Guia do Carro Usado: Fiat Strada

Modelo chegou ao mercado em 1998 e se tornou referência de picape compacta no Brasil
Fiat Strada 2016

Fiat Strada 2016 | Imagem: Divulgação

Claro que toda marca ao lançar um produto espera que ele conquiste muito sucesso no mercado.

No universo das picapes compactas, talvez sequer a própria Fiat iria imaginar que a Strada se tornaria um modelo tão relevante no Brasil.

A picape já soma uma trajetória de mais de 20 anos no mercado e se tornou referência no segmento, ocupando também o posto de veículo comercial leve mais emplacado no Brasil.

A história da Fiat Strada começou em outubro de 1998, quando chegou às concessionárias brasileiras nas versões Working (1.5, 76 cv), Trekking (1.6, 92 cv) e LX (1.6 16V, 106 cv).

Em 1999, a picape recebeu a opção da carroceria estendida e, exatos 10 anos depois, promoveu uma revolução na categoria com o advento da carroceria cabine dupla, configuração que inclusive nasceu de uma demanda do público.

Já no ano passado, a Fiat Strada ganhou sua segunda geração com uma evolução completa, recebendo os controles de tração e estabilidade, 4 portas na configuração cabine dupla e a opção do motor 1.3 Firefly a partir do catálogo intermediário.

Em breve, a Fiat Strada deverá, também de forma inédita, receber uma opção com câmbio automático CVT, o que certamente vai ampliar ainda mais o leque de consumidores da picape.

Pontos fortes

O sucesso da Fiat Strada se deu em grande parte por conta do lado comercial.

A ampla rede de concessionárias, oferecendo uma boa cobertura do território brasileiro, certamente é algo relevante, em especial para que os proprietários possam garantir a manutenção correta do veículo.

Marca que sabe analisar e compreender muito bem com as demandas e necessidades do público, a Fiat sempre desenhou um catálogo muito bem planejado de versões para a picape.

De olho também no público que utiliza a Strada como uma ferramenta de trabalho, a Fiat concebeu um modelo econômico e com baixo custo de manutenção, atributos primordiais para empresas e profissionais liberais. 

Vale citar ainda um atributo sempre muito valorizado pelos “consumidores PJ” envolvendo a Strada: a suspensão traseira com eixo rígido e mola parabólica. O layout favorece a robustez do conjunto e confere para a Strada boa disposição no transporte de cargas, tanto que a nova geração da picape preservou a solução. 

Com um histórico de mercado impecável, a Fiat Strada também oferece alta liquidez e desvalorização comedida.

Pontos fracos

Da mesma forma que a suspensão traseira reforça a robustez da Fiat Strada, ela não é a pedida ideal do ponto de vista do comportamento dinâmico.

Apesar da Fiat ter feito um excelente trabalho para tornar a Strada em sua nova geração um veículo bem mais estável e com um rodar suave, a Strada anterior exige atenção em alguns momentos, sobretudo em vias que permitem velocidades elevadas ou ao trafegar por estradas sinuosas. 

Ainda falando sobre a Strada de primeira geração, o modelo está longe de ser uma referência quando o assunto é ergonomia e posição de dirigir.

A Fiat instalou o banco do motorista em uma altura elevada demais, fazendo com que condutores mais altos tenham a sensação de qua falta bem mais espaço dentro da picape.

O câmbio manual da primeira geração também conta com engates longos e, em alguns casos, imprecisos. Se a sua ideia é comprar uma picape compacta que ofereça mais prazer ao dirigir, talvez seja interessante colocar no radar a Volkswagen Saveiro.

Não se trata de um problema da Fiat Strada em si, mas, como estamos falando de um veículo que pode ser utilizado para atividades intensas no uso comercial, vale ficar atento (a) se a unidade que você está pesquisando não conta com muitos amassados, arranhões ou até pequenas rachaduras na caçamba, o que pode sinalizar uso inapropriado do carro. 

Quais versões devo comprar?

Se a ideia é uma Strada para o trabalho, vale considerar unidades a partir do ano/modelo 2010 por já contarem com motor 1.4 mais evoluído, com até 86 cv utilizando etanol. A versão Working é a pedida ideal para esse fim.

Para aqueles que desejam a picape para uso na cidade ou atendendo atividades de lazer, o modelo com motor 1.8 E.torQ nas versões Adventure é a pedida ideal. O sistema de bloqueio do diferencial (Locker) também é um recurso da Strada que ajuda a trafegar com mais tranquilidade em vias não pavimentadas. 

Se for possível migrar para unidades da Strada em sua segunda geração, melhor. A partir da linha 2021, a picape já conta com os controles de tração e estabilidade e entrega um conjunto técnico bem mais evoluído.

Quais versões devo evitar?

Considerando a longa história da Fiat Strada, não são recomendáveis as versões com motor 1.8 de origem GM por conta do consumo elevado. O 1.8 E.torQ adotado posteriormente pela Fiat é muito melhor em todos os aspectos.

Fuja também do catálogo Adventure com a transmissão robotizada Dualogic, a qual pode demandar mais manutenção. Apesar de figurar como um dos melhores câmbios com essa concepção oferecidos à época, ele está longe de oferecer a mesma suavidade de operação de uma caixa automática convencional em modo Drive.

Entre as opções de carroceria da Strada, pondere bem qual vai atender suas necessidades de espaço para passageiros ou carga. As versões cabine simples, transportam, basicamente, dois passageiros, sem muita área livre para bagagens ou demais objetos no interior.

A Fiat tentou conferir ares esportivos para a Strada com o lançamento da versão Sporting em 2010, porém ela foi logo descontinuada por conta da baixa procura e reduzido apelo junto ao público.

Fiat Strada 2016

Fiat Strada 2016

Em 1999, a Fiat Strada torna-se a primeira picape compacta a oferecer cabine estendida

Em 1999, a Fiat Strada torna-se a primeira picape compacta a oferecer cabine estendida

Fiat Strada 2009, a primeira picape compacta com cabine dupla

Fiat Strada 2009, a primeira picape compacta com cabine dupla

Primeira picape com cabine dupla e terceira porta, no caso a Strada em 2013

Primeira picape com cabine dupla e terceira porta, no caso a Strada em 2013