O mercado automobilístico, em especial o brasileiro, pode ser bastante cruel com os produtos que as montadoras têm a oferecer. Além de preço competitivo e qualidades, o veículo precisa ser adaptado ao público, que em cada canto do mundo possui uma peculiaridade específica, ou uma porção delas. Se a marca erra na mistura o resultado é o inevitável fracasso de vendas, mesmo no caso de um bom carro. Ocorrências recentes não faltam e o pior, esse tipo de automóvel acaba por cair na vala comum do “mico”, com preços de revenda baixíssimos.

A máxima afeta com mais intensidade carros importados, mas a indústria nacional também já teve suas baixas. Os motivos vão desde características da carroceria a questões estéticas. Há também erros estratégicos e falhas de projeto ou simplesmente casos em que o veículo recém-lançado no país já saiu de linha no exterior. Esses problemas no currículo acabam por arranham a imagem do carro, que por consequência perde seu valor de forma ainda mais acentuada com o tempo. O AUTOO relembrou alguns dos carros “micados” dos últimos anos.

Mercedes-Benz CLC

Quando o antigo Classe A nacional saiu de linha, um dos carros que ocupou seu lugar na linha de montagem nacional da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG) foi o sofisticado hatchback CLC. Isso mesmo, esse carrão era fabricado no Brasil. E isso foi sua maldição. A fabricação do modelo no país exigia a importação de muitos componentes do exterior, o que fez o carro custar exagerados R$ 124.900. E falamos ainda de uma série configurada especialmente para o consumidor brasileiro, que excluía uma infinidade de itens justamente para ficar mais barato.

Era pra ser um dos veículos de entrada da marca no Brasil, mas seu preço encostava no valor do sedã Classe C na época, além de ser muito mais caro que seus rivais BMW Série 1 e Audi A3. Ao todo, foram fabricados cerca 56.000 unidades no CLC “mineiro”, das quais pouco mais de 1.000 exemplares para o mercado brasileiro. Sua produção começou em 2008 e foi encerrada em dezembro de 2010 devido a chegada do Classe C Coupé, este alemão. Mas quem comprou gostou. O duro agora é revender.

Volkswagen Eos

Hello Volkswagen! Conversível algum nunca foi e, se depender da situação atual, nunca será popular no Brasil. A violência das ruas por aqui não é brincadeira e o temor já é grande mesmo para os que andam em carros blindados. Imagine então um esportivo sem capota? Mas isso não tira mérito nenhum do Eos, que é um carro tão instigante de dirigir quanto interessante do ponto de vista estético. Por onde anda torce pescoços, mas é muito raro.

O Eos chegou ao mercado brasileiro em 2008, mas após dois anos com vendas discretas – em 2009 foram emplacadas 79 unidades e em 2010, apenas 49 – a Volks decidiu não dar continuidade a sua importação, logo quando o modelo havia sido reestilizado na Europa.

Além da capota retrátil rígida, que pode ser acionada ou retraída em menos de 20 segundos, a versão do Eos oferecida no Brasil era a melhor do catálogo. Era caro – passava dos R$ 140.000 -, mas trazia o conceituado motor 2.0 TSI e o câmbio DSG de dupla embreagem, ambos criações da Audi, pra ninguém botar defeito. Um modelo usado ano 2008 hoje já pode ser encontrado por menos de R$ 100.000.

Chevrolet Malibu

O Malibu, segundo sedã na hierarquia da GM no Brasil abaixo apenas do Omega, pode até ter suas qualidades, mas mas chegou tarde demais ao mercado nacional já que seu sucessor já estava no forno.

O carro mal chegou ao Brasil – estrou em maio de 2010 – e a nova geração já é exibida em salões pelo exterior, que anunciam um modelo mundial com previsão de chegada ao mercado brasileiro para 2013. Logo, quem comprou um em breve vai fazer bico.

Citroën C4 VTR

O brasileiro também não é muito chegado em carros, digamos, mais exóticos. O Citroën C4 VTR é sucesso de crítica na Europa, mas por aqui não fui muito bem digerido. Foi oferecido entre 2006 e 2008 como um esportivo, o que de fato seu motor 2.0 16V não permitia. Seu preço, apesar de se tratar de um carro importado da França, era até interessante: variava entre R$ 68.900 e R$ 76.019 com todos os opcionais inclusos. Um Peugeot 307 top de linha, por exemplo, era mais caro, mas também era mais versátil com suas 4 portas.

Em pouco mais de dois anos no mercado o C4 cupê, até então a única opção da linha no Brasil, emplacou exatas 3.844 unidades, um volume suficiente para criar uma legião de fãs. No final de 2008, desapontada com o baixo volume de vendas do carro e com o iminente lançamento das demais versões do C4, a Citroën decidiu barrar a importação do modelo que logo saiu de série na Europa com a chegada da nova geração.

Fiat Linea 1.9

A falta de experiência da Fiat nos segmentos acima dos compactos é nítida. Diversos carros, apesar de bons, não deram certo. A lista contém modelo como o Tipo e o Marea. O Linea, lançado em 2008, marcou o retorno da marca ao ramo dos sedãs médios, mas o início foi turbulento. Ainda sem os motores E.torQ e buscando se livrar da dependência da Powertrain (a fábrica de motores da GM) a marca optou por equipar o veículo com o motor 1.9, feito na Argentina.

O carro tinha tudo para ser bom, mas esbarrava na falta de desempenho de seu motor, cuja potência máxima (ou até ideal) surgia apenas em giros altíssimos, o que infligia no alto consumo de combustível. Mesmo assim vendeu bem. Em 2009, no primeiro ano cheio do carro, foram emplacadas 14.659 unidades, até então o recorde do modelo – em 2010 caiu para 12.075, conforme números da Fenabrave.

A mudança no Linea, porém, veio rápido demais. Em setembro de 2010 a Fiat trocou o motor 1.9 pelo novo 1.8 16V, mais econômico e principalmente com menor índice de ruído. Quem acabou comprando o carro ainda com o primeiro motor não deve ter gostado nada da alteração. Mas a mudança fez um enorme bem ao carro.

Troller Pantanal

Esse é um mico que se veste de gorila. Em 2006 a então ainda independente Troller lançou no mercado brasileiro a Pantanal, seu segundo modelo de série. Custava R$ 67.000 e vinha com tração 4x4 e o motorzão 2.8 turbodiesel MWM de 163 cv e uma “patada” de 38,8 kgfm de torque máximo. Tinha força o suficiente para levar até 1,3 tonelada na enorme caçamba. Mas foi um fracasso de vendas.

Até 2008, a Troller vendeu apenas 77 unidades da picape com carroceria de fibra de vidro, o que já era um motivo e tanto para desistir de produzi-la. Nesse mesmo ano a Ford comprou a fabricante cearense e anunciou um recall um tanto inusitado. Foi constatada a possibilidade de trinca na estrutura do carro, o que poderia separar a cabine da caçamba em casos extremos. A solução foi simples: a Ford recomprou todas as camionetes e reciclou seus componentes. Quem preferiu ficar com o carro teve de assinar um termo livrando a montadora de qualquer culpa na eventualidade de um acidente.

Renault Grand Scénic

A primeira geração da minivan Renault Scénic teve um final um tanto melancólico no Brasil. O carro foi fabricando durante 10 anos e hoje em dia pouca gente lembra dele. Chegou em 1999 e acabou descontinuada em 2010, após sumir do mercado – tanto por repúdio dos consumidores, que partiram para o Citroën Xsara Picasso, como pela falta de propagandas por parte da montadora francesa. Menos lembrada ainda é o Grand Scénic II.

Ainda sofrendo com a concorrência imposta pelas minivans da Citroën, o Grand Scénic II chegou importado da França em 2008 e não teve forças para durar até 2010 e acabou sendo retirada da linha da Renault no país. Menos de 300 unidades foram vendidas, muito por causa de seu preço alto – batia nos R$ 90.000.

Suzuki Vitara V6

A geração mais recente do Suzuki Vitara chegou ao Brasil em 2009 marcando o retorno da marca japonesa ao mercado nacional. O veículo chamou atenção pelo visual totalmente reformulado, mas ainda inspirado na antiga versão do jipinho, e duas opções versáteis de motorização. Para quem anda basicamente apenas na cidade, o modelo mais indicado é o com motor 2.0 de 140 cv. Se a exigência do consumidor for maior e o caminho pela frente mais tortuoso, então é melhor partir para o 3.2 V6 de 232 cv. Ou melhor, era.

Acontece que o motor V6 do Vitara saiu de linha na fábrica da Suzuki no Japão e, por consequência, a versão “morreu” no Brasil, após pouco mais de dois anos de mercado.

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Thiago Vinholes

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