Nova Triumph Tiger 800
Triumph

Nova Tiger 800 chega ao Brasil com mais tecnologia e novo visual

Ir ao lançamento de um produto que já era bom e acaba de evoluir para uma nova geração, é (quase) ter a certeza que sairei de lá satisfeita. Em outras palavras, quando trata-se de motos, a certeza é: diversão no test-ride. Foi assim com a apresentação da Nova Tiger 800, da Triumph.

Com pompa de lançamento internacional, uma moto para cada jornalista, muitos quilômetros de test-ride e uma estrutura muito além das expectativas da imprensa brasileira que cobre o setor das duas rodas, 30 sortudos jornalistas puderam conferir as melhorias da nova geração da inglesa predileta dos brasileiros – a linha Tiger é responsável por 70% das vendas da marca no País.

Para 2015, a montadora refinou o conjunto, eliminou os pontos fracos que poderiam fazer o cliente optar pela aventureira rival e até adotou uma nova nomenclatura. O modelo de entrada, mais urbano, chama-se XRx (Cross-road), enquanto a versão mais apta a encarar trechos de terra chama-se XCx (Cross-country). Em suma, elas ganharam visual mais agressivo, motor mais eficiente e, principalmente, mais tecnologia embarcada. Como todo bônus tem um ônus, o preço aumentou, agora são pedidos R$ 42.190 pela XRx e R$ 45.390 pela XCx, ante os R$ 36.490 e R$ 39.990, respectivamente, cobrados pelas antecessoras.

Traje esporte fino

O que notamos primeiro são as mudanças visuais. A XCx se diferencia pelas rodas de alumínio raiadas, com aro de 21 polegadas na dianteira e para-lama mais comprido, enquanto sua irmã XRx utiliza roda de 19 polegadas na dianteira e tem um para-lama bem curtinho, ambas com rodas aro 17 na traseira. Elas ganharam uma nova proteção no radiador e linhas bem angulosas no tanque. Melhorias funcionais, que servem para canalizar o ar quente do motor para longe das pernas do piloto – uma reclamação recorrente na geração anterior. No trajeto que percorremos com a moto, não enfrentamos trânsito, situação onde o calor do motor era muito incômodo, mas em pequenas paradas foi possível sentir uma melhora.

A geometria da moto foi revista, mesmo assim, banco, guidão e até os manetes são ajustáveis para que o piloto encontre o melhor posicionamento. Protetores de cárter e de mão vem de série nas duas versões, além do visual mais robusto, as peças protegem moto e piloto. Há ainda novo defletor traseiro de escapamento e novo protetor de calcanhar.

Tricilíndrico tinindo

O tradicional motor de três cilindros passou por um check up geral. Continuam os 95 cv de potência a 9.250 rpm e torque máximo de 8,06 kgfm alcançado aos 7.850 giros, mas o motor recebeu alterações para melhorar a queima de combustível e produzir menos ruído. Segundo a marca, ele está 17% mais eficiente, com consumo na casa dos 21,3 km/l e totalmente preparado para receber nossa gasolina com maior teor de álcool na mistura. Vale lembrar que a Tiger é montada em Manaus (AM), mas o kit de peças vem da Tailândia, Japão e Reino Unido. O tanque de 19 litros tem autonomia estimada pela marca de 439 km.

Dentre as melhorias mecânicas está a transmissão, que agora utiliza a mola da Daytona 675. As seis marchas passaram as ter engates mais precisos, curtos e suaves. Para fechar, o motor recebeu uma pintura semi-fosca com o logo da marca.

Outro cuidado da Triumph foi proteger a corrente com uma borracha, parece uma bobagem, mas na “velha” Tiger lembro-me de um barulhinho chato, que soava como algo batendo na traseira, e era a corrente. Agora, o problema acabou. Para fechar, o motor recebeu uma pintura semi-fosca com o logo da marca.

 
 
A nova Trumph Tiger 800 chega ao mercado brasileiro nas versões XRx e XCx A nova Trumph Tiger 800 chega ao mercado brasileiro nas versões XRx e XCx
Montada em Manaus (AM), a nova Tiger ganhou novo visual e mais tecnologia Montada em Manaus (AM), a nova Tiger ganhou novo visual e mais tecnologia
No Brasil, a linha Tiger representa 70% das vendas da marca No Brasil, a linha Tiger representa 70% das vendas da marca
A nova Tiger 800 XRx chega às lojas ainda este mês por R$ 42.190 A nova Tiger 800 XRx chega às lojas ainda este mês por R$ 42.190
Das duas versões, a XRx é a mais adaptada ao asfalto Das duas versões, a XRx é a mais adaptada ao asfalto
Acelerador eletrônico, piloto automático e controle de tração foram algumas melhorias que o modelo ganhou Acelerador eletrônico, piloto automático e controle de tração foram algumas melhorias que o modelo ganhou
Os freios ABS são comutáveis Os freios ABS são comutáveis
Tiger 800 XRx, com seu novo visual mais robusto Tiger 800 XRx, com seu novo visual mais robusto
Nova Triumph Tiger XRx, com um tricilíndrico de 800 cc que gera 95 cv Nova Triumph Tiger XRx, com um tricilíndrico de 800 cc que gera 95 cv
A Tiger 800 XCx é o modelo mais indicado para encarar trechos casca grossa A Tiger 800 XCx é o modelo mais indicado para encarar trechos casca grossa
A triumph Tiger 800 XCx custa R$ 45.390 A triumph Tiger 800 XCx custa R$ 45.390
A versão XCx conta com configurações estrada e off-road para o controle de tração A versão XCx conta com configurações estrada e off-road para o controle de tração
O ABS pode ser desligado, assim como o controle de tração O ABS pode ser desligado, assim como o controle de tração
Um dos destaques da nova Tiger são os quatro diferentes mapas de aceleração Um dos destaques da nova Tiger são os quatro diferentes mapas de aceleração
As pedaleras oferecem bom apoio para os pés no off-road e a moto é muito fácil de pilotar As pedaleras oferecem bom apoio para os pés no off-road e a moto é muito fácil de pilotar
O painel é bonito e de boa visualização O painel é bonito e de boa visualização
Na manopla direita está o botão de acionamento do piloto automático Na manopla direita está o botão de acionamento do piloto automático
A diferença do conjunto de suspensão das versões é notável, a XC agrada bem mais A diferença do conjunto de suspensão das versões é notável, a XC agrada bem mais
O motor agora é pintado de preto fosco com o emblema da montadora inglesa no centro O motor agora é pintado de preto fosco com o emblema da montadora inglesa no centro
Os ajustes eletrônicos da nova Tiger são feitos por botões na manopla esquerda Os ajustes eletrônicos da nova Tiger são feitos por botões na manopla esquerda
A posição de pilotagem é outro quesito no qual a Tiger agrada A posição de pilotagem é outro quesito no qual a Tiger agrada
Protetor de manoplas é item de série Protetor de manoplas é item de série
A Triumph se preocupou com cada detalhe na nova Tiger A Triumph se preocupou com cada detalhe na nova Tiger
A suspensão WP foi utilizada para melhor adesão ao ambiente off-road A suspensão WP foi utilizada para melhor adesão ao ambiente off-road
Discos flutuantes duplos de 308 mm, cáliper de 2 pistões Nissin e 4 blocos Discos flutuantes duplos de 308 mm, cáliper de 2 pistões Nissin e 4 blocos
Suspensão traseira monoshoque WP com ajuste de pré-carga e amortecimento com retorno Suspensão traseira monoshoque WP com ajuste de pré-carga e amortecimento com retorno
O barulhinho da corrente também ficou no passado, agora há um protetor de borracha O barulhinho da corrente também ficou no passado, agora há um protetor de borracha
 
 

Piloto em primeiro lugar

Aqui estão os principais atributos da nova Tiger, que segundo a marca, se diferencia das concorrentes pela tecnologia focada no piloto. Primeiro, foi adotado um acelerador eletrônico “Ride by Wire”, bem levinho. Os freios ABS são comutáveis, eles podem ser totalmente desligados e, dependendo do modo de pilotagem escolhido, o ABS traseiro pode ser desabilitado. O sistema permite ainda o travamento, em algum nível, da roda dianteira, tudo para otimizar o desempenho na terra.

O controle de tração é outra novidade da nova Tiger. Ele pode ser desligado e, na versão XCx, conta com mais duas configurações: estrada e off-road. Na novidade, também é possível controlar a resposta da aceleração em quatro níveis: rain, sport, off-road e road.

Agora, se você não quiser ficar alterando cada item a seu gosto, pode optar por um dos dois modos de pilotagem que configura a moto para asfalto ou terra. Há um terceiro modo, o rider, onde você salva suas preferencias e quando quiser elas estarão lá.

Não é um bicho de sete cabeças alterar os modos, inclusive, pode ser feito com a moto em movimento, mas leva algum tempo para decorar o processo. Imagine que com a moto andando deve-se utilizar a mão esquerda para pressionar uma tecla no painel, fechar o acelerador, apertar a embreagem e não se esquecer que você está pilotando. Até se acostumar com a moto é melhor encostar em algum lugar seguro e fazer a troca. Em outras motos há sistemas mais simples.

Outro conforto é o piloto automático, presente pela primeira vez em uma motocicleta deste segmento. Lembro-me que eu achava o máximo este recurso, ainda com acionamento mecânico, na moto que costumava andar com meu pai. Uma pecinha simples que travava o acelerador e você podia liberar os braços em longas viagens. A sensação de liberdade é a mesma, mas na Tiger é tudo eletrônico, claro. O acionamento é feito como nos carros: aperte o botão do controle de cruzeiro, aperte a tecla set -, e depois ajuste a velocidade que desejar. A moto deve estar em sexta marcha e em velocidades entre 48 e 160 km/h. Para desabilitar basta acionar o freio.

Nova Triumph Tiger 800
Triumph

Novas Tiger 800 XRx e XCx, que chegam por R$ 42.190 e R$ 45.390, respectivamente

 

Para aventuras no dia a dia 

Eu, particularmente, adoro as bigtrails. Lembre-se que sou mulher e meço 1,70 m, então, damas que já tem certa habilidade com motos e acham que bigtrails são muita areia para seu caminhão, deveriam experimentar. A versão XRx tem o banco mais baixo, que pode ser ajustado de 810 mm a 830 mm. O assento é muito confortável e a posição de pilotagem que permite diversos ajustes é ótima.

O modelo XRx tem roda dianteira menor que a versão XCx (19 polegadas) e vem equipado com suspensão Showa, com garfo invertido e curso de 43 mm na dianteira. Na traseira, há um amortecedor único, também Showa com ajuste de pré-carga. Comecei pilotando a XRx, por um trecho misto de asfalto bom, asfalto ruim e estrada de terra. A moto é muito fácil de pilotar, a altura é ideal, a boa maneabilidade surpreende, mas ao passar por alguns trechos que exigia mais da suspensão, achei que o conjunto poderia ser melhor.

Para aventuras em qualquer lugar

Pronto, em meu segundo trecho pilotando a versão XCx, parecia que a Triumph tinha ouvido minha “queixa” da suspensão. Não que a da XRx seja ruim, mas a da XCx é muito melhor. A aventureira com terra no dna vem equipada com conjunto WP. Na dianteira, garfo invertido com 43 mm, com rebote e amortecimento de compressão e 200 mm de curso com ajuste feito pelas cabeças dos garfos. Na traseira, um monoshock WP com reservatório separado e ajustável na pré-carga e compressão.

Para esta versão, a roda dianteira é maior (21 polegadas) e ambas são raiadas. Eu estava receosa com a altura do assento, de 840 mm a 860 mm, mas isso não foi um problema. As pedaleiras oferecem ótimo apoio para os pés (no off-road percorremos boa parte do trecho em pé na motocicleta) assim como o encaixe das pernas no tanque. Outro ponto que merece ser elogiado é o modo de pilotagem off-road, que “acerta” a moto na terra e oferece mais segurança a quem não tem experiência neste tipo de terreno.

Planos (pouco) ambiciosos

A Triumph, mesmo que esteja muito bem em sua operação no Brasil, está ciente do panorâma econômico desfavorável pelo qual estamos passando. A nova Tiger só melhorou, mas também ficou mais cara, o que pode frear um pouco as vendas e o objetivo é que ela siga com o sucesso que faz no País.

Foram emplacadas 1.715 unidades da linha Tiger em 2014 – do total de 4.560 motos da marca vendidas no Brasil. A expectativa da montadora é vender 1.500 motos da linha Tiger em 2015 e chegar a 5 mil motos vendidas no ano.

Para ajudar nas vendas, foi anunciado que as versões mais básicas mostradas no Salão de Milão no ano passado, XR e XC (sem o “x” no final) também serão vendidas no por aqui, certamente com menos eletrônica, porém mais fáceis de caber no bolso do brasileiro.

Karina Simões

Karina Simões |