Por muito tempo foi difícil ter tudo – ou pelo menos a maior quantidade de qualidades possíveis – em um mesmo carro. Se você quisesse bom desempenho, o consumo era alto. Se quisesse um carro prático para o dia a dia e econômico, precisava partir para um compacto. Mas aí a tecnologia vai evoluindo, a engenharia criando cada vez mais soluções inovadoras e eis que a Toyota surpreende o mundo a lança o primeiro carro híbrido em 1997 e logo ele cai nas graças do público.

Ao longo de 20 anos o Toyota Prius já soma 5,7 milhões de unidades vendidas ao redor do mundo, muitas delas em países do primeiro mundo. Enquanto aqui nós sequer nos dávamos conta desse tipo de carro, mercados como Europa, EUA e Japão perceberam a racionalidade que carros desse tipo proporcionam não só graças ao menor uso de combustíveis fósseis, como também a emissão bem menor de poluentes, e trataram de criar políticas que incentivassem a compra de automóveis “verdes” como o Prius.

No Brasil as coisas ainda engatinham, com a administração federal começando a enxergar a necessidade de facilitar o caminho para que os carros elétricos e híbridos, que se tornarão cada vez mais populares a partir da próxima década, também coloquem suas rodas por aqui. Medidas importantes foram anunciadas no fim de 2015, como a retirada do imposto de importação para veículos elétricos ou a célula de combustível. Até então o tributo era de 35%. Na mesma resolução também foram beneficiados os híbridos como o Toyota Prius, que pagariam de zero a 7% de imposto dependendo da cilindrada e nível de eficiência. Para quem mora na cidade de São Paulo, a boa notícia é que a bordo do Prius você fica isento do rodízio de veículos e tem uma devolução de 40% do IPVA. Já no Rio de Janeiro, a alíquota do IPVA paga pelos híbridos é de 1,5%.

É nesse cenário que a quarta geração do Toyota Prius desembarcou por aqui em 2016. E não tem como não se apaixonar pelo Prius ao primeiro encontro. Tudo bem que as formas nada convencionais de sua carroceria, na qual prevalecem formas triangulares, podem representar a alegria de uns ou a repulsa de outros, mas faz parte do jogo, afinal tudo nele é pensado para economizar combustível e conseguir um excelente coeficiente aerodinâmico de 0,24. Além disso, é inegável que o Toyota Prius não roda por aí sem chamar a atenção.

E como é agradável rodar por aí com o Prius, em especial se você não gosta de parar no posto de gasolina (e com o preço atual do combustível quem gosta, não é mesmo?). Segundo os números oficiais, o Prius alcança médias de 18,9 km/l na cidade e 17 km/l na estrada, porém, durante o período de avaliação do AUTOO, registramos com folga uma parcial de 20 km/l em uso urbano, mesmo com o ar-condicionado ligado e dirigindo normalmente. Considerando o tanque de gasolina para 43 litros e esse ritmo de consumo, alcançamos uma invejável autonomia de 860 km.

E é sempre bom lembrar, caso alguém ache que os números estão trocados, um carro híbrido sempre tende a ter o menor consumo registrado na cidade, ao contrário do que ocorreria em um carro convencional, onde o ciclo rodoviário é mais eocnômico. Isso ocorre porque em carro híbrido o motor elétrico trabalha muitas vezes sozinho para movimentar o carro, poupando o propulsor a combustão. Aliás, essa é uma boa sacada do novo Prius, que passa a oferecer uma função “EV mode”, um modo que, quando selecionado prioriza o uso do motor elétrico, desde que as baterias estejam com carga suficiente e velocidade não exceda 50 km/h.

Esse excelentes números de consumo também são alcançados com a nova geração do sistema híbrido usado pelo Prius. O motor 1.8 16V, que trabalha no ciclo Atkinson, consegue entregar uma eficiência térmica máxima da ordem de 40%, uma das melhores entre os motores a combustão produzidos no mundo. Para isso ele conta um bom re-aproveitamento dos gases de exaustão (EGR), além de uma melhora do fluxo de ar dentro dos cilindros.

O eixo da transmissão automática, que segue do tipo CVT, e o motor elétrico foram redesenhados para reduzir o peso. Só o motor elétrico, por sua vez, conta com uma redução de 20% nas perdas por fricção. O software do sistema híbrido também foi atualizado, garantindo passagens ainda mais suaves entre os modos de propulsão elétrica ou combinada. A potência combinada dos Prius atinge 123 cv, suficientes para levar o híbrido de 0 a 100 km/h em 11 segundos, segundo dados da Toyota.

Para quem ainda tem algum receio com os carros híbridos, é bom deixar claro que você não sente qualquer tranco ou incomodo quando o sistema alterna os modos de condução. É tudo tão suave quanto acariciar um gato persa. A vantagem, em especial quando você consegue rodar somente com o motor elétrico, é o silêncio a bordo.

Mesmo na estrada ou carregado, o Prius não é um carro lento, muito pelo contrário. Quando roda no modo “Power”, o sedã torna-se bem esperto para qualquer ultrapassagem ou situação que você busque mais desempenho. No rodar, a suspensão (também aprimorada) não assusta e é muito confortável na cidade. Aqui também conta a favor a estrutura mais rígida e leve.

Primeiro modelo com a nova plataforma TNGA (Toyota New Global Architecture), o Prius segue oferecendo ótimo espaço interno, suficiente para levar 4 adultos e uma criança com conforto. O porta-malas, por mais que possa enganar quando você abre a generosa tampa, tem capacidade para 412 litros de bagagem, um pouco inferior ao de um sedã médio, mas que nem por isso pode ser considerado pequeno. Para o uso familiar o Prius mostra-se muito bem acertado.

Sem a pretensão de ser um carro de luxo, o nível de acabamento do Prius é muito bom, bem como os materiais usados no interior. O destaque no console central fica por conta do sistema de carregamento de celulares por indução, desde que seu aparelho seja compatível com a tecnologia. Outro ponto que chama a atenção no Prius é a sua boa qualidade de montagem, sem ruídos de rodagem ou acabamento perceptíveis pelos passageiros.

A troca de plataforma fez bem ao híbrido, que, além de maior, agora com 4,54 m, também ficou 15 mm mais largo e 20 mm mais baixo. Por dentro, a cabine ganhou 15 mm de comprimento e 20 mm na largura. Outra evolução da quarta geração do Prius está no conjunto de baterias, que foi deslocado do porta-malas para a parte inferior direita do banco traseiro, o que permitiu, de acordo com a Toyota, baixar o centro de gravidade e melhorar a estabilidade do Prius.

Por R$ 126.600 o Prius não é barato, mas faz bonito na lista de equipamentos. Além do que já foi citado ao longo do texto, ele também traz os controles de estabilidade e tração, 7 airbags, ar-condicionado digital com 2 zonas, chave presencial com partida por botão, revestimento interno de couro com aquecimento para os bancos dianteiros, piloto automático e uma central multimídia bem completa, com navegador integrado, câmera de ré, TV digital e reprodutor de DVD. Ainda fazem parte do pacote o head-up display colorido e um competente sistema de som projetado pela JBL com 4 alto-falantes e 6 tweeters.

O computador de bordo também é muito completo e pode oferecer uma lista diária ou semanal com a distância percorrida e o consumo médio. Já a função Eco Wallet permite calcular o custo com combustível de acordo com o consumo em uma única viagem ou ao longo de cinco meses. Para quem é preocupado com as despesas, as revisões do Prius até 60.000 km totalizam R$ 3.395, quase o mesmo que o cobrado por um Toyota Corolla no mesmo período (R$ 3.104). 

Econômico, espaçoso, confortável, bem-equipado, agradável de dirigir... não faltam adjetivos para classificar o Prius, sem dúvida nenhuma um dos carros mais completos e racionais que o dinheiro pode comprar. Com um projeto ainda mais caprichado, o híbrido está mais do que aprovado em sua quarta geração e é um dos poucos carros novos que podemos dizer que vale a pena o preço pelo que entrega. Se você tem esse orçamento disponível, vale a pena optar por ele.

 
 
Toyota Prius 2016
 
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Subaru WRX STI 2018
 
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César Tizo |