Assim como o Toyota Corolla é o líder com folga entre os sedãs médios, seu equivalente no patamar é o Chevrolet Prisma. De janeiro a setembro deste ano, o sedã compacto da Chevrolet foi a escolha de 48.287 pessoas, uma vantagem considerável frente aos 33.872 Hyundai HB20S emplacados no período, modelo que figura em segundo lugar no ranking. Seguindo os passos do Chevrolet Onix, que é o carro mais vendido do país, a gama formada por ele e o Prisma mostra que sabe captar muito do que o brasileiro procura em um carro. Mas qual é o segredo da dupla?

O AUTOO teve a oportunidade de avaliar o novo Prisma 2017, que recebeu um bom facelift tanto na parte externa quanto interna. Por fora, o novo Prisma já nos dá um bom sinal de um de seus atributos para cativar tanta gente. O design bem acertado, não por acaso outra qualidade também compartilhada pelo vice-líder HB20S, traz proporções corretas e ficou ainda melhor na linha 2017. Com uma nova grade frontal, um capô mais longo e inclinado e os faróis mais finos, quem olha o Prisma de frente nota um carro de aspecto mais esportivo. A sensação é realçada pelo terceiro volume não muito pronunciado, uma tendência entre os sedãs mais modernos. Logo, o Prisma é a prova de que não basta oferecer um bom conjunto mecânico ou bom espaço interno, como o Toyota Etios Sedã, o público brasileiro também faz questão de uma carroceria que faça bem aos olhos.

Por falar em espaço, o porta-malas com 500 litros de capacidade deixa pouca margem para críticas, atendendo com tranquilidade as necessidades de uma família. Na cabine, contudo, o Prisma poderia oferecer um pouco mais de área livre para as pernas dos passageiros no banco traseiro, bem como espaço para os ombros. Nesse ponto, ele está longe de se igualar a concorrentes como o já citado Etios Sedã ou o Nissan Versa. O Prisma também derrapa em alguns detalhes simples, como a posição do acionamento elétrico do vidro traseiro, o qual fica recuado demais e exige que o passageiro tenha que fazer uma ginástica com a mão para operá-lo.

Porém, se o espaço interno não impressiona, apesar de acomodar sem aperto 4 adultos, a lógica do Prisma em cativar pela beleza segue na parte interna. Na versão topo de linha LTZ, como a avaliada aqui, os bancos e laterais de porta contrastam revestimentos pretos e marrons, dando um aspecto mais nobre ao interior. Os plásticos são de boa qualidade, sem falahas de montagem aparente. Tudo isso cria um ambiente mais cativante a bordo do Prisma, longe da austeridade de um Etios Sedã, por exemplo, que apesar das melhorias recentes ainda não esconde a origem de um projeto de baixo custo onde tudo precisa ser economizado.

Bem sintonizado com as demandas mais recentes do público por equipamentos de conectividade, o Prisma LTZ 2017 sai de fábrica com a central multimídia MyLink com tela de 7” e compatível com os sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Em um mundo onde a gente praticamente não vive mais longe do celular, os softwares de integração com smartphones são fáceis de operar e também colaboram com a segurança, uma vez que permitem executar vários comandos por voz. O MyLink também agrega o rádio, conectividade por Bluetooth e entradas USB e auxiliar.

Não dá para esquecer de mencionar o OnStar, um prático serviço de telemática, que, além de ajudá-lo a chegar a seu destino na função navegador, também pode funcionar como uma secretária particular e realizar até reservas em restaurantes, por exemplo, na função Concierge ou ajudar em emergências e na localização do carro. O Prisma LTZ sai de fábrica com o pacote Exclusive do sistema, o mais completo deles, já habilitado.

O motor 1.4 segue com apenas 2 válvulas por cilindro, mas a mexida da Chevrolet no propulsor fez muito bem ao Prisma. Agora com o sobrenome SPE/4 ECO, o 1.4 de até 106 cv conta com novos pistões e bielas, passa a trabalhar com um óleo bem mais nobre, no caso um 0W20, e o módulo eletrônico está 40% mais rápido e potente. Somando a alteração em mais 100 componentes espalhados pelo carro inteiro, o Prisma 2017 ficou 33 kg mais leve e ainda ganhou em rigidez torcional.

Chevrolet Prisma LTZ 1.4 automático

  • Resumo

    Preço

    R$ 64.690

    Categoria

    Sedã compacto

    Rivais

    Fiat Grand Siena, Volkswagen Voyage, Hyundai HB20S

    Vendas em 2015

    69.905 unidades

  • Mecânica

    Motor

    1.4 8V, flex

    Potência

    106 cv (E) / 98 cv (G) a 6.000 rpm

    Torque

    13,9 kgfm (E) / 13 kgfm (G) a 4.800 rpm

    Transmissão

    Automática, 6 marchas

  • Dimensões

    Medidas

    4,28 m de comprimento, 1,70 m de largura, 1,47 m de altura e 2,52 m de entre-eixos

    Peso

    1.085 kg

    Porta-malas

    500 litros

Mantendo o câmbio automático de 6 marchas, o Prisma mesmo quando abastecido com gasolina ficou um carro com respostas mais espertas na cidade, uma melhoria bem-vinda. Quando carregado com 4 adultos mais bagagem, contudo, o Prisma ainda sente as limitações que os 13,9 kgfm de torque impõem. O Nissan Versa CVT, com seu 1.6 16V, nessas horas mostra-se um carro mais disposto graças aos 15,1 kgfm de torque.

Ao menos é inegável que o Prisma melhorou muito em um ponto onde ele já ia bem: o consumo de combustível. Segundo a GM, todas as melhorias no conjunto de motor e câmbio representaram uma redução de 22% no consumo em relação à linha anterior do sedã. Na versão LTZ automática, o Prisma registra médias de 8,1 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada, ambas com etanol, valores que sobem para 11,9 km/l e 14,7 km/l, respectivamente, com gasolina.

Além do motor, quem também ganhou uma boa atualização foi o conjunto de suspensão. O Prisma 2017 ficou 10 mm mais baixo para melhorar o comportamento em velocidades mais altas. No pacote ainda vieram novos cubos de roda e barra estabilizadora na dianteira. Ao volante o Prisma segue agradando e a suspensão mostrou-se competente para absorver as irregularidades do piso e não deixa o carro solto demais quando o limite de velocidade permite alcançar números acima dos três digitos no painel. Se você exagera na velocidade em uma curva o Prisma tende a subesterçar (a famosa “saída de frente”), o que facilita a correção da trajetória pois basta você aliviar o acelerador.

Com preço na média dos rivais, o Prisma é um carro que se destaca pelo bom conjunto no fim das contas. E esse é o seu ponto forte e grande parte da razão de seu sucesso. Ele não é o melhor em desempenho, ainda mais se o colocarmos ao lado de concorrentes como o Etios Sedã ou o Nissan Versa, porém é econômico, um atributo bastante valorizado. Com seu visual caprichado, bons recursos de conectividade e o interior mais sofisticado frente a média do segmento, o Prisma acerta em cheio nos quesitos mais desejados por quem compra um sedã médio. Com os aprimoramentos da linha 2017, ele tem tudo para manter-se com folga na posição mais elevada do ranking de vendas.

Ok, ele é bom. Mas vale a pena colocar meu dinheiro nele? O Prisma é um carro bem mais emocional do que racional, valorizando aspectos subjetivos que podem ser decisivos na hora da compra, como um belo design e interior refinado. Dentro do segmento, porém, vale a pena você optar pelo Toyota Etios Sedã se quer um carro com baixo custo de manutenção e uma mecânica robusta, apesar de não ser uma das mais modernas no mercado (seu câmbio automático tem apenas 4 marchas, por exemplo). Já se o item preponderante para você é espaço interno, o Nissan Versa é imbatível. Ele também conta com motor mais potente e com o maior torque do segmento, o que é bom se você anda com o carro carregado a maior parte do tempo e faz o uso dele em estradas com frequência. 

 
 
Chevrolet Prisma 2017
 
Chevrolet Prisma 2017
Chevrolet Prisma 2017
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Chevrolet Prisma 2017
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Chevrolet Prisma 2017
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Chevrolet Prisma 2017
Chevrolet Prisma 2017
 
 

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo |