Covid-19: no Brasil e no mundo, setor automotivo dá exemplo de solidariedade

Fabricantes de automóveis unem-se com empresas do setor de saúde para a produção de equipamentos para hospitais
Produção de suprimentos médicos pela Ford nos EUA

Produção de suprimentos médicos pela Ford nos EUA | Imagem: Divulgação

Uma exemplar onda de solidariedade está passando pelo setor automotivo global na medida em que a pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, impacta cada vez mais a sociedade em diversos países.

Falando específicamente do Brasil, a Volkswagen anunciou na tarde desta terça-feira (24) que vai disponibilizar uma frota de 100 carros para utilização por parte das prefeituras de São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP) e São Carlos (SP), além de São José dos Pinhais, no Paraná. As cidades em questão abrigam fábricas da montadora alemã.

Em seu comunicado, a Volkswagen explica que o empréstimo tem como objetivo principalmente apoiar o deslocamento de médicos e enfermeiras, bem como auxiliar no transporte de medicamentos e equipamentos de saúde, podendo ser utilizado para qualquer outra necessidade das autoridades.

Na vizinha Argentina, a ótima notícia chega por meio da associação que reúne os concessionários no país. Chama Acara, a entidade anunciou que colocará à disposição das autoridades sanitárias do país os carros utilizados para test-drive pelos revendedores. Devido às medidas de isolamento social, as concessionárias no país estão fechadas e, dessa forma, será possível conferir um importante uso aos veículos que ficariam parados nesse período. Outra iniciativa muito interessante surgiu de um grupo de concessionários filiados à Acara e que ficam localizados na região de La Plata. Ao todo dez empresas do setor se uniram para doar respiradores e suprimentos médicos que ajudem no combate à Covid-19.

Nos EUA, Ford e Fiat Chrysler também anunciaram medidas importantes para lidar com as consequências do novo coronavírus.

A Ford se uniu com a 3M e a GE Healthcare para aumentar de forma rápida a produção de respiradores. Ao adotar soluções pragmáticas de engenharia, como aproveitar os ventiladores de assentos usados na picape F-150, a Ford declara que conseguirá produzir os respiradores em algumas plantas no Estado de Michigan, ajudando a 3M a aumentar em 10 vezes o volume de fabricação do aparelho hospitalar. A união entre a Ford e a GE Healthcare, por sua vez, contempla a produção de uma versão simplificada dos respiradores. A GM também seguiu uma iniciativa parecida em conjunto com a Ventec Life Systems.

A Ford também vai ajudar hospitais nos EUA a encontrar e adquirir máscaras cirurgicas no padrão N95. A fabricante ainda trabalha na produção de protetores faciais (Face Shield) que serão distribuídos no país.

A Fiat Chrysler, por sua vez, está empenhada em produzir mais de um milhão de máscaras faciais que serão enviadas para hospitais, clínicas de saúde e profissionais que integram equipes de respostas de emergências na América do Norte. 

Atualização (25/03/2020 às 12h13): a Chevrolet anunciou que vai liderar uma força-tarefa do governo federal para o conserto de respiradores no Brasil, como explica a nota oficial da fabricante: a empresa está liderando esforços conjuntos com o ministério da Economia, SENAI, Abeclin (Associação Brasileira de Engenharia Clínica) e outras montadoras para unir uma força-tarefa no conserto de todos os respiradores que não estão funcionando no Brasil, por meio da Iniciativa + Manutenção de Respiradores. Até o momento, já foram mapeados mais de 3.000 respiradores que não estão em operação. Este número pode ser ainda maior. O objetivo é consertar 100% dos aparelhos fazendo a logística de buscar nos hospitais, levar até uma fábrica mais próxima, consertar com a mão de obra técnica voluntária treinada pelo SENAI e, depois de funcionando, o equipamento retorna para o hospital de origem para ser usado no combate à Covid-19.  "Neste momento, em paralelo ao levantamento que está sendo feito do número, localização e modelo dos equipamentos parados, estamos treinando virtualmente nosso corpo técnico voluntário e preparando salas nas operações da GM no Brasil para realizarmos os reparos na semana que vem", declara o engenheiro Dr. Carlos Sakuramoto, gerente de inovação da GM, que foi procurado pelo Ministério da Economia para coordenar essa ação. 

 

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