Os sites, jornais e revistas confirmam a chegada do estreante, informando preço, características gerais e qual público ele quer atender. As campanhas publicitárias tentam convencer os consumidores de que aquele é o produto que eles buscavam. E, por fim, carros estacionados nas calçadas convidam para uma visita ao showroom da concessionária. O lançamento de um novo modelo, como se nota, é exaustivamente anunciado pelas montadoras, que evidentemente precisam fazer com que a novidade se torne conhecida e assim incremente sua participação no mercado.

No entanto, nem todos os lançamentos atendem – ao menos prontamente – o anseio das marcas. Alguns estreiam com surpreendentes números de vendas, enquanto outros demoram a emplacar e se tornar figura comum no trânsito. Analisamos, entre os últimos lançamentos, quais veículos superaram as expectativas e quem continua raridade nas ruas.

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Ford Edge se destaca pela tecnologia embarcada

Pão quente

A Volkswagen acertou em cheio na reposição do Jetta no mercado. Antes disponível apenas na faixa dos R$ 90.000, o sedã caiu para R$ 65.755 na versão de entrada, enquanto a topo de linha, com motor mais eficaz que o anterior, custa R$ 89.520. A configuração de entrada peca pelo motor 2.0 de concepção antiga e apenas 120 cv, mas ainda assim o Jetta vem retribuindo o investimento da VW: em abril, foi o quinto sedã mais vendido (1.013 unidades comercializadas), enquanto no mês passado, com 1.675 emplacamentos, ficou somente atrás de Toyota Corolla, Honda Civic e Kia Cerato.

Quem também fez jus às reformulações recebidas foi o Edge. Em 2010, o crossover da Ford patinava entre 50 e 60 unidades mensais; daí veio a reestilização, o motor melhorado e o interior estonteante e o grandalhão mais que dobrou as vendas. De janeiro a novembro do ano passado, foram 610 emplacamentos, montante superado neste ano já em maio.

Situação mais surpreendente vive o 3008. Lançado em novembro, o crossover da Peugeot teria apenas 200 unidades oferecidas por mês no mercado brasileiro. Reunindo versatilidade, conforto, lista de equipamentos elogiável e desempenho de carro esportivo, o 3008 caiu no gosto do consumidor e obrigou a Peugeot a aumentar sua oferta por aqui para 300 carros/mês.

ASX e RAV 4 também vão bem: o Mitsubishi chegou às lojas em dezembro e com 3.911 unidades comercializadas até maio já é o segundo carro mais vendido da marca japonesa, enquanto o SUV da Toyota elevou sua média mensal de 162 para 325 unidades.

Entre os lançamentos mais bem-sucedidos, os chineses são representados pelos carros da JAC. Juntos, J3 e J3 Turin venderam 5.593 unidades e colocaram a marca na 15ª posição do ranking nacional, à frente da conterrânea Chery, com mais tempo de mercado e mais produtos à venda.

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Fiat Bravo começa a decolar nas vendas

Decolando

Não só pela beleza, o Kia Sportage atrai olhares também por ainda ser raro nas ruas. A expectativa ao redor do seu lançamento foi grande, o que aumentou a esperança de encontrá-lo com mais frequência por aí. Preço, conteúdo e beleza ele tem. O problema está na intensa demanda mundial pelo modelo, que impede que mais unidades sejam trazidas pra cá. Os emplacamentos, no entanto, estão crescendo – o Sportage começou o ano com 244 unidades vendidas, mas fechou maio com 959.

Ele não é o carro que mais vende, nem o que mais cresce em emplacamentos dentro da Fiat. Mas é o que vem crescendo mais consistentemente, sem quedas. O Bravo substituiu o combalido Stilo sem muito ânimo no começo, e embora venda hoje mais apenas que Doblò Cargo e 500, ruma às 1.500 unidades mensais previstas pela marca.

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Repleto de qualidades, Renault Fluence ainda não emplacou

Lanterninhas

Tudo bem que a concorrência entre os sedãs médios neste ano será acirradíssima – ainda faltam desembarcar por aqui Chevrolet Cruze, Hyundai Elantra e o novo Honda Civic –, mas 408 e Fluence começaram devagar. O sedã da Peugeot vendeu só 435 unidades no mês de estreia, e mais 607 em maio. Mas está crescendo. Já o Renault ainda oscila demais nas vendas, apesar de ter agradado a imprensa especializada e até prêmio, recebido. A marca francesa explica que a demanda na América do Sul (o carro é argentino) fizeram com que a linha de produção não desse conta do recado. Uma das concessionárias consultadas por AUTOO afirmou que pela primeira vez tinha sete carros a pronta entrega, coisa inédita até aqui. A promessa da Renault é regularizar a situação já neste mês.

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Toyota Corolla muda pouco para continuar vendendo muito

Caranguejos

Eles não andam nem pra frente, nem pra trás. Andam de lado. A Toyota está confiante na tradição do Corolla, e acredita que alterações estéticas quase imperceptíveis na linha 2012 do modelo serão suficientes para barrar a forte concorrência – quase em sua totalidade formada por carros inéditos ou amplamente reformulados. De novidade, mesmo, só o bom câmbio manual, que ganhou a sexta marcha. Até aqui, no entanto, tem funcionado: o Corolla vende praticamente o dobro que Honda Civic, segundo colocado entre os sedãs.

C4 Picasso e C4 Grand Picasso seguem o mesmo caminho. As mudanças nas minivans da Citroën foram discretas, mas aparentemente suficientes para manter o bom nível de vendas.

Rodrigo Mora

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