Fim do isolamento social pode favorecer a compra de um carro novo?

Autoo ouviu especialistas sobre como o mercado deve reagir após o período mais agudo da pandemia no Brasil
Loja de carros

Loja de carros | Imagem: Reprodução internet

Em decorrência do novo coronavírus e do cenário de retração da economia, causado pela indústria e pelo comércio parados, fica a dúvida sobre qual será a situação que iremos encontrar nos próximos meses. Enquanto a China começa a reativar alguns setores produtivos e a Alemanha passa a trilhar o mesmo caminho na Europa, aqui no Brasil ainda temos que lidar com as restrições impostas pelas regras de distanciamento social.

Assim como observamos nos casos da potência asiática e da maior economia do continente europeu, é fato que, uma vez administrados os impactos do novo coronavírus, é possível ensaiar uma volta à normalidade.

Falando especificamente do setor automotivo, que deve sofrer um forte abalo neste ano assim como várias outras áreas, muitos consumidores estavam com planos para comprar ou trocar de carro antes da Covid-19 eclodir pelo mundo. Pensando nisso e trazendo essa realidade para o Brasil, fica a pergunta: uma vez passado o momento mais agudo da crise, será uma época interessante para adquirir um automóvel?

De acordo com Paulo Cardamone, da Bright Consulting, as condições para comprar um automóvel serão boas, porém o especialista no setor automotivo aponta que a confiança do consumidor deverá estar baixa nos próximos três meses, o que sinaliza para uma retomada cautelosa do mercado.

Quem segue a mesma linha é Julian Semple, consultor automotivo da Carcon Automotive. Segundo Semple, após várias semanas de vendas interrompidas, haverá uma demanda reprimida e muitos consumidores voltarão às compras. “Porém, como já observado na China, será um processo lento e com cautela dos consumidores, visto que haverá, inicialmente, um certo receio em contrair dívidas expressivas como envolve a compra de um automóvel”, detalha o consultor.

Poderão ajudar na retomada do setor algumas promoções iniciadas por diversas marcas que oferecem um período de carência para as primeiras parcelas do financiamento. Recentemente, Fiat e Jeep anunciaram planos em que a cobrança começará apenas em 2021.

Uma notícia não tão animadora, de acordo com os especialistas ouvidos pelo Autoo, é que os preços dos carros 0 km não deverão cair no curto prazo.

“Pode haver sim condições especiais por parte das montadoras, mas entendo que os preços aumentarão em função do dólar e do repasse dos custos em consequência da parada nas vendas”, explica Cardamone.

“Temos observado descontos em alguns modelos em estoque nas concessionárias, como em modelos 2020 prestes a migrar para a linha 2021 assim que a produção normalizar. Porém, não veremos reduções de preços, visto que as montadoras e revendas estarão altamente endividadas”, acrescenta Semple, para quem também haverá a pressão do dólar alto sobre os custos dos carros. Hoje em dia muitos modelos produzidos no Brasil ainda utilizam componentes importados.

Pedimos também para os especialistas avaliarem perspectivas para o mercado de carros usados em um cenário pós-pandemia.

Segundo o consultor da Carcon Automotive, “o mercado de usados, assim como o de novos, vai se recuperar lentamente e, por conta da parada devido à quarentena, os lojistas tendem a reduzir os preços para aliviar o estoque e equacioná-lo com a nova demanda e a realidade do mercado”.

O mesmo ponto de vista é compartilhado por Paulo Cardamone, da Bright. “O mercado de usados acompanha o de novos. Se a retração dos próximos três meses for muito forte, os preços tendem a cair para desova dos estoques”, finaliza. 

Logo, se você se sentir confortável financeiramente para realizar a compra de um carro novo ou usado, talvez seja um momento interessante para realizar algumas pesquisas assim que as restrições de isolamento social tornarem-se mais brandas. 

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