Rainha dos compactos, a Fiat conhece o cliente de modelos de entrada, não há dúvida. Por isso cabe aqui um certo ar incômodo após AUTOO conhecer o Mobi, sua nova aposta no segmento. Mais uma vez, a crítica em geral (incluindo esse jornalista) esperava pelo utópico “carro verdadeiramente popular”, acessível, moderno e eficiente. Mas o hatch é outra coisa um tanto longe disso.

Começa pelo fato de não ser barato. As duas versões de entrada, Easy e Easy On, custam R$ 31.900 e R$ 35.800 e, no caso do primeiro, significa não ter direção hidráulica, ar quente, vidros elétricos e até desembaçador traseiro.

A versão que a Fiat aposta ocmo principal é a Like, por R$ 37.900. nela, há rodas aro 14 com calotas, vidros e travas elétricos, computador de bordo, fireção hidráulica e uma das ‘novidades’ do modelo, o Cargo Box, um compartimento destacado do porta-malas. Som segue opcional assim como comandos no volante e o badalado ‘sistema’ Live On, um aplicativo necessário para utilizar um smartphone como central multimídia.

Quem estiver disposto a gastar mais, ainda pode levar para casa o Like On ou as duas versões do Mobi Way – com preços beirando R$ 44 mil.

Se não é barato deve ter alguma tecnologia inovadora como um motor 3 ce ilindros como visto na concorrência. Longe disso, o Mobi vai mesmo é de 1.0 4 cilindros Evo, de 75 cv e conhecido do irmão Uno. Câmbio, suspensão, freios, tudo aliás derivado do Uno embora a marca diga que na carroceria apenas a parede corta fogo seja comum aos dois.

O motor de 3 cilindros, uma tendência graças à eficiência, virá no segundo semestre, mas há quem diga que ele estreará no Uno, que também terá mudanças na linha 2017.

Aperto

Então, se o preço e tecnologia não são seus fortes, resta o espaço interno e as sacadas de um projeto que saiu do zero. Mas de novo o Mobi decepciona.

Ele é pequeno, com apenas 3,57 metros de comprimento (o Uno tem 3,8 m), 1,63 de largura (o mesmo do Uno), 1,55 m de altura (7 cm mais alto) e 2,3 m de entreeixos (7 cm a menos). O porta-malas leva somente 215 litros (75 litros menor que o Uno).
Essas dimensões facilitam o deslocamento na cidade, como prega a Fiat, mas incomodam os ocupantes. Os passageiros viajam apertados e na frente o painel projetado aumenta ainda mais a sensação de aperto. O motorista, se for mais alto, dirige próximo ao volante que só possui ajuste de altura (opcional na maior parte deles).

A Fiat faz questão de dizer que as portas tem ângulo de abertura maior que a concorrência, mas é algo que se espera de um projeto novo.

 
 
Fiat Mobi 2017
 
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Dirigir o Mobi é como estar a bordo de um Uno mais apertado. Volante, câmbio, suspensão, tudo lembra o irmão mais velho e não é uma coincidência, a Fiat manteve a mesma percepção de dirigibilidade de seus outros compactos. Ou seja, uma direção hidráulica (ainda) de peso moderado, um câmbio de engates apenas razoáveis e uma suspensão macia que está acostumada a lidar com as buraqueiras das ruas brasileiras.

O motor 1.0 só faz o básico: retomadas e aceleração estão longe do que se vê em outros compactos com motores mais modernos. O consumo, de 8,4 km/l (cidade), 9,2 km/l ((estrada) com etanol e 11,9 km/l (cidade) e 13,3 km/l (estrada) com gasolina é nota A do Inmetro, mas numa categoria batizada de “Micro Compacto” pelo órgão.

Para se ter uma ideia, o up!, da Volkswagen, faz 9,2 km/l e 10,2 km/l com etanol e 13,5 km/l e 14,6 km/l com gasolina. O próprio Uno é mais econômico que o Mobi com o mesmo motor, mesmo pesando cerca de 50 kg a mais.

Mas, afinal, há algo novo no Mobi?

O design, embora não assimilável numa primeira impressão, pode ser um bom argumento para justificar o carro. A Fiat desenho um veículo de linhas forte e marcantes. Os faróis são imensos, os para-lamas, bem pronunciados e a frente um tanto reta e alta. Em outras palavras, o Mobi aparenta ter um ar de jipinho, o que hoje significa encontrar muita gente interessada nessa proposta.
Curiosamente, a Fiat investiu numa ideia que a Volks descartou no up!, a tampa traseira de vidro. É uma peça pequena e leve fácil de manusear.

Geração Y

A apresentação do Mobi ao menos deixou claro algumas coisas. A Fiat diz que buscou criar um carro urbano, prático, de dimensões mais racionais e que fosse conectado às necessidades do dia a dia. Daí as variadas referências aos jovens da geração Y. É como se ela quisesse provar que esse público um tanto desencanado de certos valores materiais, precisa de um veículo. Mas éaí que fica a questão: se essa gente enxerga a mobilidade de uma forma mais sustentável – usando transporte público, Waze, bicicletas e mesmo caminhar -, para que ter um carro de mais de R$ 30 mil?

As concessionárias vão responder essa dúvida a partir do dia 16 quando o carro começará a ser vendido.

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |