Juliane Blasi, 33, e Nadya Arnaout, 38, poderiam entrar numa roda de bate-papo de homens falando de carros e deixar todos boquiabertos. Mais ainda se o carro questão for o novo Z4, da BMW. Pouca gente, aliás, pode falar com conhecimento de causa sobre o esportivo tanto quanto elas – Juliane é responsável pelo design externo do modelo e Nadya, pelo seu interior.

As duas designers, comandadas pelo novo chefe do setor na BMW, Adrian Van Hooydonk, tiveram o desafio de recriar o Z4, o pequeno roadster idealizado por Chris Bangle, o artista americano que mudou como nunca o visual dos carros da marca.

E a inspiração para suas novas linhas também traz a contribuição das mulheres. As laterais e o painel de instrumentos têm as formas de um corpo feminino. Basta reparar no vinco que simula o para-lama traseiro do carro que se assemelha a um quadril.

A criatura de Juliane e Nadya foi apresentada à imprensa brasileira nesta quarta-feira, 10, em São Paulo. O novo Z4 passa a ser vendido no Brasil em duas versões, 23i e 35i, com preço de R$ 217 mil e R$ 307 mil, respectivamente.

Dois em um

Ao repensar no sucessor do Z4 original, a BMW decidiu romper uma tradição. Nunca um modelo da marca adotou o chamado teto rígido em modelos conversíveis – até então, todos usavam a tradicional lona dobrável. O próprio Z4 da primeira geração foi lançado primeiramente como conversível e depois ganhou uma versão cupê com teto fixo. Agora, o novo roadster é “dois em um”: sua capota rígida o transforma em roadster ou cupê apenas 20 segundos.

Dois aspectos foram mantidos em relação ao primeiro Z4: as laterais têm as mesmas formas – embora a seta estilizada com o logo da BMW tenha dado lugar a uma entrada de ar – e o capô continua longo o bastante para acomodar os motores de seis cilindros em linha que equipam as duas versões.

O 23i leva um 2.5 litros com 204 cv de potência e 25,5 kgfm de torque enquanto o 35i tem 306 cv e 40,8 kgfm. Ambos são twin turbo e possuem comando de válvulas variável Valvetronic com injeção direta de combustível. Há opção de câmbio manual de seis marchas e automática de sete, além da nova transmissão com dupla embreagem oferecida como opcional para o 35i. Esta última pode acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 5,1 segundos – a velocidade máxima é limitada a 250 km/h, nesse caso.

As dimensões são ligeiramente maiores que o Z4 anterior e o porta-malas oferece 180 litros quando o teto está recolhido e 310 litros quando o modelo está no modo “cupê”.

De volta à Europa

O Z4 é um produto voltado para os americanos. Além de ter sido desenhado no estúdio que a BMW tem no país, seu público principal está nos Estados Unidos. Mas a linha de produção, que ficava lá na geração anterior, agora mudou para a Europa. Segundo a BMW, a fábrica norte-americana ficará incumbida apenas dos modelos X, os utilitários esportivos.

No Brasil, a fabricante acredita que venderá cerca de 100 unidades até o fim do ano, 70% do modelo 23i. Perguntamos ao presidente da empresa no nosso pais, Henning Dorbusch, por que nosso mercado, mesmo vendendo mais de 2,5 milhões de carros, é tão modesto quando falamos de modelos premium. Segundo ele, “o problema é que a renda do brasileiro é muito desigual, temos apenas 200 mil potenciais clientes capazes de comprar carros premium”. Mas Henning acredita numa mudança: “de certo modo, o potencial de vendas desse tipo de veículo foi subestimado. No caso do Mini, que acabamos de lançar aqui, estamos ampliando a estimativa de vendas em 2009 de 600 para quase 1 000 unidades”. Sinal que a crise mundial está fazendo com que as marcas redescubram o Brasil.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/