Especialistas em marketing sabem de cor que quem determina o preço de um produto é o público. Cabe às marcas apenas descobrir o famoso “quanto ele vale”. Por esse raciocínio, estipula-se o valor cobrado por um teto e espera-se a reação do público.

Peguemos o caso da Honda. Ao lançar o “aventureiro” WR-V, um derivado do Fit, a montadora mirou alto, cobrando R$ 80 mil por um veículo compacto com recursos até modestos. Mas a imagem da marca japonesa foi suficiente para fazê-lo viável comercialmente. Em outra marca com menos prestígio, o WR-V certamente custaria bem menos.

E quanto à Fiat? A marca italiana, que já foi líder no Brasil por vários anos, experimenta um período de vacas magras. Seus veículos envelheceram e o público anda buscando produtos mais atraentes e vistosos. Para reverter a queda, a fabricante lançou três novos nomes no mercado, um de sucesso, a picape Toro, outro razoavelmente bem aceito, o pequeno Mobi, e agora o Argo, nova proposta de hatch compacto.

Como você viu aqui no AUTOO, o Argo agradou nas versões 1.8 e 1.0, mas restava saber se a versão intermediária, 1.3 Drive, também correspondia à expectativa.

De encher os olhos

Bem, como dissemos no começo do texto, uma marca tenta descobrir quanto o público está disposto a pagar por seu produto e com o Argo, a Fiat arriscou cobrar mais pelo modelo. Não que ele não traga atributos para isso, mas por ser um carro novo e sem histórico é impossível saber se tanto o emocional quanto o racional vão ver esse valor no carro.

É o caso do Argo 1.3 com câmbio manual. Seu preço é um pouco mais alto do que o Onix LT 1.4, seu principal rival. Porém, ele fica atrás em alguns recursos que são opcionais mas que deveriam ser de série, como as rodas aro 15 de liga leve – o hatch vem de série com pequenas rodas aro 14 de aço.

Ou seja, com todos os três kits opcionais (além das rodas, vidros elétricos na traseira, retrovisores também elétricos e sensor e câmera de estacionamento), o Argo 1.3 custa mais que o Onix LTZ 1.4. A questão é que, embora bem melhor equipado, ele é uma incógnita frente a um modelo consagrado no mercado.

Por enquanto as vendas do Argo estão razoáveis: a média tem sido de pouco mais de 4 mil unidades por mês, ou seja, um quarto do que vende o Onix e menos da metade do HB20. Mas, se depender da versão Drive 1.3 essa situação deveria ser menos desequilibrada.

Equipado com o motor Firefly de quatro cilindros já conhecido no Uno, o Argo 1.3 é o mais equilibrado da linha. Isso porque segue sendo econômico (9,2 km /l de etanol na cidade) e não decepciona no desempenho.

Não parece mas é plástico

No primeiro contato que tive com o Argo foi possível ver que a Fiat mesclou alguns traços trazidos pela Toro e, consequentemente, pitadas da Chrysler, com partes que ainda lembram seus carros anteriores. O Argo tem linhas atraentes sem abusar de cromados ou vincos como outros modelos.

O interior é o que mais impressiona: o painel de traços complexos dá a entender que você está num carro que usa vários materiais diferentes mas basta uma batidinha nas peças para ver que são plásticos mas com texturas diferentes.

A versão 1.3 tem menos elementos “Jeep” e mais “Fiat”: o ar-condicionado manual é um deles. Mas a bela e eficiente central multimídia UConnect domina o console e já dá o recado que o hatch tem seus trunfos.

 

 

Outra boa novidade é o painel de instrumentos com a tela TFT central. Eficiente, claro e sem modismos como em outros tempos. Já o espaço interno é bem mais amplo do que pensei. Atrás a largura é praticamente a mesma do finado Bravo, um hatch médio.

Ponto negativo fica para o revestimento simples dos bancos. A impressão é de fragilidade, mas ainda assim não comprometem a aparência geral. A ergonomia também é das mais apuradas. Você se encontra rapidinho no banco do motorista e a distribuição e posição dos botões e acionadores é natural. Há bons porta-objetos e duas entradas USB, uma para cada fileira.

O porta-malas, de 300 litros, é adequado e possui botão elétrico ou por meio da chave – o Argo também traz Isofix para cadeiras infantis.

Silêncio a bordo

Até aqui, o Argo já lhe conquistou mesmo parado, mas será que rodando ele deixa a desejar? Pelo contrário. A Fiat soube calibrar a dirigibilidade do hatch compacto para que a experiência seja confortável. A direção elétrica é leve e precisa, a suspensão roda macia, mas sem ser mole e o silêncio a bordo é o ponto mais alto do conjunto.

Ou seja, bastaria apenas um bom motor para que o resultado ficasse acima da média e o Firefly 1.3 litro de 109 cv com etanol cumpre sua parte, como dissemos. Com pouco mais de 14 kg de torque a 3.500 rpm, o propulsor consegue unir um desempenho satisfatório com economia, ou seja, ele responde bem em retomadas e suporta uma viagem com quatro ocupantes e bagagem sem grandes perdas de performance.

Tudo seria melhor se o câmbio manual da Fiat tivesse evoluído na mesma toada, porém, a marca continua a oferecer uma transmissão de engates longos e cansativos. Uma pena.
Também cairia bem uma direção um pouco mais direta e uma suspensão mais firme em algumas situações, mas é a proposta do carro: ser confortável e previsível.

 
 
Fiat Argo 2018
 
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Melhor que o Onix

Depois de andar no Argo 1.3 fica fácil cravar: ele é melhor que o Onix 1.4, mesmo com o modelo da Chevrolet oferecendo um câmbio melhor. O carro da Fiat é mais espaçoso, econômico, bem melhor acabado e com uma central multimídia tão boa quanto a MyLink. Mas a lista de itens de série merece as rodas aro 15 e alguns confortos como o sistema de auxílio ao estacionamento.

Com eles e um preço um pouco mais baixo (que pode ser obtido numa boa negociação), o Argo deve agradar mais gente. Só falta mesmo o público descobrir isso.

Ficha técnica

Fiat Argo 2018 Drive 1.3 8V flex manual 4p
Preço R$ 53.900 (09/2017)
Categoria Hatch compacto
Vendas em 2017 13.165 unidades
Motor 4 cilindros, 1332 cm³
Potência 101 cv a 6000 rpm (gasolina)
Torque 13,7 kgfm a 3500 rpm
Dimensões Comprimento 3,998 m, largura 1,724 m, altura 1,501 m, entreeixos 2,521 m
Peso em ordem de marcha 1140 kg
Tanque de combustível 48 litros
Porta-malas 300 litros
Veja ficha completa

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |