O Trabant foi assim por dizer a antítese do que se pensa de um bom carro. O modelo, fabricado aos montes nos países da antiga “Cortina de Ferro”, era pequeno, pouco potente, pesado, desconfortável e poluente. Sua virtude era a resistência afinal uma família dos tempos do comunismo o teria como um filho tão longo o tempo que ele passaria com ela.

Quando o muro caiu foi como se os blocos enterrassem definitivamente o Trabant, que virou até tema de um álbum do grupo irlandês U2. Alguém imaginaria que quase 20 anos depois, uma empresa alemã decidisse continuar a saga do enxuto carrinho?

Foi o que fez a Herpa, uma fabricante de miniatura de carros, literalmente uma ironia. Mas a ideia é completamente diferente e pouco restará de ligação entre o original e o novo Trabant: apenas o nome e alguns elementos visuais.

O novo Trabant, para começo de conversa, será mais espaçoso, moderno, com carroceria notchback e uma causa ecológica. Nada de motor a gasolina ou diesel, no lugar dele um motor elétrico capaz de levá-lo a 250 km de distância.

Tudo não passa ainda de boa intenção. Embora tenha os direitos sobre o Trabant, a Hera não tem dinheiro para desenvolver o projeto todo. Por isso mostrará um conceito no Salão de Frankfurt na esperança de tocar o coração de algum investidor saudosista do modelo, coisa meio difícil de imaginar.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/