Quem circulou pelo Salão do Automóvel nos últimos dias certamente notou como os SUVs dominam a cena no evento. Ele está em todos os estandes, seja da chinesa Lifan, de vendas discretas, seja na Volkswagen, marca que só agora revelou o T-Cross, um modelo compacto para brigar no segmento mais volumoso.

Sim, quase todo mundo quer um utilitário esportivo na garagem hoje em dia afinal a compra de um automóvel é uma atitude em que o peso emocional é muito grande. Mas a grande pergunta é: ele se justifica? O SUV (sigla para Sport Utility Vehicle) é um carro que corresponde tanta paixão?

Para mostrar um pouco dos dois lados desses veículos resolvi fazer a famosa lista a favor e também contra eles.

5 razões para ter um SUV

Altura – embora alguns modelos nem seja assim tão elevados é na posição mais alta que o SUV se difere de hatches, sedãs e peruas. E isso é bom. Os carros nasceram mais altos e ficaram baixinhos depois por conta da busca por uma maior eficiência aerodinâmica e também porque já foi cool ter um automóvel colado no chão. Hoje deixou de ser para muita gente e por uma boa razão: acessar um veículo mais alto é bem mais fácil. Com uma posição elevada, o motorista consegue enxergar melhor o trânsito o que reflete numa direção mais segura.

Conforto – Novamente um benefício da altura. Ao ter uma cabine mais vertical, o SUV permite uma postura mais adequada para os ocupantes, ou seja, mais confortável.

Mais espaço interno – Esse aspecto não é uma regra, mas um bom SUV pode sim oferecer mais espaço afinal ele possui uma carroceria mais volumosa. Mas há modelos que devem nesse sentido.

Distância do solo – Sim, num país com estradas esburacadas e valetas profundas ter um veículo com distância maior do solo faz diferença. Quase todos os SUVs e aventureiros trazem esse diferencial e alguns possuem também os chamados ângulos de entrada e saída maiores que facilitam o deslocamento por pisos irregulares. É a quase certeza de não escutar aquele incômodo raspão.

Status e notoriedade – Claro que isso vale para quem se preocupa em posar para o vizinho, amigos, família ou na empresa. Mas é fato: os utilitários esportivos gozam de um prestígio que poucos modelos têm hoje, não há como negar.

Fit e WR-V
Divulgação

5 razões para fugir de um SUV

Preço salgado – O último argumento favorável vira negativo aqui. Por serem tão desejados e trazerem esse status de veículos mais capazes, os SUVs custam caro. Um modelo compacto dificilmente sai por menos de R$ 80 mil e certamente deixará a dever em matéria de equipamentos, motor e outros itens a carros similares de outra categoria. É o mal do sucesso.

Desempenho aquém – Eles estão melhorando mas não existe como realizar um milagre. Os utilitários esportivos são pesados, têm aerodinâmica deficiente por conta das formas retas e são calçados com pneus imensos. O resultado pode ser um consumo alto de combustível caso ele tenha um motor mais potente ou um desempenho pífio se o propulsor for menor, para não torná-lo um visitante constante dos postos.

Base de carros simples – Essa vale para os mais populares SUVs compactos. Eles são um achado para as montadoras afinal, com raras exceções, tratam-se de plataformas simples e despojadas que ganharam carroceria no formato “jipinho” para atrair um público que não os comprava como hatch, monovolume ou sedã. É o “Santo Graal” da indústria automobilística: paga-se mais por um veículo de suspensão básica, motor muitas vezes comum e equipamentos que não são muito diferentes em outros modelos da mesma faixa de preço.

Gasto extra de combustível – Como disse antes, o SUV não é um carro eficiente. Não acredita? Então vamos pegar como exemplo dois modelos quase idênticos no que oferecem, mas um é um monovolume e o outro teve a frente alterada para parecer com um SUV. O Fit e o WR-V compartilham muitas coisas como espaço interno e motorização, mas andar com o segundo significa gastar em média 25 reais extras com consumo a cada mil quilômetros rodados.

Mesmo tendo o mesmo motor 1.5 e câmbio CVT o WR-V tem números inferiores de consumo que o Fit. Agora imagine um HR-V, que precisa de um motor 1.8 para suportar o peso extra, mas tem um interior com dimensões parecidas com o Fit? É jogar dinheiro pela janela.

Ser um SUV ou não – O maior argumento para não levar um SUV para casa é uma questão shakespeariana: se queremos um SUV de verdade por que compramos modelos que não têm a mínima vocação off-road? Mas e se não buscamos nenhum comportamento de um veículo fora de estrada para que levar um automóvel que só se parece com ele? O único pretexto racional é uma posição alta de dirigir mas esse aspecto não é exclusivo dos SUVs. Ou seja, na maior parte dos casos não precisamos de um utilitário esportivo na garagem.

Democracia acima de tudo

Como se vê há motivos para amar ou detestar os SUVs, depende do como enxergamos esse tipo de veículo. Há quem realmente faz uso desses modelos, inclusive os mais tradicionais, capazes de corresponder ao que se espera deles. O importante é que respeitemos a escolha diferente da nossa mesmo que ela pareça absurda frente aos nossos olhos.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/