Comprar carro de leilão é uma boa? Veja quais cuidados tomar

Ler o edital com atenção e realizar uma inspeção minuciosa são as dicas para fugir de problemas
Veículos ofertados em leilão possuem origens diversas, o que exige atenção

Veículos ofertados em leilão possuem origens diversas, o que exige atenção | Imagem: Reprodução internet

Comprar um carro em leilão parece um negócio da China. Afinal de contas, os preços são muito menores do que os praticados em lojas de seminovos e concessionárias - e evidentemente muito mais barato do que um modelo zero quilômetro.

Além do valor camarada, outra comodidade é a possibilidade de adquiri-lo sem sair de casa. Durante a pandemia, cresceu o número de leilões online, nos quais o usuário pode acompanhar pela internet e dar seus lances de qualquer lugar do planeta.

Mesmo com tantos atrativos, é preciso ter cautela antes de fechar negócio. Apresentamos a seguir alguns cuidados que devem ser tomados.

Atenção ao edital

Um veículo de leilão pode ser vendido em qualquer estado de conservação. Existem carros que aparentam estar impecáveis e outros que parecem fadados ao ferro-velho.

A primeira dica é ler atentamente o edital do leilão. Nele constam todas as informações importantes, como ano e modelo, estado de conservação e eventuais problemas com documentação. Neste último caso, vale ressaltar que alguns carros são vendidos como sucata, ou seja, não podem ser legalizados.

A maioria das casas de leilões disponibiliza datas para que os interessados analisem pessoalmente cada veículo do lote em questão. Por isso, se possível, compareça ao local onde o carro se encontra e analise com calma o seu estado de conservação.

Pagamento só à vista

Além de eventuais multas e pendências como licenciamento e IPVA, que normalmente são pagas por quem arremata o veículo, quem compra um carro em leilão precisa arcar com as taxas administrativas.

Existe a comissão do leiloeiro (que é de 5% sobre o valor arrematado) e a chamada “taxa de pátio”, que corresponde ao tempo em que o lote ocupou as instalações da leiloeira.

Dois fatores importantes devem ser ressaltados: o pagamento para a casa de leilões deve ser realizado à vista e o arrematador tem um prazo de 48 horas para pagar pelo carro, sob pena de multa de até 20% sobre o valor do lance.

Origens variadas

Os veículos ofertados em um leilão possuem origens diversas.

Um grupo bem comum é o dos carros recuperados de financiamentos por instituições bancárias. Provenientes de operações financeiras, normalmente foram financiados por pessoas físicas que deixaram de pagar prestações - e por isso acabaram no leilão.

No caso dos veículos de roubo e furto, este tipo de veículo é oferecido em leilões de seguradoras. Não sofreu danos e foi recuperado, mas foram colocados à venda porque a indenização já havia sido paga ao cliente.

Os carros de frotas empresariais são bons negócios por serem provenientes de frotas de grandes e médias corporações. Costumam ser exemplares de procedência, com bom histórico de manutenção e pouco tempo de uso.

Já os veículos de seguradoras são sinistrados e/ou recuperados. Neste caso recomenda-se atenção por conta dos graus de sinistralidade:

  • Pequena monta: veículos com danos de natureza leve, que não abalaram a estrutura do veículo

  • Média monta: danos mais graves que podem até impedir a circulação do veículo. Em alguns casos, o conserto pode até ser realizado, mas é preciso submeter o carro a uma vistoria no Detran para obtenção de laudo com restrição gravada no documento. A validade deste laudo é de 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30 dias.

  • Grande monta: define a famosa “perda total”, ou “PT”, para os íntimos. Estes veículos costumam ser adquiridos apenas por empresas especializada em revenda de peças e ferros-velhos.

Os veículos classificados como "judiciais" geralmente foram apreendidos por conta de processos investigativos e criminais ou porque resultam de pendências nas justiças trabalhista e cível.

Apesar dos preços atraentes, convém contar com a ajuda de um advogado para resolver eventuais trâmites judiciais. Isso porque o bem, que está em nome de uma pessoa física ou jurídica, foi apreendido dentro de um processo, mas segue em nome de terceiros.

Por fim, uma modalidade de leilão que vem ganhando popularidade é a de veículos antigos. São modelos dos anos 1970 aos 1990 com status de clássicos ou que possuem potencial de valorização nos próximos anos. Normalmente possuem ótimo estado de conservação e estão à venda por decisão do proprietário.

Desvalorização na revenda

Se você compra um carro pensando na hora de revenda, fuja dos carros de leilão. Isso porque a desvalorização é muito maior do que um veículo adquirido no mercado de seminovos. Não existe uma justificativa plausível: o motivo é justamente o “preconceito” do mercado com carros comprados em leilão pelas razões apresentadas anteriormente.

Por razões semelhantes é que muitas seguradoras não aceitam veículos de leilão. Algumas empresas realizam uma profunda análise do histórico do carro antes de aprovar a apólice.

São verificados o estado de conservação do veículo, a quantidade de multas ou débitos e qualquer tipo de alteração realizada no automóvel.

Por isso, a recomendação é pesquisar as mesmas informações antes de fechar negócio. Assim você foge de problemas e pode desfrutar de seu carro novo sem preocupações.

Usados: alta anormal nos preços por conta da pandemia
Desvalorização de carros adquiridos em leilão tende a ser maior 
Imagem: Agência Brasil