Com uma economia em ebulição, a China atualmente é um ótimo destino para qualquer produto. Afinal de contas o país tem mais de 1,3 bilhão de habitantes, sendo mais de 300 milhões de pessoas inseridas somente na classe média, justamente o grupo que vem devorando a oferta de carros no país. Por isso, não é de se espantar que os salões realizados na região já são tão importantes quanto as tradicionais mostras de Frankfurt ou Detroit.

O Salão de Xangai é realizado desde 1985 e intercala a cada ano com o Salão de Pequim, outro evento que se destaca cada vez mais. Na edição deste ano, a 14ª da história, a tônica foram as importantes estreias mundiais de uma série de automóveis de marcas tradicionais como Audi, BMW, Volkswagen e GM. Houve também a apresentação de protótipos de fabricantes requintadas, como Mercedes-Benz e Volvo, e reapresentações de carros recém-lançados que deram o que falar na Europa, como a Ferrari FF e o Lamborghini Aventador.

O principal lançamento de Xangai é o novo VW Beetle, que assume o posto da primeira releitura do clássico Fusca. Ainda na onda das gerações atualizadas, Nissan e Chevrolet apresentaram os novos Tiida e Malibu que, além do fôlego renovado, também ganham mais importância no mercado mundial com estratégias especiais de vendas e produção. Já a Audi mostrou na China a porta de entrada para os seus SUV, o Q3.

A maior prova, no entanto, do crescimento da importância das feiras chinesas é o fato de que o número de novidades que virão para o Brasil ter crescido significativamente a ponto de quase desbancar alguns salões ocidentais. Dessa nova safra surgida em Xangai podemos apontar o Beetle, o Tiida, Malibu, Q3, Rio e o DS5, como nomes certos nas concessionárias nacionais a médio ou curto prazo.

Prata da casa

No entanto, o país que tanto se destaca pelo crescimento exponencial de sua indústria teve poucas inovações partindo das fabricantes locais, que já são mais de 30 (com volume de produção significativo). Alguns dos poucos movimentos registrados foram de empresas melhor estabelecidas na região, como Geely, Brilliance, Roewe e Lifan, nomes presentes ou já cogitados no Brasil.

A Brilliance, a “BMW chinesa” como é conhecida por conta de sua parceria com a marca alemã, teve como grande destaque em Xangai o sedã 530, que segundo a própria fabricante trata-se de seu primeiro veículo global. Ou seja, será vendido em diversas partes do globo (o Brasil é uma possibilidade). Tem motor 1.5 com turbocompressor e sistema de injeção direta de gasolina para gerar 136 cv. Moderno, não?

Já Gelly, Lifan e Roewe (antiga Rover inglesa) apostaram em SUVs. A primeira trouxe ao evento o GX6, numa demonstração de originalidade e ousadia. O visual do carro, porém, não seria muito bem digerido por aqui, mas desce como mel na China. As outras duas marcas têm soluções mais tradicionais: o Lifan X60 e o conceito W5, uma releitura mais ousada do SsangYong Kyron, modelo base do projeto.

Entre poucas novidades chinesas, o Salão de Xangai 2011 ao menos teve o nascimento de mais uma marca local, algo que já é praxe nos salões pelo país. A estreante é a Venucia, uma bandeira criada pela Dongfeng (um dos maiores grupos industriais da China) com ajuda da Nissan. Até o momento o único veículo da nova empresa é um sedã (que tem o mesmo nome da marca), que chega ao mercado chinês no começo de 2012.

O Salões na China servem como um termômetro para avaliar a qualidade e o avanço das fabricantes locais no segmento automobilístico. Pelo que se vê em Xangai, os chineses ainda têm muito o que evoluir no setor. Ao menos, ao que tudo indica, eles já estão no caminho certo. Muito diferente da realidade brasileira. Alguém se lembra de um lançamento mundial promovido no Salão do Automóvel de São Paulo?

Thiago Vinholes

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