Carro mexicano continua a ter venda limitada no Brasil

Novo acordo assinado pelo governo brasileiro e mexicano prevê cotas até 2019. Modelos como CR-V, Fusion e Tracker, mesmo mais em conta, permanecerão difíceis de comprar

Ford Fusion 2015 | Imagem: Divulgação

O governo brasileiro assinou nesta segunda-feira, 09, a renovação do acordo de cotas de importação de veículos entre o Brasil e o México. O documento anterior venceria no dia 19 e automaticamente eliminaria o limite de importação hoje vigente para qualquer volume de produtos. Apesar da insistência dos mexicanos, que queriam retomar o livre comércio, o Brasil manteve o bloqueio, que evita um desequilíbrio na balança comercial.

Como são mais baratos de produzir, os automóveis e utilitários mexicanos poderiam chegar ao Brasil com preços bem mais competitivos como ocorreu até a instituição do acordo, em 2012. O novo documento prevê cotas progressivas até 2019, mas no primeiro ano de vigência o valor, de US$ 1,56 bilhão, é inferior ao que vigorava nos últimos 12 meses. O novo acordo, no entanto, prevê uma mudança nos critérios de divisão da cota. Agora, o país exportador decidirá qual a participação de cada marca exportadora e 30% cabe ao país importador. Hoje cada nação decide quem pode e quanto pode exportar. Com a regra anterior,  o México privilegiava a Nissan, que é a marca com maior volume possível de ser importado sem pagar impostos. Mas até mesmo a montadora japonesa reduzirá sua importação já que o sedã Versa começou a ser fabricado no Brasil.

Na prática, essa medida manterá caros e distantes do Brasil modelos que hoje não têm grandes chances de terem sua produção iniciada aqui. Estão nessa situação sedãs como o Fusion, Sentra e SUVs como o Tracker e o CR-V. Com a nova regra, a Nissan pode perder um pouco de força, mas nada que possa permitir que a demanda do público fale mais alto. 

Acordo chegou a ser favorável ao Brasil

Quando foi instituído, em 2002, o acordo de livre comércio foi benéfico para ambos os países já que o real estava desvalorizado e os modelos compactos eram exportados com facilidade para o México – inclusive o Gol, que teve um sucesso esporádico. Em contrapartida, os mexicanos enviavam para cá veículos mais sofisticados produzidos com foco principal nos Estados Unidos, graças ao NAFTA, o mercado comum norte-americano.

A situação mudou em 2011 quando a balança se desequilibrou e os carros mexicanos passaram a chegar muito mais baratos que os nacionais – o hatch March foi um dos exemplos mais claros dessa situação.

Diante do cenário atual, algumas marcas decidiram produzir no Brasil, apesar dos custos altos e da demanda reduzida. É o caso da Volkswagen, que começará a montar o sedã Jetta no Paraná no segundo semestre, aproveitando o início de produção do Golf VII.

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