Pelas contas da divisão brasileira da Citroën, 70% do público consumidor da primeira geração do C3 nacional era composto por mulheres, que nunca negaram sua paixão pelo design mais “clean” do que “viril” do carro, evidenciado principalmente por suas linhas arredondadas e acabamento interno, digamos, mais delicado. Com a chegada da nova geração, a marca francesa mudou um pouco o estilo de sua “cantada” para também atrair os homens.

Em outras palavras, o objetivo da Citroën é tornar seu principal produto para o mercado brasileiro mais ‘unissex’ e alcançar um mix de até 50% de compradores do sexo masculino. Mas não pense que, para isso, os franceses vão abrir mão das mulheres. Eles ainda gostam delas: a ideia é aumentar também o volume de vendas do veículo em aproximadamente 20%, atingindo assim maior parcela de compradores dos clubes do Bolinha e da Luzinha, ampliando a proporção do primeiro.

Então quer dizer que o C3 está mais “macho”? Isso depende do ponto de vista. O que houve foi que o veículo, ao finalmente aderir ao visual do modelo europeu, ficou mais vistoso e com uma aparência mais moderna e jovial. O visual cansado de dez anos atrás deu lugar a linhas mais arrojadas e até certo ponto esportivas (bem pouco), características que também costumam fazer a cabeça dos homens quando estão em busca de um carro (vide New Fiesta e Sonic, que têm uma pegada visual e de condução mais "masculina").

Entretanto, por mais que a Citroën fuja do estigma, o novo C3 ainda mantém um pé no salto alto. O formato geral da carroceria ainda é basicamente composto por suaves linhas arredondadas e a decoração externa, com frisos e superfícies cromadas a perder de vista (estão na grade, maçanetas, retrovisores, moldura das janelas, tampa do porta-malas…), deixam clara a intenção do carro em chamar atenção, como se fosse uma esbelta loira fatal bem vestida e com joias reluzentes (e de preferência solteira).

Roupa nova, corpo velho

A mudança estética no C3 é como um novo vestido, ou quem sabe um novo paletó. Para não gastar tanto dinheiro para desenvolver um carro totalmente novo, a PSA Peugeot-Citroën do Brasil ainda utilizou boa parte dos componentes da geração passada do hatch, por isso seu comportamento dinâmico pouco muda na passagem para a nova geração. Os pontos altos do novo modelo são os feixes de LEDs no para-choque, no mesmo estilo do DS3, e o para-brisa panorâmico, que proporciona uma área envidraçada de até 1,35 metros na frente do carro – ambos os itens estão disponíveis a partir da versão intermediária Tendance (de R$ 43.990).

O veículo compartilha a plataforma com Aircross e C3 Picasso. O comprimento ganhou mais 9,4 centímetros e a largura recebeu mais 4,1 cm. Todavia, a distância entre os eixos não cresceu um único milímetro sequer e manteve em 2,46 metros. Logo, isso quer dizer que o carro continua muito apertado na parte traseira, principalmente no espaço para pernas e cabeça. Passageiros com 1,80 m de altura são o limite quando se busca algum conforto no banco traseiro do novo C3. O porta-malas também tem espaço limitado, apesar de a fabricante alegar que o espaço comporta até 300 litros.

O acabamento do interior, por outro lado, transpira evolução. Os plásticos que cobrem o painel e as partes internas das portas melhoraram significativamente, assim como a montagem geral das peças do habitáculo, que são bem encaixadas e livres de rebarbas. Há ainda opção de bancos revestidos em couro e até navegador GPS integrado ao painel.

Os modelos equipados com o para-brisa Zenith, no entanto, têm uma falha um tanto inusitada, para não dizer engraçada. No caso de algum objeto cair no assoalho à noite, principalmente debaixo dos bancos, deixe para procurá-lo ao amanhecer. O vidro ampliado elimina a luz central da cabine, que acabou substituída por duas pequenas luzes laterais, que, além da baixa intensidade do feixe, estão mal posicionadas, acima das cabeças do motorista e passageiro. Ou seja, ajudam pouco, especialmente no escuro.

 
 
Citroën C3 2013 Citroën C3 2013
O AUTOO testou a versão top de linha Exclusive, de R$ 49.990 O AUTOO testou a versão top de linha Exclusive, de R$ 49.990
O desempenho do carro é parecido com o da geração anterior O desempenho do carro é parecido com o da geração anterior
O feixe de LEDs está disponível a partir da versão intermediária O feixe de LEDs está disponível a partir da versão intermediária
A versão Exclusive vem com rodas aro 16 A versão Exclusive vem com rodas aro 16
O visual do novo C3 nacional segue o estilo do modelo europeu O visual do novo C3 nacional segue o estilo do modelo europeu
O desenho dos faróis está mais, digamos, esportivo O desenho dos faróis está mais, digamos, esportivo
As rodas aro 16 As rodas aro 16
O design das lanternas segue o padrão global da Citroën O design das lanternas segue o padrão global da Citroën
A parte externa do carro é coberta de detalhes cromados A parte externa do carro é coberta de detalhes cromados
O novo motor 1.6 Flex Start gera 122 cv e dispensa o tanquinho de gasolina O novo motor 1.6 Flex Start gera 122 cv e dispensa o tanquinho de gasolina
O interior passou por uma forte alteração na nova geração O interior passou por uma forte alteração na nova geração
O painel dividido em três partes tem fácil leitura O painel dividido em três partes tem fácil leitura
O câmbio manual agora tem engates mais precisos O câmbio manual agora tem engates mais precisos
O parabrisa panorâmico é o destaque da versão O parabrisa panorâmico é o destaque da versão
Falta, porém, uma luz central para iluminar a cabine a noite Falta, porém, uma luz central para iluminar a cabine a noite
O espaço interno do C3 continua apenas razoável O espaço interno do C3 continua apenas razoável
 
 

Condução confortável, desempenho razoável

Boa parte do apreço das mulheres pelo C3 era mérito de sua condução macia, com pedais leves e a direção elétrica que exige zero de esforço de quem a controla. Esses itens continuam presentes no novo modelo e outras partes foram apuradas, como o acerto de suspensão, que, ao ficar mais firme, melhorou a estabilidade e diminuiu a rolagem da carroceria em curvas. Esse detalhe é um ponto que agrada em cheio ao público masculino, metido a piloto.

O AUTOO avaliou a versão topo de linha – Exclusive (R$ 49.990 ) – que traz uma boa lista de itens e o novo motor 1.6 Flex Start (que elimina o tanquinho de gasolina para auxiliar na partida), associado a caixa manual de 5 marchas, que na nova geração perdeu parte de sua "moleza" e ganhou engates mais justos - mais uma vez para agradar os "meninos".

A potência da opção 1.6 subiu – de 113 cv para 122 cv –, mas é difícil sentir a diferença. Ainda assim, trata-se de um carro com rodar suave e que desenvolve boa velocidade, principalmente para andar com agilidade na cidade. O consumo de combustível ficou na média da categoria: em nosso teste o C3 2013 rodou em média 8 km/l com etanol.

Em suma, o C3 passou por uma aula de “masculinização” que certamente deve surtir efeito com o público masculino, mas ele ainda está longe de abandonar o selo de “queridinho das mulheres”, que gostaram ainda mais da nova geração.

Ficha técnica

Vendas em 2017 2.237 unidades
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Redação |