para isso, a montadora confirmou a chegada de novidades relevantes em sua gama de produtos, no caso o Wagoneer e o Grand Wagoneer, além de uma nova picape com a chancela da marca (confira a projeção acima feita pelo artista gráfico Theophilus Chin).

A notícia não deixa de ser boa para o Brasil, já que o próprio CEO da FCA, Sergio Marchionne, declarou que “esses movimentos expandem nossa capacidade nesses segmentos-chave, o que nos permite atender a crescente demanda nos Estados Unidos e, o mais importante, aumentar as exportações de veículos médios e grandes para mercados internacionais”. A frase deixa claro que são grandes as chances das três novidades colocarem suas rodas também por aqui. Além disso, com o respaldo de sucessos comerciais como o Renegade e o Compass, a Jeep está ganhando cada vez mais força no Brasil.

Uma grande mudança, contudo, reside na concepção do projeto do Wagoneer, nome que sempre foi utilizado para os modelos mais sofisticados dentro da linha Jeep. A ideia é que os dois SUVs topo de linha contassem com carrocerias de construção monobloco e um projeto bem sofisticado, poscionando em especial o Grand Wagoneer na faixa de US$ 140.000 nos EUA e colocando-o em condições de igualdade com modelos como o Range Rover. O desejo de contar com um produto com este nível de sofisticação, aliás, é antigo dentro da Jeep.

Porém, segundo Marchionne declarou a jornalistas durante o Salão de Detroit, tanto o Wagoneer quanto o Grand Wagoneer deverão mesmo contar com estruturas mais simples, no caso a carroceria integrada com chassi, uma solução que rende bons lucros a rivais como a GM e seus utilitários esportivos topo de linha.

A decisão da cúpula da FCA de certa forma aliviou os concessioários da marca em especial nos EUA, que estavam receosos de ter um carro tão caro como o projeto do Grand Wagoneer original sem uma base de clientes que compre veículos nessa faixa de preço. Atualmente o Jeep mais caro por lá é o Grand Cherokee SRT, com preço sugerido de US$ 67.890 com frete. Com isso, a previsão é que o Grand Wagoneer com três fileiras de assentos deva chegar às lojas custando algo em torno de US$ 100.000.

Como o trabalho de modernização e troca dos equipamentos da fábricas nos EUA deverá ser concluído por volta de 2020, a chegada às lojas dos novos modelos da Jeep é esperada para essa época.

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

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