Entrar num segmento pela primeira vez é uma atitude bastante arriscada, sobretudo se falamos de utilitários. Em vez da emoção dos consumidores de automóveis, veículos comercias muitas vez têm a compra decidida na ponta do lápis ou, melhor, na planilha do Excel.

Por isso, quando a Volkswagen decidiu entrar no restrito mercado de picapes médias, o que se imaginava era um projeto difícil de emplacar. Mas, ao contrário do que se imaginava, a Amarok conseguiu encontrar um espaço para ela onde modelos como a S10, da Chevrolet, e a Hilux, da Toyota, dominam.

A aposta da Volks foi um tanto arriscada: equipar sua picape com tecnologia embarcada de um sedã de luxo. Isso num mercado conhecido pela ode aos veículos valentes e robustos. Mas o motor biturbo, a transmissão automática de oito velocidades e os inúmeros recursos eletrônicos como o exclusivo ABS off-road encontraram uma parcela de clientes interessada a ponto de em 2013 a VW chegar à 3ª colocação da categoria – atrás apenas, é claro, da S10 e Hilux.

De lá para cá, no entanto, a Amarok perdeu terreno para a nova Ranger e, neste ano, para a L200. A reação da Volks veio agora com um pacote extra de equipamentos, novos faróis de xênon com luz diurna de LEDs e uma série especial batizada de ‘Dark Label’.

Conforto de carro

Na rua, a Amarok 2015 dificilmente será reconhecia exceto se você cruzar com a versão Highline. E nela que está a maior novidade do exterior, um novo conjunto de faróis de xênon com luzes diurnas de LEDs integradas. O desenho do conjunto é o mesmo, mas o efeito é bem melhor. De resto é, praticamente, o mesmo veículo de antes.

Mas a Volkswagen decidiu aumentar o conteúdo, que já era um dos mais equipados do segmento. Agora todas as versões possuem o conjunto de recursos eletrônicos de segurança ativa que inclui ABS off-road, controles de tração, estabilidade e descida em rampa, além do assistente de partida em rampa – ficou de fora apenas o bloqueio mecânico do diferencial, que está presente apenas na Highline.

Há agora câmera de estacionamento na versão Highline assim como rodas aro 19 polegadas, sidebags, retrovisores com rebatimento elétrico e sistema Isofix.

Para quem nunca andou numa Amarok, esses adendos somados ao que já existe na picape só aproximam mais sua semelhança a um ‘automóvel com caçamba’. A picape é confortável, espaçosa e prática de guiar. A direção hidráulica e a transmissão automática são leves e precisas e o motor biturbo, com 180 cv, tem torque em praticamente qualquer rotação. Há, claro, um leve balanço atrás, comum nesses veículos, mas nada comparado às picapes de 10 anos atrás, por exemplo.

Desafio à gravidade

Com tantos recursos eletrônicos, fica difícil entender do que a Amarok é capaz, mas a Volks proporcionou uma experiência muito útil para termos essa percepção. Em uma pista off-road preparada para isso, a marca alemã demonstrou como a Amarok é capaz de inclinar cerca de 45% lateralmente, partir de rampas em que você parece desafiar a gravidade, e descer barrancos com o sistema de controle que freia o veículo automaticamente mesmo que você acelere – experiências para fazer seres humanos ‘normais’ suarem em bicas.

Dark Label

Além das novidades nas versões existentes, a Volks também lançou uma série especial com mil unidades que será vendida entre abril e novembro. É a Amarok ‘Dark Label’ que, apesar do nome, não tem nenhuma relação com algum tipo de whisky.

Ela é baseada na versão intermediária Trendline e traz alguns diferenciais no visual e no acabamento. Por fora, rodas aro 17 com desenho exclusivo, faróis de neblina e sensor de estacionamento dianteiro, sem falar em acessórios como estribos e santantônio, todos na cor preta, assim como outros detalhes.

Amarok Highline vs Trendline
Divulgação

Versão topo de linha, Highline passa a contar com faróis de xênon e luzes diurnas de LEDs

Por dentro, bancos com couro Alcantara, ar-condicionado digital e rádio com CD-player e Bluetooth – o preço, ainda não divulgado, deve ficar em torno de R$ 140 mil ou pouco mais de R$ 3 mil que a versão Trendline.

Numa categoria onde a Hilux, mesmo há 10 anos no mercado com a mesma geração , ainda faz bonito, não é de esperar pro grandes mudanças. A Amarok segue como a picape mais tecnológica do segmento, mas claro que isso hoje já não significa o mesmo que em 2010, quando chegou ao mercado. Ao menos agora, ela não é uma completa desconhecida.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

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