Ela é o “Chevrolet Onix americano”, com o perdão de citar a maior concorrente da Ford. Mas a picape F-150, assim como o hatch compacto nacional, é o veículo mais vendido em seu país de origem, os EUA. E isso há muitas décadas. Parece absurdo, mas os americanos veneram essas picapes médias (grandes para nós) a ponto de se poder afirmar que são mais automóveis com caçamba que utilitários – embora para muitos clientes essa função também seja importante.

Este ano, por exemplo, a Série F, que reúne a F-250, F-350 e a própria F-150, já vendeu 750 mil unidades até outubro, ou mais de quatro vezes o que emplaca o glorioso – e bem mais barato – Onix. Então por que não explorar esse potencial em outros mercados? Pois é isso que a Ford está estudando em relação ao Brasil. Embora a marca negue, sabe-se que a vinda da versão Raptor, de alto desempenho, não foi a passeio no Salão do Automóvel. A montadora pensa sim em vende-la no país, só não sabe exatamente quando.

“É preciso saber o momento certo para trazer um veículo como esse para cá. Como é necessário um investimento para dar suporte a ele você tem que pensar no longo prazo, quando uma geração tem perspectiva de permanecer no mercado por um bom período”, confidenciou um funcionário da fabricante ao Autoo.

Bons motivos não faltam para trazê-la ao Brasil. O primeiro deles é que sua rival, a RAM, tem um bom desempenho de vendas por aqui, com expectativa de emplacar cerca de mil unidades em 2018. A própria F-150 é presença constante nos emplacamentos no país, trazida por importadores independentes. Autoo apurou que 17 unidades haviam sido importadas até outubro, quase todas da versão Raptor

A outra boa razão está na fabulosa procura pelo Mustang desde que a Ford decidiu importá-lo de forma oficial. Já são quase 900 unidades vendidas este ano, um completo domínio da categoria por enquanto.

 

 

Sala de estar

Mas o que o consumidor pode encontrar na F-150? Uma picape com conforto equiparável a de um automóvel se a versão Raptor for a escolhida. Preparada pela Ford para alto desempenho em ambiente off-road, ela também agrada no asfalto com seus enormes amortecedores capazes de torná-la um tapete voador.

O motor 3.5 V6 a gasolina, com 450 cv de potência e quase 70 kgfm de torque, tem um funcionamento suave e ao mesmo tempo valente, bem diferente de alguns turbodiesel barulhentos. É claro que o consumo deve ser proibitivo, mas que é bem mais agradável isso não há como negar.

A Raptor possui alguns recursos que você nem imagina numa picape como modo de condução esportivo e até paddle-shifts atrás dos volantes. A suspensão é independente nas quatro rodas e os pneus, com rodas aro 17, são de uso misto.

A sensação ao dirigi-la na terra, durante um breve test-drive, é de estar a bordo de um imenso automóvel com altura do solo impensável. Já o espaço a bordo é comparável ao de uma sala de estar.

Obviamente, a F-150 Raptor é um capítulo à parte no portfólio da picape, que conta também com versões a diesel e voltadas mais ao trabalho. O preço da Raptor também é mais salgado, a partir de 55 mil dólares que, acrescidos de impostos e custos para importação, certamente colocariam a picape da Ford possivelmente na casa dos R$ 300 mil altos, se não mais – para comparação, a RAM Laramie custa R$ 264 mil.

Caso decida de fato importá-la para o Brasil, a Ford fará justiça com a F-150, um veículo que há muito tempo atrai a atenção do consumidor brasileiro obviamente mais abastado mesmo que ele represente talvez um milésimo da demanda dos EUA.

 
 
Ford F-150 2018
 
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
 
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
 
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
 
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
 
Ford F-150 2018
Ford F-150 2018
Ford F-150 2019
 
Ford F-150 2019
Ford F-150 2019
 
 
Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/