Fuga do transporte público ''turbina'' mercado de usados

Segmento começa a demonstrar uma recuperação mais forte do que a de carros 0 km
Usados: público busca levantar dinheiro vendendo o carro atual

Usados: público busca levantar dinheiro vendendo o carro atual | Imagem: Agência Brasil

Como já abordamos em outras reportagens aqui no Autoo, um dos reflexos da pandemia do novo coronavírus será uma procura cada vez maior das pessoas por meios de transporte individual ou que restrinja o contato apenas com membros da família, como ocorre em um carro próprio, por exemplo, evitando assim a aglomeração ou circulação intensa de pessoas nos meios de transporte público. Essa tendência já foi observada em países que encontram-se em estágios mais avançados da pandemia e também dá sinais de se repetir aqui no Brasil.

Se para muita gente o acesso a um carro novo ainda pode ser algo distante por conta do valor elevado, o mercado de usados reserva boas opções e pode ser uma ótima porta de entrada para muita gente que sonha, ou foi levado pelas circunstâncias, a estacionar um carro na garagem. Ao permitir compras mais racionais do ponto de vista do custo-benefício, o valor mais em conta dos carros usados certamente atrai um público bem maior. 

Em julho, mês que apresenta um cenário de recuperação do mercado automotivo brasileiro em meio à pandemia que ainda faz muitas vítimas no país, as transferências de automóveis e comerciais leves usados apresentaram alta 52,6% na comparação com junho, totalizando 834.033 unidades, apontam dados da Fenabrave. É interessante destacar que, para o segmento de automóveis e comerciais leves novos, a alta nas vendas registrada em julho deste ano na comparação com o mês anterior ficou em 32,8%, apontando, com isso, um ritmo menor de recuperação em relação aos usados. 

Ainda traçando o mesmo paralelo entre carros novos e usados, a queda na relação anual (julho de 2020 comparado a julho de 2019) foi de 17,2% entre os usados e atingiu 29,7% no caso dos novos, uma prova de que a recuperação entre os modelos com mais tempo de uso está ocorrendo de forma acelerada.

Além de uma certa “fuga” dos brasileiros do transporte público e até mesmo de aplicativos de carona, o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., também aponta outra razão para a retomada na procura de carros usados. “O mercado está se ajustando, tanto para veículos novos como para usados. Um fator que também contribuiu para o resultado entre os veículos usados foi a melhora na oferta de crédito”, pondera. 

Considerando todos os tipos de veículos, desde carros e motos, até caminhões, ônibus e implementos, a fatia de usados cresceu 53% na procura em julho em relação ao mês anterior, volume superior se comparado aos 43,6% de crescimento do mercado como um todo, porém centrando a análise em veículos novos. 

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Imagem: Divulgação
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