A Morris Garage, ou simplesmente MG Motors, oficializou nesta quarta-feira (8) a inauguração de sua primeira concessionária no Brasil. A loja opera na Rua Colômbia, na zona sul de São Paulo (SP), região famosa pelos diversos pontos de venda de fabricantes de carros premium, justamente onde a marca recém-chegada quer se encaixar com o cupê MG6 e o sedã médio MG550, ambos já disponíveis para compra por R$ 99.789 e R$ 94.789, pela ordem.

Os dois veículos da MG para o mercado brasileiro vêm equipados com o motor 1.8 16V turbo que desenvolve 170 cv a 5.500 rpm e 21,9 kgfm de torque entre 2.500 rpm e 4.500 rpm. Os modelos também compartilham a mesma lista de equipamentos, que por sinal é grande. Os carros trazem de fábrica teto solar, seis airbags, freios ABS com controle de tração e estabilidade, além de itens de conforto e entretenimento como bancos de couro e sistema de som com entrada auxiliar e conexão Bluetooth para celular, entre outros.

A transmissão automática de 5 velocidades é de série tanto para o MG6 como para o MG550. Já o toque “extra premium” fica por conta das borboletas atrás do volante para trocas de marcha em modo sequencial, sem falar na presença de suspensão traseira independente, componente que oferece mais segurança na condução do veículo e, principalmente, mais conforto. Vale lembrar que, apesar da origem inglesa, os veículos MG desde 2007 são fabricados na China.

“Nossos carros enfrentam duas linhas de concorrência, uma de preço e outra de qualidade”, salientou Juarez de Souza, presidente da operação da MG no Brasil. “Nossos valores são condizentes com os de veículos Hyundai e GM, mas a qualidade e nível de acabamento de nossos carros são do padrão BMW e Mercedes-Benz”, compara Souza. Ambicioso? “Nosso plano é vender no mínimo 1.200 carros até o final de 2011”, arrisca o executivo.

E para atrair compradores os representantes no Brasil apostam na tradição britânica da MG, que remonta de 1924, e na confiabilidade do produto, que desembarca no mercado com 7 anos de garantia para o conjunto mecânico e componentes eletrônicos. “Confiamos plenamente na qualidade de nossos motores e câmbio, caso contrário não daríamos todo esse tempo de garantia”, explicou o presidente nacional da Morris Garage.

E a marca não quer parar por aí. Entre outubro e novembro deste ano, a MG lançará mais três modelos no país. O primeiro será o sedã de entrada MG350, que segundo o representante deverá custar algo entre R$ 60.000 e R$ 70.000. Em seguida chega o compacto MG3, uma espécie de MINI Cooper da Morris: seu preço já foi definido em R$ 57.000. Por fim, o MG750 completará a linha da Morris Garage no Brasil brigando na faixa dos R$ 120.000.

Mais carros exigem mais lojas. “Vamos abrir uma loja por mês até o final de 2012 por todo Brasil”, adiantou Souza. As próximas concessionárias serão inauguradas em cidades como Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC). Entretanto, o primeiro centro técnico da MG em São Paulo ainda não opera. “A previsão de abertura é para junho”, finaliza.

Morris Garage

Todas as fabricantes de origem britânica trilharam com o passar do tempo caminhos semelhantes. Todas tiveram seu momento de estrelato no Reino Unido, mas com o passar do tempo e o aumento da concorrência (e por consequência dívidas) algumas marcas tradicionais acabaram extintas, como a Triumph Cars e a Austin Realey, enquanto outras acabaram nas mãos de conglomerados internacionais, como é o caso da Lotus, hoje parte do grupo malaio Proton, e a dupla Jaguar-Land Rover, que pertence a indiana Tata Motors.

A MG passou maus bocados durante décadas, morreu em 2005 e ressuscitou em 2007. Tudo começou em 1924, quando William Morris decidiu levar mais a sério sua habilidade em construir carros na garagem de casa e estabeleceu uma fábrica. Após a Segunda Guerra Mundial, a empresa enfrentou seus primeiros problemas e acabou absorvida pelo então Grupo BMC (British Motor Corporation), que era composto por Jaguar, Austin e a MG.

Em 1975 a Jaguar pulou fora do barco para compor o Grupo Ford, o que redefiniu o nome do grupo britânico para BL (British Leyland) e logo em seguida se tornou Rover Group, que tinha como principal produto na época o Mini Morris, o carro precursor do MINI Cooper atual. A próxima reviravolta aconteceu em 1994, quando a fabricante – então com carros da Austin e MG – foi repassada a BMW, que, por sua vez, acabou fechando a empresa em 2005 devido ao fracasso de vendas.

A exemplo de muitas de suas conterrâneas falidas, a solução veio do Oriente. Ainda em 2005, o Rover Group foi adquirido pelo grupo chinês Nanjing Automobile, que literalmente desmontou a fábrica da Rover em Birmingham, na Inglaterra, e a transportou de navio para a China, onde os carros da marca, agora redefinida apenas como MG (na China a marca se chama Roewe), são feitos desde 2007. Mas ainda houve tempo para mais uma mudança. Também em 2007, a Nanjing foi comprada pela SAIC, um dos maiores conglomerados chinês no campo automobilístico.

Com investimento chinês, a fabricante agora quer retomar o sucesso do passado e ir além. O plano da SAIC é internacionalizar a marca britânica, cujo mercado de atuação sempre foi muito restrito ao Reino Unido. Além de exportar para mais países, a Morris Garage ainda planeja lançar um SUV em 2013 e no ano seguinte um veículo conversível, segmento que marcou a empresa em seu passado glorioso, que também envolve participação em tradicionais competições e até mesmo recordes de velocidade nos anos 20 e 30. E como toda marca inglesa, a MG também possui o selo de qualidade da Coroa Britânica. 

Thiago Vinholes

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