Com um crescimento extremamente veloz de sua economia, era questão de tempo para que uma “seleção natural” começasse a ocorrer no setor industrial chinês. Passada a euforia dos primeiros anos de abundância econômica, o público consumidor local – assim como o do mercado externo – passou a exigir mais qualidade dos produtos made in China. Com isso, só as empresas que estivessem preparadas para essa mudança sobreviveriam.

Um bom exemplo dessa modernização são os telefones celulares produzidos no país asiático. Até mesmo a Apple, que é uma referência em termos de design e sofisticação em tudo que cria, optou por fabricar seus produtos na China graças ao desenvolvimento da indústria local. Inicialmente vistos como clones baratos de modelos de fabricantes famosas, os smartphones chineses evoluíram rapidamente, e, hoje, algumas marcas como Huawei, Xiaomi, Oppo e OnePlus se tornaram conhecidas (e desejadas) por seus aparelhos modernos e bem produzidos.

O mesmo está ocorrendo com os automóveis. Até meados dos anos 2000, os carros chineses sofreram com o preconceito e a desconfiança do público em geral, uma vez que algumas empresas investiram na mesma estratégia usada inicialmente no segmento dos eletroeletrônicos, de apostar em produtos baratos para conquistar o público, sem se preocupar com a confiabilidade. Para piorar, ainda eram comuns as notícias de processos movidos por montadoras europeias tradicionais contra fabricantes chinesas que simplesmente copiavam os veículos ocidentais.

Mudança de atitude

Era preciso mudar e, para isso, a ordem foi investir – e muito – em pesquisas, desenvolvimento e capacitação profissional. E, mais uma vez, as empresas que souberam identificar essa necessidade saíram na frente e hoje colhem os frutos de suas apostas. A Chery foi uma delas, e em 2014, firmou parceria com a Jaguar Land Rover para a produção de veículos das marcas britânicas destinados ao mercado chinês. Esse acordo já mostrava que a Chery se preocupava com a capacitação técnica de seus funcionários para construir veículos de qualidade, bem como com a capacidade produtiva da empresa de suprir o mercado daquele país, um dos que mais cresce no planeta.

Em 2016, a Chery anunciou sua nova imagem de marca, com apelo jovem e globalizado. “Diversão, aproveite o futuro com a Chery” foi o tema da campanha exibida em Pequim. Ao mesmo tempo, a empresa inaugurou o Chery Technical Center Shangai (CTCS) e apresentou o seu inovador programa de Pesquisa e Desenvolvimento, com o qual deixou claro ao mundo a sua determinação e comprometimento com a melhora e o aprimoramento de seus produtos. O primeiro resultado disso foi que, naquele mesmo ano, a Chery foi incluída na primeira relação de “Empresas de demonstração de segurança de qualidade de exportação da China”, programa criado pelo próprio governo chinês para demonstrar a evolução dos produtos de suas empresas.

 

 

 

Chery Arrizo GX
Chery Arrizo GX
Imagem: Divulgação

 

 

 

Já faz algum tempo que os produtos fabricados na China eram sinônimos de cópias ou de itens descartáveis, por conta de sua qualidade inferior. E é preciso reconhecer que, em muitos casos, a má fama se justificava, uma vez que o rápido crescimento da indústria daquele país permitiu o surgimento de muitas fábricas de produtos piratas (incluindo autopeças), já que a regulamentação do setor por lá não acompanhou a velocidade de sua expansão.

Para se ter ideia, basta dizer que Shenzen se transformou de uma aldeia de pescadores com 30 mil habitantes em 1984, para uma cidade com oito milhões de pessoas em 2007, graças à implantação de uma zona especial econômica, o que resultou na instalação de várias indústrias no local.

O investimento maciço em qualidade, pesquisa e desenvolvimento logo resultou nos primeiros frutos e um dos mais celebrados foi a participação da Chery no Salão de Frankfurt de 2017, quando apresentou o Exeed TX, o primeiro modelo de uma família de veículos de alto padrão, definido pela montadora como a “primeira obra-prima da estratégia Chery 3.0”. Com visual caprichado, muita tecnologia a bordo e um novo conjunto motriz, formado por um 4-cilindros de alto desempenho aliado ao câmbio robotizado de dupla embreagem de sete marchas, o Exeed TX foi muito bem recebido pela imprensa especializada. Existe ainda uma versão híbrida Plug-In (recarregável por meio de tomada externa) e todas contam com um avançado sistema de conectividade, desenvolvido em parceria com a Baidu. A nova gama de motores – formada por propulsores 1.0, 1.2 e 1.6 –, aliás, também pode ser trazida para o Brasil no futuro.

No Brasil – onde atua desde 2009 –, a Chery instalou a sua primeira fábrica fora da China em 2014, na cidade de Jacareí (SP). Em setembro de 2017, juntou-se ao grupo CAOA para formar a CAOA Chery. Sob a nova denominação, a montadora segue com sua estratégia ousada, que inclui o lançamento de modelos recém-apresentados no exterior, expansão da rede de concessionárias e investimento contínuo no aprimoramento e adequação de seus produtos ao gosto dos consumidores brasileiros. Não é à toa que a marca vem registrando crescimento contínuo e sustentável nas vendas e na participação do mercado.

Conceito da Chery

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Chery

Redação

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