O segmento de carros com motor 1.0 já havia mudado de patamar em 2014 ao ganhar os primeiros motores de última geração e 3 cilindros, que arrebataram os melhores índices de economia nas medições de consumo do Inmetro, além de possuírem um desempenho bem melhor que o de motores de mil cilindradas mais antigos.

Hyundai-Kia, Ford, Nissan e Volkswagen são atualmente as marcas que vendem modelos com propulsores desse tipo, mas a montadora alemã agora deu um passo à frente que promete revolucionar o mercado de automóveis no Brasil, o primeiro motor 1.0 TSI nacional.

Por ‘TSI’ leia-se um bloco com 3 cilindros, injeção direta de combustível e turboalimentação. Isoladamente, esses aspectos já existem no país, mas nunca num único projeto e produzido no Brasil.
A novidade estreia no compacto up!, mas será estendida a outros modelos compactos da Volks.

Melhor que um motor 1.6 aspirado

Mas, afinal, o que o novo motor significa na prática? A resposta é quase mágica: potência e torque superior ao de um motor 1.6 comum e consumo menor que o de qualquer outro motor 1.0 do mercado. Ou seja, é o carro mais econômico do país, mas com respostas melhores que a de propulsores bem maiores.

São 105 cv de potência com etanol, 28% a mais que o 1.0 3 cilindros que equipa o up! atualmente. Mas é no torque que o motor TSI se destaca. Graças ao turbo e à injeção direta, ele oferece 16,8 kgfm de torque já a 1.500 rpm – 62% acima do irmão aspirado.

 
 
Volkswagen Speed up! 2016 Volkswagen Speed up! 2016
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Para conseguir esse feito, o novo motor utiliza, de fato, o que há de mais avançado em tecnologia no mundo. Bicombustível, ele dispensa tanquinho, tem comando de válvulas variável tanto de admissão quanto de escape, bloco e cabeçote de alumínio e um turbocompressor capaz de rodar mais de 100 mil km.

A prática, o up! TSI consegue acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 9,1 segundos – 3,3 segundos a menos que up! aspirado. E o mais espantoso, ele consegue rodar 11,1 km com um litro de etanol, 1.200 metros a mais que sua versão 1.0 normal.

Foco na economia

Um motor 1.0 turbo não é algo inédito no Brasil. A própria Volkswagen estreou a tecnologia no início dos anos 2000 no Gol 1.0 16V Turbo, que teve vendas discretas. Mas o motor, focado em desempenho, era bem mais rudimentar que o TSI e não contava com várias tecnologias hoje possíveis. Segundo Roger Guilherme, gerente de desenvolvimento de motores da Volks, “o TSI nasceu focado em eficiência, por isso os níveis de consumo baixos e o torque elevado” – Gol, por exemplo, sofria para ‘encher’ o turbo em baixas rotações.

Economia de R$ 40 por mês

A chegada do motor 1.0 turbo com injeção direta segue a tendência mundial de ‘downsizing’, um movimento que busca reduzir o volume dos motores e compensar essa perda natural com tecnologia avançada. A própria VW já vende no país uma versão maior desse motor, o 1.4 TSI, que equipa o Golf e que também será flex em setembro. A ideia é que um motor 1.0 como esse faça o papel de motores 1.4 e 1.6 enquanto propulsores turbo 1.4 o de versões 2.0 convencionais e assim por diante.

Outra boa surpresa é que o novo motor não será uma opção apenas para versões mais equipadas do up! ou mesmo esportivas. A ideia é torná-lo acessível na linha e, por isso, apenas o Take up!, versão de entrada, não terá esse propulsor.

Ou seja, o 1.0 TSI pode ser comprado a partir do Move up!, que sai por R$ 43.490, R$ 3 mil reais a mais que o up! aspirado com a mesma configuração. Alguém que rode 2 mil km por mês num percurso que inclui cidade e estrada economizará cerca de R$ 40 por mês em relação ao up! aspirado. Em cerca de seis anos, seria possível em tese recuperar o investimento extra e ainda desfrutar de um carro mais potente e agradável de dirigir.

Fio da navalha

A ousadia da Volkswagen não é gratuita. A fabricante alemã passa por um momento delicado no Brasil, onde perdeu participação significativa de mercado nos últimos anos. O Gol, antes o líder isolado em vendas, ocupa hoje uma modesta 5ª posição no ranking e o próprio up! não teve a recepção esperada pelo público, por conta da impressão de ser um carro de categoria inferior em tamanho aos seus concorrentes.

Por essa razão, o novo motor TSI trata-se de um contra-ataque da Volks para recuperar espaço no segmento mais vendido do Brasil, o de compactos. A jogada, no entanto, embute um certo risco: “acreditamos que os consumidores das grandes cidades entenderão e valorizarão o conceito desse motor, mas há uma parcela da clientela que ainda não sabemos se vai comprar a ideia que um motor 1.0 é capaz de ser melhor que um motor maior”, disse um executivo da marca ao AUTOO.

Apesar disso, a tecnologia veio para ficar. Com a adoção do programa Inovar-Auto, as marcas precisam atingir níveis de eficiência energética mais elevados e isso só será conseguido com projetos mais modernos. A Volks sabe, no entanto, que a primazia do motor TSI deve durar pouco – suas rivais certamente já acionaram seus departamentos de desenvolvimento para responder ao passo à frente dos alemães.

Por enquanto, ao menos em eficiência, a Volkswagen agora está bem à frente da concorrência.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/