Os prédios já começam a tomar forma e o início de operação está marcado para daqui há cerca de 18 meses, mas a Hyundai decidiu oficializar o lançamento da sua primeira fábrica na América do Sul apenas na última sexta-feira, dia 25.

Com a presença do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (a presidente Dilma não pode comparecer), a montadora sul-coreana lançou a pedra fundamental do complexo de Piracicaba, uma fábrica de médio porte capaz de produzir 150 mil veículos por ano, quando estiver concluída.

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O evento também se converteu numa espécie de estreia dos executivos coreanos no Brasil. Até então, o grupo CAOA, representante da marca no país, falava em seu nome. Han Chang Hwan, vice-presidente da empresa no continente americano, mostrou ousadia ao falar sobre os planos da Hyundai: “superaremos a Ford como a 4ª marca mais vendida em 2013”. Segundo ele, a soma da produção de Piracicaba com mais 100 mil carros importados e outros 50 mil montados em Anapólis, GO, (onde a CAOA faz o CKD do Tucson e do caminhão HR), dará à marca coreana a possibilidade de bater a rival dos EUA.

Compacto HB

Motivo para tanto otimismo é o projeto HB, um hatch compacto do porte do Gol, da VW, que está sendo desenhado especialmente para o Brasil, embora vá ser exportado para outros mercados da América Latina. De desenho ousado e lista de equipamentos generosa, o HB promete estremecer o segmento quando chegar às concessionárias, no final do ano que vem. A montadora diz ainda que se o mercado brasileiro mantiver o pique de crescimento, outros modelos nacionais se juntarão ao HB a partir de 2013.

Hwan também falou sobre alguns pontos delicados da empresa no Brasil. Um deles é a dívida bilionária da extinta Asia Motors, marca coreana que operou no país na década de 90 vendendo os modelos Topic e Towner, este famoso pela pecha de “veículo de cachorro-quente”. Para ganhar isenção de impostos, a montadora fechou acordo com o governo para implantar uma fábrica no Brasil, mas antes que isso ocorresse (e depois de deixar de recolher tributos) a empresa quebrou e acabou adquirida pela Kia na Coréia. O problema é que mais tarde a Hyundai absorveu a Kia e há na Justiça brasileira quem ache que, com isso, a dívida tenha sido herdada. O executivo coreano não titubeou: “Asia e Hyundai são empresas diferentes”, disse.

Sobre a operação da CAOA, Hwan reconheceu que a empresa brasileira não produz carros em Anápolis, apenas monta, ao contrário do que o representante costuma dizer em seus polêmicos anúncios. Apesar disso, a Hyundai garantiu que a CAOA continuará parceira da montadora mesmo agora, em que as áreas de operação, produção e vendas passarão a ser comandadas pela própria montadora que, inclusive, já tem presidente escolhido para o Brasil, Kim Seong Bae.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/